Erro de reconhecimento facial leva mulher inocente à prisão por 5 meses

Publicado em 30/03/2026, às 18h32
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

Por Correio Braziliense

Angela Lipps, de 50 anos, passou cinco meses presa injustamente nos Estados Unidos após ser identificada por um software de reconhecimento facial como suspeita em um esquema de fraude bancária ocorrido em Dakota do Norte, onde afirma nunca ter estado. A detenção ocorreu em julho de 2025, no Tennessee, onde vivia, depois que imagens de câmeras de segurança foram analisadas pelo sistema utilizado pela polícia local.

Com base no resultado da ferramenta, as autoridades emitiram um mandado de prisão. Meses depois, Angela foi transferida para a cidade de Fargo, a mais de 1.600km de casa, onde permaneceu detida enquanto o caso era investigado.

A acusação começou a se desconstruir quando a defesa apresentou provas simples, como registros bancários e informações de localização, que demonstravam que ela estava em outro estado no período em que o crime foi cometido. Segundo relatos, a inconsistência foi suficiente para que o processo fosse desmontado rapidamente em audiência.

As acusações foram oficialmente retiradas pouco antes do Natal, após um acordo entre investigadores, promotores e o Judiciário. Angela acabou libertada, mas afirma que os impactos da prisão vão muito além do tempo que passou detida.

Durante o período sob custódia, ela perdeu o imóvel onde morava e os pertences foram recolhidos após a falta de pagamento do aluguel. Além disso, relata danos emocionais profundos e prejuízos à própria reputação.

O caso também trouxe à tona o uso de tecnologias como o sistema Clearview AI, que cruza imagens de câmeras com bancos de dados de fotos disponíveis na internet. A ferramenta, embora amplamente utilizada por forças de segurança, já foi alvo de críticas por erros de identificação e pela possibilidade de atingir pessoas inocentes. Após a repercussão, o departamento de polícia responsável informou que deixará de utilizar esse tipo de recurso em investigações futuras. 

Casos semelhantes já foram registrados em outros estados norte-americanos, levantando questionamentos sobre a confiabilidade desses sistemas, especialmente quando aplicados sem verificação humana rigorosa. 

Enquanto isso, Angela tenta reconstruir a vida após o erro. Em relatos públicos, afirmou que a experiência deixou marcas difíceis de superar e que não se reconhece mais como antes. 

Gostou? Compartilhe