Dor ignorada e diagnóstico tardio: mãe enfrenta câncer avançado e perde seis órgãos

Publicado em 24/02/2026, às 14h13
Foto: Reprodução/The Sun
Foto: Reprodução/The Sun

Por Revista Crescer

Após sete anos de dores abdominais ignoradas, uma mulher de 36 anos foi diagnosticada com câncer de ovário em estágio avançado, resultando na remoção de seis órgãos e uma cirurgia que alterou sua vida permanentemente.

Os médicos inicialmente atribuíram os sintomas a condições menos graves, como síndrome dos ovários policísticos, levando ao crescimento de tumores não detectados durante a gravidez, o que agravou sua situação.

Atualmente, a paciente realiza exames regulares e toma medicamentos para tentar impedir o crescimento de novos tumores, refletindo sobre como um diagnóstico mais precoce poderia ter preservado sua fertilidade e evitado complicações severas.

Resumo gerado por IA

Uma mãe de 36 anos teve 6 órgãos removidos após passar sete anos procurando ajuda para dores abdominais intensas – e sendo ignorada – até descobrir que tinha um câncer de ovário avançado.

Quando finalmente recebeu o diagnóstico, já estava no estágio 3C e precisou passar por uma cirurgia extensa que mudou sua vida para sempre.

Em entrevista ao The Sum, Caroline Padmore, de Manchester, Inglaterra, contou que as dores eram tão fortes que, em alguns episódios, chegava a desmaiar. Ainda assim, segundo ela, os médicos atribuíam os sintomas à síndrome dos ovários policísticos (SOP), apendicite ou cólicas menstruais, uma vez que era “muito jovem” para ter câncer.

Os sintomas persistiram por anos, enquanto tumores “do tamanho de laranjas” cresciam em seu abdômen sem serem detectados, mesmo após diversas ultrassonografias realizadas durante a gravidez.

“Me senti ignorada e não ouvida”

Caroline relembra o momento do diagnóstico como devastador. “Foi como uma experiência extracorpórea. Me senti ignorada e não ouvida. Mas parte de mim simplesmente confiou no que disseram e nunca imaginei que seria algo tão terrível. Isso me fez sentir menos mulher, como se tivesse perdido todos os meus órgãos.”

Ela deu à luz seu filho Leo em outubro de 2024 e, apenas dois meses depois, as dores voltaram com intensidade ainda maior.

“Tive meu bebê em outubro de 2024 e a dor voltou em dezembro. O tempo de espera [no hospital] era muito longo e eu estava amamentando, então fui embora. Fui ao clínico geral uma semana depois, pois a dor persistia e eu estava vomitando. (…) Foi aí que descobriram as coisas ‘ruins’ por todo o meu abdômen.”

Em janeiro de 2025, Caroline passou por uma biópsia das massas abdominais e, duas semanas depois, recebeu o diagnóstico: câncer de ovário seroso de baixo grau (COSBG), um tipo raro que representa apenas 2% a 5% dos casos e costuma ser diagnosticado já espalhado. Embora o câncer de ovário seja mais comum em mulheres na faixa dos 70 anos, esse subtipo tende a surgir entre os 45 e 55 anos. Contudo, ainda assim, ele também pode atingir mulheres mais jovens.

Ela acredita que os hormônios da gravidez aceleraram a progressão da doença, tornando os sintomas mais evidentes e levando finalmente à descoberta.

Cirurgia e menopausa cirúrgica

Em fevereiro de 2025, Caroline foi submetida a uma cirurgia de grande porte que removeu ovários, útero, colo do útero, trompas de Falópio, apêndice, partes do fígado, do diafragma, do peritônio, parte do intestino, omento e múltiplos tumores. O procedimento resultou em uma ileostomia – desvio do intestino para uma bolsa externa.

Com a retirada dos ovários, ela entrou em menopausa cirúrgica, com sintomas mais abruptos e intensos do que na menopausa natural. Para Caroline, a perda da fertilidade foi a parte mais dolorosa.

“Quando ela me falou sobre a cirurgia e que envolveria a remoção de todos os meus órgãos reprodutivos (…) eu desabei. Foi isso que me fez chorar. Eu já estava planejando meu segundo bebê.”

Ela chegou a considerar congelar óvulos, mas foi alertada de que o processo poderia atrasar a cirurgia e envolver riscos devido ao estímulo hormonal. Com isso, acabou optando por seguir imediatamente com o tratamento.

Complicações e incertezas

Durante a quimioterapia, Caroline usou uma touca hipotérmica para reduzir a queda de cabelo. Ainda assim, teve afinamento dos fios e perdeu cílios e sobrancelhas. Em agosto de 2025, poucos dias após concluir a última sessão, precisou ser levada às pressas ao hospital para uma cirurgia intestinal de emergência.

“Me disseram que se eu não tivesse ido ao pronto-socorro por causa da dor e se tivesse esperado mais, eu teria morrido.”

Embora exames recentes não tenham mostrado sinais visíveis de câncer, uma biópsia realizada após a reversão da ostomia encontrou células cancerígenas microscópicas. Isso significa que a quimioterapia pode não ter eliminado completamente a doença.

Ela agora toma um medicamento que bloqueia hormônios na tentativa de impedir o crescimento de novos tumores, e realiza ultrassons e exames de sangue a cada três meses. “Estou tomando um medicamento que, com sorte, impedirá o crescimento de qualquer tumor, mas não sabemos se funcionará para mim.”

“Poderia ter sido poupada”

Caroline afirma que, se o câncer tivesse sido detectado quando apresentou os primeiros sintomas, provavelmente estaria em estágio inicial – e sua fertilidade poderia ter sido preservada.

“Eu estava no estágio 3C, muito avançado, quando fui diagnosticada. Poderia ter sido poupada, e minha fertilidade também. Acho que fui muito ignorada por causa da minha idade, mas o meu tipo específico de câncer afeta mais mulheres jovens.”

Hoje, ela afirma viver em um “estado constante” de recuperação e afirma que sua vida inteira girou em torno da doença no último ano.

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