Este asteroide reúne 5 ingredientes ligados à ocorrência de vida, sugere estudo

Publicado em 18/03/2026, às 23h28
JAXA/Universidade de Tóquio/Universidade de Kochi/Universidade Rikkyo/Universidade de Nagoya/Instituto de Tecnologia de Chiba/Universidade Meiji/Universidade de Aizu/AIST
JAXA/Universidade de Tóquio/Universidade de Kochi/Universidade Rikkyo/Universidade de Nagoya/Instituto de Tecnologia de Chiba/Universidade Meiji/Universidade de Aizu/AIST

Por Galileu

Análises do asteroide Ryugu revelaram a presença das cinco bases moleculares que compõem o DNA e o RNA, sugerindo que os ingredientes fundamentais da vida podem ter chegado à Terra através de impactos de asteroides nos primórdios do Sistema Solar.

Estudos anteriores com o asteroide Bennu e meteoritos encontrados na Terra também mostraram a presença dessas nucleobases, indicando que os blocos essenciais da vida estão amplamente distribuídos pelo Sistema Solar.

A coleta das amostras foi realizada pela missão Hayabusa2 da JAXA, que trouxe material subterrâneo de Ryugu, e as análises em laboratório revelaram que essas moléculas podem ter se formado no espaço, sugerindo novas rotas químicas desconhecidas na origem da vida.

Resumo gerado por IA

A milhões de quilômetros da Terra, o asteroide Ryugu se destaca entre a infinidade de fragmentos rochosos vagando pelo espaço. Novas análises revelam que ele possivelmente reúne as cinco bases moleculares que compõem o DNA e o RNA – componentes fundamentais para a formação da vida. Detalhes do achado foram publicados na última segunda-feira (16) em um artigo na revista Nature Astronomy.

Para os autores do estudo, que reuniu cientistas de diferentes instituições de pesquisa do Japão, a presença dessas moléculas reforça uma hipótese antiga: a de que os ingredientes básicos da vida podem ter chegado à Terra por meio de impactos de asteroides nos primórdios do Sistema Solar. As novas evidências fortalecem a ideia de que esse “transporte cósmico” pode ter sido um processo comum e decisivo na história da vida.

Ryugu não é um caso isolado. Em 2025, análises do asteroide Bennu já haviam revelado a presença das mesmas cinco nucleobases, além de compostos relacionados à formação de proteínas. Meteoritos encontrados na Terra também contêm essas estruturas. Em conjunto, essas descobertas indicam que os blocos fundamentais da vida estão amplamente distribuídos pelo Sistema Solar.

Um arquivo do início do Sistema Solar

Asteroides como Ryugu são considerados verdadeiras cápsulas do tempo, destaca a revista Smithsonian. Eles preservam materiais praticamente inalterados desde a formação do Sistema Solar, há cerca de 4,5 bilhões de anos. Isso os torna objetos valiosos para investigar processos químicos que antecederam o surgimento da vida na Terra.

Neste caso mais recente, a coleta das amostras foi feita pela missão Hayabusa2, da JAXA. Lançada em 2014, a sonda chegou a Ryugu em 2018, onde criou uma cratera artificial na superfície e recolheu material subterrâneo (menos exposto a contaminações externas). Em 2020, uma cápsula retornou à Terra trazendo cerca de 5,4 gramas de detritos.

Em laboratório, os pesquisadores analisaram essas amostras em condições extremamente controladas para evitar contaminação terrestre. Utilizando água e ácido clorídrico, eles extraíram e purificaram moléculas orgânicas ricas em carbono, revelando a presença das nucleobases, ou blocos de formação da vida.

Os cientistas notaram, assim, que essas moléculas eram capazes de formar DNA e RNA quando combinadas com açúcares e fosfatos. Esses resultados sugerem que componentes-chave do material genético podem ter se formado no espaço e sido posteriormente entregues à Terra primitiva.

Pistas químicas ainda desconhecidas

O estudo também revelou nuances importantes na composição química de Ryugu. As nucleobases se dividem em duas categorias principais: purinas e pirimidinas. Ao contrário do que foi observado em Bennu e em meteoritos terrestres, Ryugu apresenta proporções semelhantes entre esses dois grupos.

Essa diferença pode estar relacionada à presença de amônia nas rochas espaciais. Os pesquisadores identificaram uma correlação entre a quantidade desse composto e a distribuição das nucleobases, um indício de que a amônia pode ter desempenhado papel relevante na formação dessas moléculas.

Toshiki Koga, coautor do estudo, explicou em entrevista ao site Gizmodo que essa relação aponta para processos ainda não totalmente compreendidos. Como nenhum modelo químico atual prevê esse tipo de correlação, os dados sugerem que podem ter existido rotas químicas desconhecidas no início do Sistema Solar.

As descobertas reforçam um cenário em que os ingredientes da vida não são exclusivos da Terra, mas sim parte de um repertório químico disseminado pelo espaço. Nesse contexto, asteroides como Ryugu podem ter atuado nesse transporte de recursos, entregando moléculas essenciais à vida a planetas jovens (como já foi o caso da Terra).

Gostou? Compartilhe