'É mike?': o que é jargão usado por cabo para dar bronca em tenente-coronel

Publicado em 20/03/2026, às 10h50
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Por UOL

O inquérito sobre a morte da policial militar Gisele Alves Santana revela que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto foi questionado por um cabo sobre sua conduta na cena do crime, onde ele demonstrou descontentamento com a movimentação de objetos no apartamento do casal.

Gisele foi morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, e a investigação mudou a classificação de suicídio para morte suspeita após depoimentos que indicaram um relacionamento conturbado e abusivo com Neto.

A Justiça determinou a prisão preventiva de Neto um mês após a morte, enquanto sua defesa busca um habeas corpus e critica a divulgação de informações que, segundo eles, violam a privacidade do oficial.

Resumo gerado por IA

O inquérito sobre o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, suspeito na morte da policial militar Gisele Alves Santana, destaca o uso do jargão "mike" por um cabo para questionar a atitude do oficial na cena do crime.

"Mike" é a abreviação do jargão "Papa Mike", usado para se referir a um policial militar. A expressão tem origem nas iniciais da sigla PM e integra um vocabulário que inclui "Papa Charlie" (Polícia Civil) e "Caxias" (militar exigente).

O termo foi usado por um cabo da PM para repreender o tenente-coronel na cena da morte de Gisele. Segundo o inquérito, ao entrar no apartamento para retirar pertences, Neto reclamou que os objetos do quarto tinham sido movidos.

O cabo questionou a atitude do oficial. O praça lembrou que a câmera corporal filmava a ação.

"O senhor é mike, não é? O senhor sabe que toda ocorrência é filmada. Então esse tipo de questionamento não cabe mais", disse o cabo para tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

Neto alcançou uma das patentes mais altas da PMESP (Polícia Militar do Estado de São Paulo) em 2025. Ele ocupava o cargo de major, subiu para tenente-coronel por antiguidade e passou a atuar no batalhão responsável por áreas como a avenida Paulista.

Morte de policial e investigação

Gisele morreu com um tiro na cabeça no apartamento do casal, na região central de São Paulo, em 18 de fevereiro. Ela chegou a ser levada ao Hospital das Clínicas, mas a morte foi confirmada no mesmo dia.

O tenente-coronel declarou que a esposa pegou a arma após ele pedir a separação. Ele relatou que foi tomar banho e, ao ouvir um barulho, encontrou Gisele ferida no chão. Neto afirmou que acionou o resgate e ligou para um amigo desembargador em seguida.
A Polícia Civil alterou o registro do caso de suicídio consumado para morte suspeita. A mudança ocorreu após a mãe da vítima prestar depoimento e relatar que o relacionamento era conturbado.

A mãe de Gisele acusou o oficial de ser abusivo e violento. Ela disse que ele proibia a filha de usar batom, salto alto e perfume, além de fazer cobranças rigorosas sobre as tarefas domésticas.

Prisão e resposta da defesa

A Justiça determinou a prisão preventiva do tenente-coronel na quarta-feira (18). A decisão ocorreu um mês após a morte da policial militar.

A defesa de Neto afirmou estar estarrecida com a detenção. O advogado disse que o cliente colaborou com a Justiça e informou que apresentou um pedido de habeas corpus para tentar libertá-lo.

Os advogados criticaram a divulgação de mensagens fora de contexto. Em nota, a defesa afirmou que vai agir judicialmente em casos de violação do direito à intimidade, vida privada, honra e imagem do oficial.

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