Uma empresária de 40 anos, Marcella Ferreira, surpreendeu-se ao pescar um pirarucu de 65 kg e 1,56 m em um passeio pela Lagoa do Aguiar, no Espírito Santo, utilizando uma vara simples, o que gerou grande repercussão local.
Embora relatos sobre a presença de pirarucus na região existam, a captura desse peixe gigante, conhecido como 'gigante da Amazônia', é considerada improvável, especialmente com equipamentos inadequados para tal tamanho.
Após a captura, o pirarucu foi dividido entre a família e transformado em moqueca, enquanto especialistas alertam que a introdução da espécie em ambientes fora do seu habitat natural pode causar problemas ecológicos no estado.
Um passeio de barco virou uma história daquelas difíceis de acreditar. Literalmente, uma história de pescadora. A empresária Marcella Ferreira, de 40 anos, pescou um pirarucu de 65 kg e 1,56 m, usando uma vara simples, durante uma volta pela Lagoa do Aguiar, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, no sábado (10).
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Nem a autora do feito acreditou no que estava acontecendo. Ao g1 a empresária contou que sempre gostou de pescar por distração, da turma do "tá nervoso, vai pescar", mas essa pescaria sem pretensão virou surpresa.
Marcella que tem 1,69 metros de altura tirou uma foto ao lado do peixe para dar uma dimensão do tamanho do bicho.
“Eu achei que minha vara tinha prendido em um toco. Quando dei umas puxadas mais fortes, a linha saiu e meu marido falou: ‘não é toco, é peixe’. Aí eu falei: se isso for peixe, é um monstro", contou Marcella, ao lembrar do momento.
A família estava reunida na lagoa apenas para um passeio. De biquíni, canga e sem qualquer equipamento profissional, a empresária decidiu colocar o molinete na água enquanto o barco seguia devagar. Ela mora em Linhares e costuma pescar na região.
“Ninguém sai para pescar um pirarucu desse tamanho assim, do nada. Eu estava com uma varinha simples, dessas que ficam no barco para uma pescadinha de fim de semana. Era totalmente despretensioso", contou Marcella.
Ela contou que já tinha ouvido relatos de que pirarucus apareciam na lagoa, mas a ideia de fisgar um parecia improvável.
“A gente já ouviu história de gente que tinha visto um peixe grande uma vez, mas pegar assim, com vara, eu nunca imaginei", contou a empresária.
Pescaria do Pirarucu
🐟 65 kg
📏 1,56 metro
🪱 isca artificial
🛶 pescadora e 4 testemunhas no barco
🎣 meia hora para retirar peixe da lagoa
🥘 virou moqueca e iscas fritas
Pesca deu um frio na barriga
Confirmado que não se tratava de um toco, o susto veio quando o peixe começou a reagir.
“Na hora deu medo, claro. Passou de tudo na cabeça: virar o barco, a linha arrebentar, ele bater com força. Quando o peixe colocou metade do corpo para fora d’água e começou a sacudir a cabeça, todo mundo começou a gritar.”
Marcella decidiu que, se não conseguisse trazer o peixe, pelo menos teria o registro.
“Eu falei: ‘filma, gente, senão ninguém vai acreditar depois. Eu sabia que seria um milagre conseguir colocar ele no barco", lembrou Marcella com bom-humor.
Ajuda do marido foi decisiva
A empresária disse que chegou a tentar entregar a vara ao marido, Ricardo Ferreira, de 45 anos, mas ele recusou.
“Ele falou: ‘o peixe é seu, você que pegou’”, lembrou. “Ele foi o maestro da ópera. Eu só segurei a vara, mas quem orientou tudo foi ele.”
Sem equipamentos adequados a bordo, a solução improvisada foi um facão, levado por precaução.
“Não dava para colocar o peixe vivo no barco. Ele é muito forte, bate a cabeça o tempo todo. Uma cabeçada dessas de um peixe de 65 quilos pode machucar muito”, explicou.
Virou moqueca
Para Marcella, a pesca foi resultado de uma combinação improvável. “Não teria como pegar esse peixe da forma que foi. Foi um milagre. Se apertasse demais, a linha rompia. Se afrouxasse, ele ia embora. Eu resolvi curtir o momento”, relatou a pescadora.
Depois da captura, o pirarucu foi dividido entre a família. E como foi pescado em águas capixabas, o destino não podia ser outro. “Já teve moqueca no mesmo dia”, contou ela, aos risos.
Gigante da Amazônia
Conhecido como o “gigante da Amazônia”, o pirarucu pode chegar a até 200 quilos e três metros de comprimento.
O biólogo e especialista em peixes João Luiz Gasparini explicou que a presença do pirarurcu no Espírito Santo não é natural. Segundo ele, o animal passou a ser criado em cativeiro e acabou sendo solto em rios e lagoas de várias regiões do país.
“O pirarucu é um peixe muito resistente, que respira fora d’água e consegue viver em ambientes com pouco oxigênio. Isso facilita a adaptação, mas do ponto de vista ecológico a introdução da espécie fora do habitat original é um problema”, alertou.
De acordo com o biólogo, o pirarucu já é comum em diversas áreas do Espírito Santo, como a Lagoa Juparanã e várias lagoas de Linhares. “Cada vez mais vamos ver esse peixe sendo pescado no estado, porque continuam soltando a espécie em diferentes ambientes”, afirmou.
Segundo o proprietário de uma loja de artigos para pesca em Vitória, Lucimar de Oliveira, a pesca desse tipo de animal exige equipamento específico. Marcella usou um molinete e vara que servem para pesca amadora e peixes menores.
"Para pescar um peixe desse tamanho, o ideal é uma vara de umas 100 libras. Até o equipamento para pesca oceânica poderia ser usado", explicou Lucimar.
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