Polícia

Delegado quer saber se pais permitiam abusos a crianças em motel de União dos Palmares

Bruno Soriano/TNH1 | 03/08/21 - 17h13 - Atualizado em 03/08/21 - 17h43

O delegado Edberg Sobral, titular do 114º Distrito Policial (DP), confirmou ao TNH1, nesta terça-feira (03), que já começou a colher os depoimentos dos envolvidos em mais um caso suspeito de abuso e exploração sexual, registrado na semana passada, em União dos Palmares, município da Zona da Mata alagoana, após denúncia feita pelo Conselho Tutelar. 

Segundo o delegado, uma menina de 10 anos e uma adolescente de 14 anos mantiveram relação sexual com um comerciante, em um motel da cidade. O suspeito, inclusive, mantém um relacionamento amoroso com a irmã mais velha das vítimas. O detalhe é que a “namorada” do suspeito também é menor de idade e está grávida do comerciante.

“Ela tem 17 anos e não compareceu para depor, mas também iremos ouvi-la. Ela manteve relação sexual com o suspeito no mesmo dia e local em que as irmãs foram abusadas. A relação, inclusive, foi presenciada por outras duas menores, de doze e quatorze anos. Também ficamos sabendo que o abusador é uma pessoa próxima da família”, disse o delegado, acrescentando que também deve ouvir os pais das menores ainda nesta terça-feira.

Ao TNH1, o delegado também confirmou que as meninas teriam sido atraídas para o motel em troca de dinheiro e até de comida. “Apuramos também se tudo isso foi consentido pelos pais das crianças, que podem já ter sido orientados a negar essa informação”, emendou o delegado, que deve pedir a prisão preventiva do suspeito.

A Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Alagoas (OAB-AL) também acompanha o caso. Presidente da Comissão Estadual de Defesa da Criança e do Adolescente, Paulo Paraízo alerta sobre a importância do acolhimento às vítimas. 

“O Conselho Tutelar cumpriu o seu papel, de modo que as crianças possam ter acesso à devida assistência psicológica. Temos visto uma escalada de casos dessa natureza e, infelizmente, na maioria deles, o agressor é alguém ‘de confiança’ ou da própria família da vítima”, afirmou o advogado. “E em se confirmando a conivência dos pais, o Ministério Público deverá ser acionado para, de imediato, requerer a medida protetiva necessária à salvaguarda dessas crianças”, emendou.