Televisão

Disney vai fechar 100 canais de TV no mundo: Brasil pode ser afetado

Metrópoles | 25/05/21 - 23h05
Reprodução

Prestes a lançar o seu segundo serviço de streaming na América Latina, a Disney vai fechar cerca de 100 canais em todo o mundo, o que pode afetar inclusive o Brasil. A informação foi anunciada pelo CEO da empresa, Bob Chapek, na conferência de tecnologia e mídia do banco JPMorgan Chase, nessa segunda-feira (24/5).

“O movimento é parte da estratégia da companhia em focar seus esforços na operação de streaming da empresa. A grande maioria desse conteúdo migrará para o Disney+. Essa continua a ser uma estratégia central para nós, à medida que avançamos em direção ao DTC”, disse Chapek.

O DTC ao qual o CEO da empresa se refere, quer dizer direct to consumer (direto ao consumidor, em tradução livre). A sigla traduz a estratégia da empresa em vender seus produtos diretamente ao cliente, sem intermediários, como por exemplo, sem precisar de uma operadora de TV por assinatura.

Algo parecido com o proposto pela Disney é utilizado no Brasil pela Globo, que disponibiliza seus canais de TV fechada em seu streaming no plano conhecido como Globoplay + canais. Além disso, a própria gigante do entretenimento vai adotar esse modelo com o Star+, que vai contar com programação ao vivo dos canais Fox Sports e ESPN, suas marcas esportivas na TV por assinatura.

Em sua apresentação, Chapek não detalhou qual é o plano da Disney em relação às marcas e quais os países serão afetados, mas adiantou que as escolhas também estão baseadas nos contratos vigentes e nos resultados de cada mercado.

No Brasil, além dos canais esportivos (Fox e ESPN), a empresa também é dona das marcas Disney Channel, Disney XD, Disney Junior, National Geographic, Nat Geo Kids, Nat Geo Wild, e os antigos canais Fox, que passaram a se chamar Star (Star Channel, Star Life, Star Hits e Star Hits 2.

Prejuízos na pandemia

O movimento para encerramento dos canais se explica pelos recentes prejuízos da Disney durante a pandemia de Covid-19. No último trimestre, por exemplo, a área de parques de diversões reportou um prejuízo operacional de US$ 406 milhões. A queda de receita em comparação com o ano anterior foi de 44%.

Além disso, o setor de entretenimento televisivo já não era atraente para a Disney antes mesmo da pandemia. Em 2020, a empresa já havia fechado 30 redes de TV, incluindo o Disney Channel no Reino Unido e acelerou a migração dos canais para os seus serviços de streaming – mas que também tem apresentado queda nos últimos meses.

No primeiro trimestre deste ano, a Disney não atingiu o esperado e teve apenas 8,7 milhões de novos assinantes ao Disney+, encerrando o período com 103,6 milhões de assinantes. Os planos dos acionistas eram que a plataforma chegasse ao menos aos 109,3 milhões de assinantes.