Dublê de 'Harry Potter' que ficou tetraplégico quer ver bruxos em cadeiras de rodas

Publicado em 19/01/2026, às 14h09
David Holmes, ex-dublê de 'Harry Potter' que ficou tetraplégico nas gravações do penúltimo filme - Divulgação
David Holmes, ex-dublê de 'Harry Potter' que ficou tetraplégico nas gravações do penúltimo filme - Divulgação

Por Guilherme Luis / Folhapress

David Holmes, ex-dublê que ficou tetraplégico durante as filmagens de 'Harry Potter', pediu à criadora J.K. Rowling a inclusão de bruxos com deficiência na nova série da HBO, destacando que a magia poderia ser usada para ajudar a viver com a deficiência, em vez de consertá-la.

Holmes compartilha sua experiência de recuperação e os desafios de viver em uma cadeira de rodas em seu livro 'O Menino que Sobreviveu', onde detalha o acidente que resultou em sua condição e como isso afetou sua identidade e vida pessoal.

Apesar de sua situação, Holmes mantém uma relação positiva com a saga 'Harry Potter' e expressa o desejo de voltar a trabalhar na indústria, enquanto conta com o apoio de amigos como Daniel Radcliffe, que produziu um documentário sobre sua história e escreveu o prefácio de seu livro.

Resumo gerado por IA

David Holmes, o ex-dublê que ficou tetraplégico nas filmagens dos filmes de "Harry Potter", quer ver bruxos de cadeira de rodas na série de TV que a HBO está gravando. Ele pediu isso direto para J.K. Rowling, a criadora do universo, que está envolvida na nova adaptação dos livros.

"Ela disse que chegou a pensar nisso no passado, enquanto escrevia, porque alguém da sua família usa cadeira de rodas. Mas depois desistiu porque pensou que magia conserta tudo", diz Holmes, por videochamada.

"Um bruxo certamente aceitaria o fato de que tem deficiência e usaria a sua magia para se ajudar a viver, não se consertar, eu pensei. Mas Jo não respondeu nem que sim nem que não sobre levar isso à série. Resta manter a esperança."

Holmes discorre sobre a sua jornada de recuperação e sobre como é levar a vida em uma cadeira de rodas no livro "O Menino que Sobreviveu", publicado no país pela editora Rocco. O título faz referência ao apelido que o próprio Harry Potter ganha na história de Rowling após sair com vida de um atentado quase mortal.

Na obra, Holmes relembra em detalhes o acidente que ocorreu em uma cena de luta do penúltimo filme da saga, "Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1". Ele foi puxado com força excessiva por um cabo, e, quando bateu com as costas no colchão, soube imediatamente que algo havia dado muito errado.

"De primeira, quis proteger as pessoas com quem me importo. Pedi que não contassem à minha mãe, e que dissessem às pessoas ao redor que eu estava feliz só por ter sobrevivido", relembra o britânico.

Ficar tetraplégico, Holmes diz, fez a sua identidade esvair. Foi duro, nas suas palavras, constatar que o rapaz que usava o corpo para contar histórias estava, de repente, preso a uma cama. O britânico acabou recorrendo, então, às bebidas e às drogas, decisão que hoje considera um atraso.

Sua condição é degenerativa, o que tem levado ele a perder parte da habilidade neurológica e cognitiva -em algum momento, o lado direito do seu corpo vai parar de funcionar, o que impedirá Holmes de falar, comer e respirar sem aparelhos. "Isso me força a viver o momento. Estou muito sóbrio agora", afirma.

Sua relação com a saga não mudou, apesar do ocorrido. "Eu nunca quis manchar o nome de 'Harry Potter'. Nunca quis um processo judicial público, nem entrei nos detalhes dos erros que levaram ao meu acidente, principalmente para proteger o que 'Harry' significa para as pessoas."

Mas ele afirma ter tido medo, também, de tentar enfrentar na Justiça um estúdio do porte da Warner Bros. Por isso, no momento do acidente, antes de desmaiar de dor, pediu a um amigo que o acudia que guardasse a filmagem do acidente. O ex-dublê sabia que na câmera estava a sua única chance de se proteger contra possíveis contestações da empresa.

"Espero que eu tenha conseguido mostrar ao estúdio que eles devem se envergonhar do que aconteceu comigo sob a supervisão deles", diz. "E que eles saibam que eu gostaria de voltar a trabalhar nesse espaço. Não sou convidado para eventos, não me chamam para os programas de culinária, nem mesmo para dar palestras", Holmes reclama. "Mas não guardo ódio nem ressentimento."

Quem mais o apoiou nesse processo foi Daniel Radcliffe, ator que deu vida a Harry Potter e que sempre trabalhou lado a lado de Holmes. Amigos desde a infância, os dois seguiram próximos conforme envelheceram, e hoje até tiram férias juntos. Radcliffe produziu, há dois anos, um documentário que conta parte da história de Holmes, disponível na HBO Max. Ele também escreveu o prefácio do livro do colega.

"Vocês viram eles crescendo nas telas, mas eu os vi se tornando seres humanos. E sinto muito orgulho", diz Holmes, que é próximo também de Tom Felton, o Draco Malfoy, e de Emma Watson, que interpretou Hermione Granger. "Eles defendem as coisas em que acreditam, às vezes até em detrimento de seus relacionamentos."

Watson, por exemplo, se tornou desafeto da escritora J.K. Rowling, que no ano passado publicou um texto no X, o antigo Twitter, para reclamar da forma como a atriz se opôs a ela quando estourou a polêmica dos seus comentários considerados transfóbicos. Radcliffe também criticou Rowling publicamente.

O MENINO QUE SOBREVIVEU

Preço R$ 69,90 (320 págs.); R$ 34,90 (ebook)
Autoria David Holmes
Editora Rocco
Tradução Rachel Agavino

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