Dólar cai a R$ 5,16 e Bolsa tem forte alta após Trump dizer que guerra do Irã está 'praticamente concluída'

Publicado em 09/03/2026, às 18h46
Casa Branca
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Por Folhapress

O dólar fechou em queda de 1,42%, cotado a R$ 5,165, nesta segunda-feira (9) no Brasil, após o presidente norte-americano Donald Trump afirmar que a guerra do Irã está "praticamente encerrada". O pregão foi de volatilidade e impactado pelas cotações do petróleo, que ultrapassaram o patamar dos US$ 100 e atingiram o maior valor desde 2022.

A Bolsa registrou encerrou o dia em alta de 0,86%, a 180.915 pontos, com o impulso do setor petrolífero brasileiro. As ações da Petrobras se valorizavam mais de 2% e foram os destaques do pregão.

Nesta segunda, o presidente americano disse que a guerra contra o Irã está praticamente concluída. "Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea", disse Trump em entrevista à CBS.

Mais cedo, Trump disse que não estava contente com a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do Irã. No domingo (8), o filho do aiatolá Ali Khamenei foi anunciado como novo líder supremo do Irã.

Seu pai, o segundo a ocupar o posto de autoridade máxima do país persa, foi morto por um ataque aéreo de Israel em sua residência oficial no sábado (28).

A nomeação do novo líder, considerado de um perfil mais linha-dura, reforça as expectativas de um conflito mais prolongado, diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Horas depois do anúncio, o Irã fez um ataque contra a instalação petrolífera de Al Ma'ameer, no Bahrein, a principal do país, provocando um incêndio e danos materiais ao local. No mesmo dia, Israel realizou bombardeios contra tanques de petróleo no Irã.

Nesta segunda, o petróleo chegou a disparar quase 30%, na maior variação diária desde 1988, e ficar próximo de US$ 120 pelo barril. Na máxima do pregão, às 23h30 de domingo, a commodity chegou a estar cotada a US$ 119,46 (R$ 626,14), no maior valor desde 29 de junho de 2022, quando chegou a US$ 120,41 durante a sessão.

No exterior, a aversão ao risco impacta os índices globais. O Euro STOXX 600, referência na União Europeia, fechou em queda de 0,61%. Nos EUA, os índices subiram, com Nasdaq avançando 1,38%, Dow Jones, 0,50%, e S&P 500, 0,89%.

As movimentações valorizavam empresas do setor na Bolsa brasileira, como Prio, em alta de 0,52%. A Petrobras também se beneficiou com as ações preferenciais da empresa avançando 2,49%.

O Irã responde por 3% da produção global da commodity, mas detém ainda mais influência sobre o mercado de energia por causa de sua posição estratégica às margens do estreito.

O conflito no Oriente Médio não demonstra sinais de arrefecimento e acirrou preocupações com possíveis interrupções na oferta de petróleo na região do Golfo. O estreito de Hormuz, por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo e do GNL (gás natural liquefeito do mundo), está virtualmente fechado.

Trump afirmou na última semana que poderia enviar a Marinha para escoltar petroleiros pelo estreito de Hormuz. A retórica, porém, foi contestada pela Guarda Revolucionária do Irã, que disse que o país controla a passagem pelo canal. "Atualmente, o estreito de Hormuz está sob controle total da Marinha da República Islâmica", disse na quarta.

O Qatar ainda suspendeu a produção de gás natural liquefeito, levando ao fechamento preventivo de instalações de petróleo e gás em todo o Oriente Médio. A produção do país representa cerca de 20% da oferta global.

O pregão também foi marcado por uma valorização do real ante o dólar. Segundo analistas, o comportamento acompanhou a alta da da Petrobras e do setor de energia brasileiro de maneira geral.

"O Brasil é um dos poucos exportadores relevantes de petróleo que não tem envolvimento direto na disputa. Isso pode favorecer o fluxo de divisas para o país, já que não se espera nenhuma disrupção relevante nas exportações brasileiras", diz Lucca Bezzon, analista de inteligência de mercado da StoneX.

Além disso, o diferencial de juros entre Brasil e EUA continua um fator positivo. Quanto maior o diferencial, maior tende a ser a rentabilidade potencial da estratégia conhecida como carry trade.

Nessa operação, investidores captam recursos em economias com juros mais baixos, como os Estados Unidos, e aplicam em ativos de países com taxas mais elevadas, como o Brasil, buscando ganhar com o diferencial de juros. Assim, quanto mais favorável esse diferencial, maior tende a ser o fluxo de dólares para o país, o que contribui para a valorização do real.

Na sexta-feira, a moeda norte-americana perdeu força em meio à divulgação do relatório "payroll" dos Estados Unidos. Os dados reforçaram a tese de desaceleração da economia americana e de cortes de juros do Fed (Federal Reserve), banco central dos EUA. O boletim Focus desta segunda mostrou economistas subindo a previsão da taxa de juros brasileira para 2026.

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