A escalada retórica de Donald Trump contra a Venezuela se expandiu para ameaças a Colômbia, Cuba, México, Irã e Groenlândia, gerando preocupações sobre possíveis intervenções militares dos EUA na região.
Trump criticou líderes como Gustavo Petro, da Colômbia, e Claudia Sheinbaum, do México, acusando-os de não combater adequadamente o tráfico de drogas e sugerindo que ações militares podem ser consideradas.
Enquanto a Dinamarca rejeita as insinuações sobre a Groenlândia, Trump também ameaçou o Irã, prometendo apoio a manifestantes se o governo reprimir violentamente os protestos, que já resultaram em mortes.
Desde a ofensiva sem precedentes dos Estados Unidos contra a Venezuela de Nicolás Maduro, no último sábado (3), o presidente americano, Donald Trump, ameaçou outros cinco países em diferentes regiões do mundo, numa escalada retórica que acende alertas e gera temor de novas intervenções militares.
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Em apenas três dias, Trump apontou Colômbia, Cuba, México, Irã e Groenlândia, este último território semiautônomo da Dinamarca, como territórios de alguma forma prioritários para a segurança dos EUA.
O caso de maior tensão é o de Bogotá. O republicano disse no fim de semana que o líder colombiano, Gustavo Petro, deveria "tomar cuidado" e descreveu o primeiro presidente de esquerda do país como "um doente que gosta de produzir cocaína e vendê-la" para os EUA.
Em tom de ameaça, ainda acrescentou que "ele [Petro] não vai fazer isso por muito mais tempo".
Em seguida, questionado se os EUA fariam uma ação militar contra a Colômbia, o americano afirmou que a ideia lhe parecia boa. Petro rebateu dizendo que "pegará em armas" diante das ameaças de Trump.
Em relação ao México, outra nação da América Latina governado pela esquerda, Trump afirmou que o país não faz o suficiente para reprimir os cartéis de drogas. Assim, afirmou, Washington terá de "fazer alguma coisa", considerando que as substâncias ilícitas estariam inundando o território mexicano.
"[A presidente Claudia Sheinbaum] é uma boa mulher, mas os cartéis estão administrando o México. Ela não está administrando o país", afirmou Trump, sem apresentar provas.
Cuba, aliada da Venezuela e outro país governado pela esquerda na região, também foi mencionada. Trump disse que uma intervenção militar na ilha provavelmente não será necessária, pois, segundo ele, Havana parece estar prestes a "entrar em colapso". A sinalização
Também no fim de semana, em entrevista publicada pela revista The Atlantic no domingo (4), Trump, embalado pela intervenção na Venezuela, voltou a dizer que o território dinamarquês no Ártico é de interesse dos EUA. No mesmo dia, afirmou que a região é essencial "do ponto de vista da segurança" de Washington.
"Chega de insinuações. Chega de fantasias sobre anexação", respondeu a primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen. "Infelizmente, acho que o presidente americano deve ser levado a sério", acrescentou ela à DR, a emissora pública dinamarquesa.
Trump ainda voltou a ameaçar o Irã, país que no ano passado também foi atacado pelos EUA.
O republicano diz que Washington vai ajudar os manifestantes no país persa se as forças de segurança atirarem contra eles e matá-los.
"Se eles começarem a matar pessoas como fizeram no passado, acho que serão duramente atingidos pelos EUA", disse Trump no domingo.
Os protestos contra a inflação em alta se espalharam nos últimos dias pelo Irã, com confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Grupos de direitos humanos relataram pelo menos 25 mortes desde o dia 31.
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