Condição pode comprometer funções essenciais do organismo e afetar diretamente a qualidade de vida quando não é reconhecida precocemente
Em 20 de março, é celebrado no Brasil o Dia Nacional de Atenção à Disfagia, uma data voltada à conscientização sobre as dificuldades de engolir e seus impactos na saúde. Apesar de muitas vezes ser associada apenas a episódios de engasgo, a condição pode comprometer funções essenciais do organismo e afetar diretamente a qualidade de vida quando não é reconhecida precocemente.
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A disfagia pode provocar tosse frequente durante as refeições, engasgos, pneumonias aspirativas, desnutrição e desidratação. O problema pode afetar pessoas de todas as idades, mas é mais comum em idosos e pacientes com doenças neurológicas.
“Engolir é tão essencial para a vida quanto respirar. Embora pareça um ato simples, a deglutição é um dos processos mais complexos do corpo humano, envolvendo a coordenação precisa de músculos, nervos e do sistema nervoso central”, explica a otorrinolaringologista especialista em deglutição Thaís Pinheiro, coordenadora da Comissão de Disfagia da Academia Brasileira de Laringologia e Voz (ABLV).
Segundo a especialista, um adulto saudável engole entre 500 e 700 vezes por dia, não apenas durante as refeições, mas também para controlar a saliva e outras secreções. “Uma deglutição eficaz garante segurança das vias aéreas, nutrição adequada, hidratação e qualidade de vida”, destaca.
Diversas condições podem provocar alterações na deglutição, principalmente quando associadas entre si. Entre as causas mais frequentes, estão:
Apesar de relativamente comum, a disfagia ainda é pouco reconhecida pela população e frequentemente permanece sem diagnóstico. Estima-se que até 75% das pessoas com dificuldade para engolir não saibam que têm a condição, o que pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações.
Entre os idosos, a pesquisa “Prevalência e fatores associados à disfagia em idosos residentes em comunidade”, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, encontrou 27,04% de ocorrência de disfagia nessa população, enquanto outras análises acadêmicas também confirmam a presença da condição em parte relevante desse grupo, como a tese intitulada “Prevalência e fatores associados à disfagia referida entre pessoas idosas no município de São Paulo: Estudo SABE – Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento”, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo.
A disfagia também é comum após acidente vascular cerebral (AVC), podendo afetar 20% a 40% dos pacientes, segundo a revisão “Disfagia em idosos após a ocorrência de Acidente Vascular Encefálico: revisão integrativa da literatura”, publicada no Research, Society and Development.
“Esses números mostram a importância de reconhecer precocemente os sinais de alerta. Sintomas como tosse ao comer, perda de peso ou pneumonias de repetição muitas vezes são atribuídos apenas à idade, quando podem indicar disfagia”, explica Thaís Pinheiro.

Algumas medidas simples podem tornar a alimentação mais segura, especialmente para pessoas com risco de disfagia. Segundo Thaís Pinheiro, algumas orientações importantes incluem:
Mesmo com cuidados em casa, a avaliação especializada é essencial quando há suspeita de disfagia. Pacientes com histórico de pneumonia, doenças neurológicas ou perda de peso devem procurar avaliação com especialista em deglutição e equipe multiprofissional. “A informação é uma das principais ferramentas para prevenir complicações e garantir uma alimentação segura”, conclui a médica.
Por Andressa Marques
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