Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, foi encontrado vivo após cinco dias desaparecido no pico Paraná, na Serra do Mar paranaense, onde se perdeu durante uma trilha e percorreu mais de 20 quilômetros em meio à mata fechada antes de chegar à fazenda da CGH.
O jovem, que não tinha experiência em montanhas, se desviou do caminho correto e enfrentou dificuldades significativas, incluindo frio intenso à noite e a perda de seus óculos, resultando em hematomas e desidratação leve.
Após ser resgatado, Roberto foi levado ao Hospital Municipal Dr. Sílvio Bittencourt Linhares, onde recebeu tratamento para reidratação e avaliação médica, apresentando sinais de recuperação.
Para montanhistas experientes que acompanharam angustiados as buscar por Roberto Farias Tomaz, 19, que estava desaparecido desde o dia 1º no pico Paraná, na Serra do Mar paranaense, o que ele conseguiu, chegando sozinho à fazenda da CGH (Central Geradora Hidrelétrica) Cacatu, em Antonina, é um milagre.
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Até a publicação deste texto, Roberto ainda não tinha dado sua versão dos fatos. O que se sabe é que, ao ficar sozinho na descida da trilha, em determinado trecho ele virou à direita em vez de seguir pelo centro, que seria o caminho correto. A partir dali, tinha várias opções, uma mais complicada que a outra, para chegar até o rio Cacatu, que seguiu até a CGH.
"Na saída do acampamento A2, que é bem grande e meio inclinado, tem saídas para a esquerda, de frente para o pico Paraná, que dão nos barrancos, e ele teria caído na ribanceira", contou à Folha de S.Paulo o gerente comercial e corredor de montanha Ademir Fagundes, que já subiu nove vezes ao Pico Paraná. "Ele tinha que pegar pela via central, mas com certeza pegou para a direita, onde tem várias trilhas antigas que acabam descendo para o vale do rio Cacatu."
Fagundes explicou que trata-se de "uma região com muitas trilhas que são bem demarcadas, que são muito usadas, mas também há várias saídas de falsas trilhas, que o pessoal acaba usando como banheiro ou para ver um córrego, pela curiosidade. Então, a pessoa vê um mato amassado e entra lá, quando percebe que não dá em lugar nenhum, tem que voltar".
Para quem, como Roberto, não tem experiência em trilhas, muito menos em montanhas, Fagundes avalia que deve ter sido "bem complicadinho seguir sem guia, sem GPS, mapas, nada".
"Mesmo levando tudo isso", explica Fagundes, "na minha primeira vez acabei entrando em duas ou três situações de ter de voltar dessas falsas trilhas, algumas até antigas que vão dar nos vales, em mata bem densa e úmida".
Fagundes estima que, só por conta do desvio, embrenhado na mata fechada e nas pirambeiras até chegar ao vale, onde seguiu o rio, Roberto deve ter andado mais de 20 quilômetros, além dos normais 16 que havia percorrido inicialmente para chegar ao cume e descer até o acampamento 2, onde se separou da colega.
"À noite, lá, faz muito frio", aponta Fagundes, "então é um milagre ele ter sobrevivido só com uma roupa fininha, com tudo úmido".
ENCONTRADO APÓS CINCO DIAS
Roberto Farias Tomaz estava desaparecido desde o dia 1º no pico Paraná, na Serra do Mar paranaense, e foi encontrado vivo na manhã desta segunda-feira (5). Ele chegou sozinho na fazenda da CGH.
A informação foi divulgada pelo Corpo de Bombeiros Militar do Paraná às 10h45. O jovem foi levado para um hospital na cidade, mas aparenta estar bem.
Em um vídeo divulgado pela irmã dele, Renata Tomaz, Roberto conta que está "cheio de roxo no corpo, com várias escoriações". Também diz que está com dificuldade para enxergar, pois perdeu os óculos.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, ele deu entrada às 11h55 no Hospital Municipal Dr. Sílvio Bittencourt Linhares, em Antonina, para avaliação médica.
"O paciente está lúcido, apresenta sinais de desidratação leve, hematomas em membros inferiores e assaduras na região inguinal. Ele foi submetido à profilaxia medicamentosa e reidratação endovenosa", informa a pasta.
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