Duas crianças morrem presas em grade tentando fugir de incêndio em Recife

Publicado em 19/03/2026, às 10h24
Everaldo Silva/TV Globo
Everaldo Silva/TV Globo

Por g1

Um incêndio em um apartamento no Residencial Ignêz Andreazza, em Recife, resultou na morte de duas crianças, irmãos de 9 e 11 anos, que tentaram escapar pelas janelas durante a madrugada. O incidente deixou também três adultos feridos, que foram hospitalizados com inalação de fumaça.

O incêndio, que começou por volta das 3h30, pode ter sido agravado pela grande quantidade de eletrodomésticos acumulados no apartamento, segundo o síndico e a perícia. A situação irregular do local, repleta de entulhos, levantou preocupações sobre o risco iminente de novos incêndios.

As chamas foram controladas pelo Corpo de Bombeiros, que enviou cinco equipes ao local, e a Polícia Civil iniciou uma investigação sobre as causas do incêndio. O apartamento foi interditado pela Defesa Civil devido a rachaduras e à condição precária do imóvel.

Resumo gerado por IA

Duas crianças morreram num incêndio em um apartamento no Residencial Ignêz Andreazza, no bairro de Areias, na Zona Oeste do Recife. As vítimas dormiam no mesmo quarto, no segundo andar do bloco, quando, na madrugada desta quinta-feira (19), as chamas começaram. Elas tentaram escapar pela janela, mas morreram sentadas na grade que protege o cômodo.

As vítimas eram dois irmãos de 9 e 11 anos. Além deles, moravam no apartamento três adultos. Todos ficaram feridos. Segundo relatos dos moradores, o incêndio começou entre por volta das 3h30 da madrugada.

A tragédia aconteceu no Bloco 342, que fica no Módulo 1 do residencial, próximo à Rua Tapajós. Construído em 1983, o Ignêz Andreazza é o maior conjunto residencial da América Latina.

Segundo o Corpo de Bombeiros, os feridos são dois homens de 78 e 39 anos, e uma mulher de 44 anos. Eles foram encaminhados ao Hospital da Restauração, no Derby, no Centro do Recife. Os nomes das vítimas não foram divulgados.

A unidade de saúde confirmou que os três pacientes deram entrada nas emergências e estão em atendimento. Porém, até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre o estado de saúde deles.

Entretanto, no local, bombeiros disseram que eles não tinham ferimentos visíveis, mas tinham inalado bastante fumaça.

Vídeos do momento do incêndio foram encaminhados ao Canal Globo, mas que não serão divulgados, porque as imagens são fortes. Eles mostram as crianças sentadas na grade, já mortas, após terem tentado fugir das chamas. Outras imagens também mostram os corpos pegando fogo.

Bombeiros disseram, ainda, que o incêndio aparentemente começou próximo à porta do quarto das crianças. Na manhã desta quinta-feira (19), a grade da janela em que os meninos morreram foi coberta por um pano branco. A parede externa, ao redor da abertura, apresentava manchas escuras pelo fogo.

O Corpo de Bombeiros encaminhou cinco equipes para a ocorrência. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que foi acionadao às 3h58, atendeu cinco pessoas no local do incêndio, incluindo as duas crianças mortas.

Causas do incêndio

Hélio Ribeiro, síndico do residencial, informou que o apartamento tinha muitos equipamentos eletrônicos, e que isso pode ter agravado o incêndio.

"O morador é acumulador de materiais, de objetos. Ele é técnico de eletrônica. Então, acumulava dentro do apartamento muitos eletrodomésticos antigos. Isso talvez tenha facilitada a propagação do fogo", disse.

De acordo com o perito André Amaral, a quantidade de eletrodomésticos e eletrônicos acumulados dentro do apartamento impressionou a equipe da perícia.

"O local é totalmente irregular, cheio de entulho, acumulado, e há um risco iminente de incêndio. A situação que estava, eu não sei como não aconteceu antes. Se não fosse a equipe do Corpo de Bombeiros ali, o prédio viria abaixo", afirmou o perito.

As chamas foram controladas pelos bombeiros, que confirmaram a presença de muitos entulhos dentro do apartamento.

"O pessoal conteve essa questão do incêndio que estava no local. Se ele se alastrasse para a sala, seria até pior a situação. O que foi observado pela equipe que chegou primeiro é que as crianças estavam no quarto, sem condições de sair", disse o tenente-coronel Paulo Roberto.

Equipes da Polícia Militar e do Instituto de Criminalística também foram ao local acompanhar a ocorrência. A perícia realizada no local identificou rachaduras graves no apartamento do terceiro andar, acima do que pegou fogo. Os dois imóveis foram interditados pela Defesa Civil.

Por causa da quantidade de material encontrada, a causa do incêndio ainda não foi identificada. Porém, ao que indica a perícia, o foco das chamas começou próximo à porta do quarto onde as duas crianças que morreram estavam.

Por meio de nota, a Polícia Civil informou que está investigando o caso por meio da Delegacia de Afogados.

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