A deputada federal Erika Hilton solicitou ao Ministério Público de São Paulo a investigação do apresentador Ratinho por transfobia, após comentários desqualificadores sobre sua identidade de gênero em relação à sua eleição na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.
Ratinho afirmou que Erika 'não era mulher' e que a presidência da comissão deveria ser ocupada por uma mulher cisgênero, o que gerou críticas e a alegação de que suas falas promovem discriminação contra mulheres trans.
Hilton pede a instauração de um inquérito policial contra Ratinho por crimes de transfobia e violência de gênero, enquanto o SBT declarou que as opiniões do apresentador não refletem os valores da emissora e que o caso está sendo analisado internamente.
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) pediu nesta quinta-feira (12) para o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância do MPSP (Ministério Público de São Paulo) investigar o apresentador Carlos Roberto Massa, conhecido como Ratinho, sob a acusação de transfobia após falas do apresentador no SBT.
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A parlamentar encaminhou um ofício ao MPSP depois de Ratinho comentar a eleição de Erika para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados.
O apresentador disse que Erika "não era mulher, era trans" e que a escolha para a cadeira deveria ser de uma mulher cisgênero. Na mesma fala, Ratinho afirmou que "mulher para ser mulher tem que ter útero".
No ofício, Erika argumentou que Ratinho utilizou sua identidade de gênero como um "elemento central" para desqualificar sua atuação política.
"A narrativa construída pelo apresentador baseia-se na repetição de afirmações destinadas a negar a condição feminina da parlamentar e a sustentar que mulheres trans não poderiam ser consideradas mulheres para fins de participação em espaços institucionais voltados à defesa dos direitos das mulheres", dizia trecho da representação.
Para ela, as falas do apresentador extrapolaram os limites da liberdade de expressão e culminaram em discriminação.
Por isso, Erika Hilton pede pela instauração de inquérito policial contra Ratinho e pela autuação do apresentador pelos crimes de transfobia, violência de gênero, violência política de gênero e crime de injúria transfóbica.
Em nota, o SBT afirmou que as declarações de Ratinho não representam a opinião da emissora e que repudia qualquer tipo de discriminação e preconceito, "que são o oposto dos princípios e valores da empresa".
"As declarações do apresentador Ratinho, expressadas ao vivo ontem em seu programa, não representam a opinião da emissora e estão sendo analisadas pela direção da empresa, que tratará do tema internamente a fim de que nossos valores sejam respeitados por todos os colaboradores", finaliza o comunicado.
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