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“Eu tô armado”, disse chacareiro antes de atirar em Hipster da Federal

Metrópoles | 03/03/22 - 15h35
Foto: Reprodução

Antes de tentar invadir a casa de uma propriedade rural de Buritinópolis, no nordeste de Goiás, o agente da Polícia Federal (PF) Lucas Soares Valença, de 36 anos, o Hipster da Federal, teria ouvido um aviso de que o dono do local estava armado.

“Moço, eu tô armado, não entra não!”, teria dito o chacareiro Marcony Pereira dos Anjos, de 29 anos. As informações constam no depoimento dele. No entanto, Lucas teria arrombado a porta da casa e o dono da chácara atirou. O policial foi atingido na altura do peito e morreu no local na noite da quarta-feira (2/3). A informação sobre a morte foi revelada pela coluna de Guilherme Amado no Metrópoles.

Ameaças - Segundo consta nos depoimentos das testemunhas, no caso o próprio chacareiro e a esposa dele, o policial teria ameaçado matar a família na chácara, no povoado de Santa Rita. “Se ninguém vai abrir a porta para mim eu vou arrebentar a porta e vou matar vocês tudo que tá ai dentro”, disse o policial federal, segundo depoimento de Marcony. O homem estava dentro da residência com a esposa, de 20 anos, e o bebê do casal, de três anos. Ele disse que atirou em direção de Lucas Soares em legítima defesa, depois do policial desligar o padrão de energia e arrombar a porta da casa.

Medo - Antes de atirar, Marcony teria implorado para que o policial deixasse a casa. Naquele momento, ele não sabia que Lucas era o “Hipster da Federal”. O agente da PF estava tendo um surto psicótico, segundo familiares e amigos relataram à polícia e que está registrado no boletim de ocorrência. Como o policial não se conteve, o chacareiro atirou. A bala acertou abaixo do peito do policial, que saiu para fora de casa e avisou: “Me ajuda, eu sou policial”. Em seguida, ele caiu na porta da residência, respirando ofegante.

Cruz e capeta - O “Hipster da Federal” teria aparecido na chácara em dois momentos da noite de terça-feira, antes de tentar invadir a casa e ser morto. Segundo Marcony, na primeira aparição, a família estava deitada em uma cama, quando ouviu a cachorra de estimação latir e gritos de um homem. “Aparece aqui, eu sei que tem gente aí dentro, se não eu vou fazer uma cruz e quem tá aí dentro tá no quadrado do capeta e eu vou cuspir aqui na área”, teria gritado a voz masculino, que mais tarde se revelaria o policial federal. Lucas ainda teria sentado em uma cadeira na área e pedido desculpas por cuspir. Depois, teria saído correndo e assobiando, atrás de um carro com escapamento furado que passou pela rua.

Arma modificada - O dono da chácara alega que em um primeiro momento decidiu ficar calado dentro de casa com a família, pois achou que aquilo era alguma briga de rua. Já a segunda aparição do policial federal, foi quando ele tentou invadir a casa, arrombando a porta e foi baleado. Marcony relatou para a polícia que estava dormindo e foi acordado pela esposa assustada com os barulhos de alguém andando do lado de fora. Ele então pegou uma arma de pressão modificada calibre .22 e a deixou municiada. A arma foi adquirida há quatro anos em Formoso, Minas Gerais, trocada por um som de carro.

Tiro no escuro - No momento do disparo estava bastante escuro, já que o padrão de energia tinha sido desligado. A casa estava sendo iluminada apenas por um poste de energia da rua. Depois de balear Lucas, Marcony ligou para a Polícia Militar e pediu uma ambulância. A viatura e o socorro chegaram cerca de 35 minutos depois, segundo depoimento. O óbito do policial foi constatado e parentes dele chegaram algum tempo depois, relatando o surto psicótico para os militares. Os familiares da vítima ainda serão ouvidos na delegacia. O local foi isolado e passou por perícia. Marcony vai responder por posse ilegal de arma de fogo. Ele chegou a ser preso em flagrante, mas foi solto depois de pagar fiança de R$ 2 mil. A Polícia Civil investiga o caso como legítima defesa.