Comportamento aumenta o risco de doenças crônicas, compromete a mente e reduz a qualidade de vida
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que cerca de 47% dos adultos brasileiros são considerados sedentários, ou seja, não alcançam os níveis de atividade física recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que sugere 150 minutos de atividade moderada por semana ou o equivalente em intensidade vigorosa. Entre os jovens, o cenário é ainda mais grave: até 84% estão inativos.
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Esses números colocam o Brasil entre os países com maior prevalência de sedentarismo na América Latina e entre os principais no ranking mundial. A OMS também estima que mais de 1,8 bilhão de adultos no mundo são sedentários, representando cerca de 31% da população adulta global.
O sedentarismo vai muito além de “falta de exercício”, trata-se de um comportamento que aumenta o risco de doenças crônicas, compromete a saúde mental e reduz a qualidade de vida. “O sedentarismo é um dos principais fatores de risco para doenças metabólicas e desequilíbrios hormonais. A falta de atividade física ativa processos inflamatórios no organismo e está associada ao aumento de peso e resistência à insulina”, alerta a Dra. Alana Rocha Puppim, professora de endocrinologia da Afya Vitória.
Segundo a Dra. Alana Rocha Puppim, o corpo humano nasceu para o movimento, e as pessoas necessitam da atividade física para o funcionamento adequado de todos os órgãos e sistemas. Quando o movimento deixa de fazer parte da rotina, há repercussões negativas no metabolismo, na regulação hormonal, na capacidade cognitiva e no controle de doenças crônicas.
Do ponto de vista cardiovascular, o sedentarismo tem consequências bem estabelecidas. “A atividade física regular é um dos pilares da prevenção cardiovascular. Quando ela falta, o organismo tende a desenvolver uma série de alterações metabólicas e hemodinâmicas que aumentam o risco de doença cardíaca”, explica a Dra. Rosangeles Konrad, médica e professora da pós-graduação em cardiologia da Afya Brasília.
Para o Dr. Raul Oliveira, professor da graduação em Fisioterapia da Afya Centro Universitário de Itaperuna, o sedentarismo tem impacto direto sobre o sistema musculoesquelético e sobre a funcionalidade do corpo, comprometendo estruturas importantes responsáveis pela sustentação e mobilidade.
“Quando não nos movimentamos regularmente, há perda de força muscular, redução da flexibilidade e maior propensão ao desenvolvimento de dores crônicas, especialmente na coluna, quadris e joelhos”, explica.
Além dos efeitos físicos, o comportamento sedentário também pode impactar diretamente o bem-estar mental. Segundo o Dr. Rodrigo Schettino, professor da pós-graduação em psiquiatria da Afya Itaperuna, níveis baixos de atividade física estão associados a maiores taxas de ansiedade e depressão. “O movimento regular libera endorfinas, melhora a autoestima e contribui para a regulação emocional”, explica.
O especialista destaca ainda que a prática regular de exercícios pode ter efeitos significativos na saúde mental. “Em muitos casos, o exercício físico apresenta impacto comparável ao da psicoterapia na redução de sintomas ansiosos e depressivos leves a moderados”, afirma.
Ele ressalta, no entanto, que quadros mais graves, como depressão moderada a grave, transtorno bipolar e esquizofrenia, exigem tratamento medicamentoso prioritário. Ainda assim, a atividade física pode atuar como importante aliada no cuidado, contribuindo para a estabilização do humor e para a melhora da qualidade de vida.

Abaixo, os especialistas listam alguns motivos para colocar a prática de atividade física na rotina e evitar o sedentarismo:
De acordo com o Dr. Raul Oliveira, manter o corpo ativo é uma das estratégias mais eficazes para preservar a saúde física ao longo do tempo. O fortalecimento muscular e articular contribui para reduzir dores crônicas, melhorar a postura e manter a funcionalidade do corpo nas atividades do dia a dia, além de favorecer maior autonomia e qualidade de vida.
No entanto, a Dra. Rosangeles Konrad reforça que retomar ou iniciar exercícios deve ser feito de forma segura, principalmente após períodos prolongados de inatividade. “O exercício é um grande aliado da saúde, mas precisa ser iniciado com orientação adequada. A avaliação médica não tem apenas o objetivo de ‘liberar’ a prática, e sim identificar possíveis fatores de risco, orientar o tipo de atividade mais apropriado e ajustar a intensidade de forma individualizada”, diz.
Segundo a médica, essa avaliação é especialmente importante para pessoas com fatores de risco cardiovascular, histórico familiar de doença cardíaca ou sintomas como dor no peito, falta de ar ou palpitações durante esforços.
Por Beatriz Felicio
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