Educação financeira ganha força no Brasil e muda forma de investir

Especialista explica como organizar as finanças e evitar erros comuns ao começar a investir

Publicado em 31/03/2026, às 16h30
Com o avanço das plataformas digitais e maior acesso à informação, as pessoas passaram a observar suas finanças com mais cuidado (Imagem: Andrey_Popov | Shutterstock)
Com o avanço das plataformas digitais e maior acesso à informação, as pessoas passaram a observar suas finanças com mais cuidado (Imagem: Andrey_Popov | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

O interesse dos brasileiros por investimentos deixou de ser tendência e virou comportamento. Com mais acesso à informação e a plataformas digitais, muitas pessoas passaram a olhar para o próprio dinheiro com mais atenção — mas nem sempre com estratégia.

Segundo dados da ANBIMA em parceria com o Datafolha, o Brasil soma mais de 59 milhões de investidores, com cerca de R$ 8 trilhões em ativos. O número cresce, mas revela um ponto de atenção: muita gente começa sem orientação adequada.

Na prática, isso significa que o consumo de conteúdo financeiro aumentou, mas a tomada de decisão ainda é, muitas vezes, baseada em impulso, modismos ou promessas de retorno rápido. Para o educador financeiro Raul Sena, o primeiro erro está na pressa. “A maioria das pessoas quer investir antes de organizar a base. Só que, sem controle financeiro e clareza de objetivos, qualquer investimento vira um risco desnecessário”, afirma.

Antes de pensar em investimentos mais sofisticados, especialistas recomendam uma sequência básica que ainda é ignorada por grande parte dos iniciantes.

1. Organizar receitas e despesas

Saber exatamente quanto entra e quanto sai por mês é o primeiro passo. Sem isso, não existe planejamento estruturado nem base para decisões financeiras mais seguras.

Jovem com cabelo curto, usando óculos redondo preto com notas de dinheiro em uma mão e cofre em forma de porco rosa na outra, usando camiseta branca e camisa jeans em fundo bege
Manter uma reserva para emergências ajuda a evitar decisões financeiras impulsivas em momentos de pressão (Imagem: Max kegfire | Shutterstock)

2. Criar uma reserva de emergência

Ter um valor guardado para imprevistos evita que decisões financeiras sejam tomadas no desespero. Esse colchão financeiro reduz riscos e dá mais estabilidade ao longo do tempo.

3. Definir objetivos claros

Investir sem objetivo é um dos erros mais comuns. Curto, médio ou longo prazo mudam completamente a estratégia e influenciam diretamente os produtos escolhidos.

4. Evitar seguir “dicas prontas”

O que funciona para uma pessoa pode não funcionar para outra. Perfil de risco e momento de vida precisam ser considerados antes de qualquer decisão. “A educação financeira funciona como porta de entrada. É a partir dela que a pessoa entende o que faz sentido para o próprio cenário, e não para o que está em alta na internet”, explica Raul Sena.

O impacto das redes sociais

As redes sociais tiveram papel importante na popularização do tema. Criadores de conteúdo passaram a traduzir conceitos complexos de forma acessível, aproximando o assunto do dia a dia. Por outro lado, esse mesmo movimento trouxe um efeito colateral: a superficialidade. Com excesso de informação rápida, muitos investidores iniciantes pulam etapas importantes.

Decisões acabam sendo tomadas sem entendimento real dos riscos envolvidos, o que compromete os resultados e aumenta a exposição a erros. “Informação sem contexto pode atrapalhar mais do que ajudar. Educação financeira não é sobre decorar termos, mas sobre tomar decisões conscientes”, afirma.

Novo comportamento do investidor

Esse cenário também impulsionou o crescimento de modelos de orientação mais personalizados, especialmente consultorias independentes que atuam sem vínculo direto com produtos financeiros. Nesse formato, conhecido como fee-based, a remuneração está ligada ao serviço prestado, e não à venda de produtos. Isso tende a reduzir conflitos de interesse e tornar as recomendações mais alinhadas ao cliente.

Para o investidor, isso representa uma mudança relevante: sair da lógica de recomendação genérica para uma estratégia construída de forma individual. “O mercado está mais plural. Hoje existem mais caminhos para quem quer investir com consciência, mas a responsabilidade de entender o próprio dinheiro continua sendo da pessoa”, conclui Raul Sena.

Por Eluan Carlos H. Bürger

Gostou? Compartilhe