Após mais de 50 anos, a missão Artemis 2 marca o retorno das missões tripuladas à Lua, interrompidas em 1972 devido a questões financeiras e mudanças políticas que priorizaram outras frentes na exploração espacial.
O fim das missões foi impulsionado pelo alto custo do programa Apollo, que consumiu cerca de 5% do orçamento federal dos EUA, e pela evolução da robótica, que tornou a exploração lunar mais acessível e segura.
A Artemis 2, que levará quatro astronautas para orbitar a Lua, não incluirá pouso, focando em testar sistemas de segurança, enquanto a Nasa planeja um retorno ao solo lunar com a Artemis 3, dependendo de financiamento contínuo e superação de desafios técnicos.
A interrupção das missões tripuladas à Lua após 1972 foi motivada por questões financeiras e políticas, cenário que começa a mudar com a missão Artemis 2, que deverá ser lançada nesta quarta-feira (01).
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O principal motivo para o fim das missões tripuladas foi o alto custo e a mudança de prioridades políticas. Levar humanos à Lua era extremamente caro: o programa Apollo consumiu quase 5% do orçamento federal dos EUA nos anos 1960 e 1970. Após a conquista, o interesse científico e político diminuiu.
A robótica tornou a exploração mais barata e segura. "A área de naves e robótica se desenvolveu muito e é muito mais barato mandar naves robóticas do que seres humanos", explica a pesquisadora Rosaly Lopes, do JPL/Nasa.
A Guerra Fria foi o grande motor da primeira corrida espacial. "O que levou o homem para a Lua foi a Guerra Fria", avalia Renato Las Casas, da UFMG, ressaltando que o Congresso cortou verbas após os EUA vencerem a disputa com a União Soviética.
A última missão à Lua, com a Apollo 17, em 1972, foi também a mais longa. A bordo, estavam os astronautas Eugene A. Cernan, Ronald E. Evans e Harrison H. Schmitt, que também é geólogo. Eles ficaram 75 horas em solo lunar.
A Nasa priorizou outras frentes após 1972. Agências espaciais focaram em satélites, sondas planetárias e na construção da Estação Espacial Internacional, considerados mais estratégicos naquele momento.
POR QUE VOLTAR AGORA
A Lua voltou ao radar com o interesse de novas potências. Países como China, Índia, Japão e Israel investem em tecnologia espacial, o que reaqueceu a disputa por influência fora da Terra.
O objetivo atual envolve recursos naturais e viagens a Marte. A Nasa planeja instalar bases lunares para extrair água e combustível, além de testar tecnologias essenciais para futuras missões ao planeta vermelho.
Empresas como SpaceX e Blue Origin aceleram a inovação. Bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos veem o satélite como uma etapa fundamental para voos mais longos e novos negócios espaciais.
O sucesso do retorno depende de financiamento contínuo. Especialistas alertam que, apesar do otimismo, os projetos lunares seguem caros e condicionados ao apoio governamental e à superação de desafios técnicos.
ARTEMIS VAI À LUA, MAS SEM POUSO
Artemis 2 será o primeiro voo tripulado em direção à Lua desde a Apollo 17, em 1972. A missão da Nasa levará quatro astronautas para orbitar o satélite, mas não inclui pouso, pois a cápsula Orion não tem módulo lunar e o foco está em testar sistemas de sobrevivência e segurança para missões futuras.
O motivo para não pousar agora é técnico e estratégico. Segundo a Nasa, a ideia é validar a nave, treinar a equipe em espaço profundo e reduzir riscos antes de tentar um novo pouso, programado para a Artemis 3.
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