O uso de vape entre adolescentes brasileiros atingiu 29,6% em 2024, enquanto o consumo de álcool e drogas ilícitas apresentou queda, conforme dados da PeNSE divulgados pelo IBGE. Essa tendência crescente no uso de cigarro eletrônico destaca uma mudança preocupante no comportamento dos jovens.
O percentual de adolescentes que experimentaram vape praticamente dobrou em cinco anos, com maior prevalência entre meninas e alunos da rede pública. A região Centro-Oeste registrou o maior aumento, passando de 23,7% para 42% no mesmo período.
Embora o uso de narguilé e drogas ilícitas tenha diminuído, a pesquisa indica a necessidade de políticas públicas mais eficazes para regular o uso de dispositivos eletrônicos. A Anvisa planeja abrir uma nova consulta pública sobre a proibição dos produtos até o final do ano.
Enquanto o consumo de álcool, de cigarro tradicional e de drogas ilícitas (maconha, cocaína e lança-perfume) apresenta queda entre adolescentes no Brasil, o uso de vape segue na direção oposta e alcançou 29,6% dos estudantes de 13 a 17 anos no país em 2024.
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Os dados são da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (25). A confiabilidade é de 95%.
Segundo o levantamento, o percentual de jovens que já experimentaram cigarro eletrônico praticamente dobrou em cinco anos era de 16,8% em 2019, na pesquisa anterior.
Essa uso é mais frequente entre as meninas (31,7%) o que entre os meninos (27,4%) e entre os alunos da rede pública (30,4%) do que os da rede privada (24,9%).
A região Centro-Oeste foi a com maior crescimento em pontos, indo de 23,7% para 42% nos dois anos observados. Depois, vem a Sul (21% para 38,3%), Sudeste (19,6% para 31%), Nordeste (10,8% para 22,5%) e Norte (12,3% para 21,5%).
Enquanto o uso de vape disparou em todo o país, o de narguilé, por exemplo, diminuiu. Passou de 23,8% em 2019 para 10,6% em 2024. O uso de outras substâncias também teve redução.
O número de adolescentes brasileiros que afirmam já ter experimentado drogas ilícitas, por exemplo, caiu de 12% em 2019 para 8,3% em 2024. O índice é significativamente menor entre os mais jovens e cresce conforme a idade: atinge 5,6% entre estudantes de 13 a 15 anos e chega a 13% entre os de 16 e 17 anos.
A diferença também aparece entre regiões do país. Conforme o último levantamento, o Sul registra a maior proporção de adolescentes que já experimentaram drogas ilícitas (9,8%), seguido pelo Sudeste (9,4%). Já o Nordeste apresenta os menores índices, com 6,1%. No Norte e no Centro-Oeste, os percentuais são de 7% e 8,7%, respectivamente.
A redução do uso do álcool foi ainda maior 63,3% dos adolescentes tinham afirmado já terem bebido em 2019, contra 53,6% em 2024. Já o consumo de cigarro diminuiu de 22,9% para 18,5%.
A pesquisa também revela desigualdades por rede de ensino. Estudantes de escolas públicas apresentam maior prevalência de experimentação de drogas ilícitas do que os de escolas privadas 8,7% e 5,7%.
Nas capitais, os dados mostram variações expressivas. Florianópolis lidera o ranking, com 15,6% dos adolescentes já tendo experimentado drogas ilícitas, seguida por Porto Alegre (11,6%) e Vitória (12,3%). Em São Paulo, o índice é de 10,7%, acima da média nacional.
Quando se observa o recorte por sexo, as diferenças são pequenas, mas persistentes: meninos apresentam ligeiramente maior proporção de experimentação (8,4%) do que meninos (8,1%).
Para os pesquisadores do IBGE, os resultados da PeNSE sugerem que o desafio das políticas públicas mudou de eixo. Se, por um lado, houve avanços no enfrentamento ao álcool, ao cigarro convencional e às drogas ilícitas, por outro, surge a necessidade de regulação mais efetiva e estratégias específicas para lidar com a popularização dos dispositivos eletrônicos entre adolescentes.
Segundo uma pesquisa de 2022 da Ipec (Inteligência de Pesquisa e Consultoria), o Brasil tinha dois milhões de usuários de vape em 2022, contra 500 mil em 2018.
O número de apreensões de dispositivos também está em alta, segundo a Receita Federal. Em 2021, foram apreendidas 450 mil unidades, número que subiu para 1,1 milhão no ano passado.
Como o mercado é ilegal, não há controle de quais substâncias existem dentro dos dispositivos vendidos no país. Apesar da proibição, eles podem ser encontrados em lojas, ambulantes e na internet, com preços que vão de R$ 60 a R$ 620.
Em 2022, a Anvisa optou por manter a proibição dos produtos. Procurada, a agência disse que pretende abrir uma nova consulta pública sobre o tema até o final do ano.
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