Dormir 30 minutos a mais por dia pode prevenir diabetes em jovens, diz estudo

Publicado em 23/03/2026, às 15h42
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Por Galileu

Um estudo recente revela que adolescentes que trocam meia hora de comportamentos sedentários por atividade física moderada a vigorosa podem reduzir significativamente a resistência à insulina, um fator de risco para diabetes tipo 2.

A pesquisa analisou 802 jovens entre 12 e 17 anos, mostrando que a maioria do tempo diário é gasto em atividades sedentárias, com apenas 2% dedicado a exercícios intensos, destacando a importância de aumentar a atividade física na rotina.

Os pesquisadores sugerem que pequenas mudanças, como substituir 30 minutos de inatividade por exercícios mais intensos ou mais sono, podem ter um impacto positivo na saúde metabólica, embora a relação de causa e efeito ainda precise ser confirmada em estudos futuros.

Resumo gerado por IA

Não é novidade que a prática de atividade física é uma aliada poderosa para a saúde em qualquer idade. Mas, na adolescência, esse hábito pode ter um impacto importante em várias frentes - incluindo o risco de desenvolver diabetes tipo 2, segundo uma nova pesquisa.

De acordo com um novo estudo preliminar apresentado nas Sessões Científicas EPI | Lifestyle 2026 da Associação Americana do Coração, adolescentes que substituem apenas meia hora de comportamentos sedentários — como ficar sentado no sofá ou passar tempo no computador — por atividade física moderada a vigorosa ou até por mais sono, podem reduzir a resistência à insulina.

A resistência à insulina ocorre quando o organismo passa a responder de forma menos eficiente ao hormônio responsável por controlar os níveis de glicose no sangue. Esse é um dos principais fatores por trás do desenvolvimento da doença.

Monitoramento das atividades

Para a pesquisa, foram analisados dados de 802 adolescentes com idades entre 12 e 17 anos, durante um período de 7 a 10 dias. Os participantes, além de registrarem detalhes sobre seus hábitos de sono, utilizaram dispositivos que monitoram o movimento ao longo do dia, permitindo aos pesquisadores medir com precisão quanto tempo era gasto em atividades sedentárias, exercícios leves, atividades de maior intensidade e sono.

Os resultados coletados indicaram que a maior parte do tempo diário dos participantes foi dedicada a atividades sedentárias (48%), seguido por sono (33%), exercícios de menor intensidade (17%) e atividades mais intensas, sendo a menos realizada pelos jovens, com apenas 2% do tempo diário.

A partir dessas informações, os pesquisadores aplicaram um modelo estatístico que simula o que aconteceria se parte do tempo sedentário fosse substituída por outros tipos de atividades. Dessa forma, a equipe conseguiu estimar os impactos de trocar 30 minutos de inatividade por exercício ou descanso.

Os autores do estudo descobriram que a intensidade da atividade realizada faz diferença. Os adolescentes que fizeram substituição do tempo sedentário por exercícios moderados a vigorosos apresentaram uma redução de cerca de 15% na resistência à insulina, sendo o efeito mais expressivo observado no estudo.

Já aqueles que fizeram a troca por mais tempo de sono também apresentaram uma redução, ainda que mais modesta, de aproximadamente 5%. Entretanto, atividades físicas de baixa intensidade não demonstraram impacto significativo nesse indicador.

“Fiquei agradavelmente surpresa com a força da associação entre substituir 30 minutos de tempo sedentário por atividade física moderada a vigorosa — uma redução de 15% na resistência à insulina é uma mudança bastante significativa”, disse Soren Harnois-Leblanc, autora principal do estudo e pesquisadora do Harvard Pilgrim Health Care Institute e da Harvard Medical School, em comunicado.

De acordo com Kershaw Patel, professor de cardiologia no Instituto Cardíaco e Vascular DeBakey do Houston Methodist e voluntário da Associação Americana do Coração, os adolescentes que mostraram uma menor resistência à insulina eram aqueles que praticavam mais atividades físicas moderadas quando eram mais novos. “A principal conclusão é que ser ativo desde cedo pode realmente fazer a diferença para a saúde a longo prazo”, informou.

Os resultados chamam atenção em um contexto em que adolescentes passam grande parte do dia em comportamentos sedentários, seja em frente a telas, na escola ou em deslocamentos. Esse padrão tem sido cada vez mais associado a riscos à saúde metabólica.

Apesar dos dados coletados, com a análise não foi possível comprovar a relação de causa e efeito entre atividades diárias e resistência à insulina. Por se tratar de um estudo preliminar, os resultados ainda precisam ser confirmados por pesquisas futuras.

Ainda assim, para os autores, a análise reforça uma mensagem importante: não é necessário fazer mudanças radicais para obter benefícios. Ajustes simples na rotina, como reduzir o tempo sentado e incluir períodos curtos de atividade física mais intensa ao longo do dia, já podem trazer impactos relevantes para a saúde dos jovens.

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