Nordeste

Ex-deputado é preso pela PF; contratos ocorrem nos últimos 20 anos da Prefeitura de Fortaleza

Diário do Nordeste | 19/11/20 - 14h54
O ex-político foi preso na posse de R$ 2 milhões em espécie, na sede de uma das empresas de locação de veículos | Polícia Federal

Um ex-deputado federal e estadual pelo Ceará foi preso em flagrante pela Polícia Federal (PF), no âmbito da segunda fase da Operação Km Livre, nesta quinta-feira (19). Ele é acusado de liderar um esquema fraudulento que movimentou cerca de R$ 600 milhões nos últimos 20 anos nas gestões da Prefeitura Municipal de Fortaleza, segundo a Polícia Federal (PF). As informações são do Diário do Nordeste. 

O ex-político foi preso na posse de R$ 2 milhões em espécie, na sede de uma das empresas de locação de veículos, no Bairro de Fátima, em Fortaleza, onde foi cumprido um mandado de busca e apreensão, conforme divulgado pela PF.

Apesar de não divulgar a identificação do suspeito, a PF confirmou que a apreensão se deu no mesmo endereço alvo de buscas na primeira fase da Operação, que tinha o ex-deputado Adail Carneiro como proprietário. A reportagem ligou para o político, mas as ligações não foram atendidas.

A Prefeitura de Fortaleza posionou-se por meio de nota: "A Prefeitura de Fortaleza considerou não saber do que trata a operação, visto referir-se apenas de uma investigação em torno de uma empresa privada, sem que nenhum servidor público municipal ou órgão da administração do Município tenha sido alvo da operação. Como sempre, a gestão posiciona-se em apoio a toda e qualquer operação séria e isenta que investigue o uso de recursos públicos".

Fraudes em licitações

De acordo com a PF, as fraudes nas licitações públicas para locação de veículos perpassaram as diferentes gestões da Prefeitura nos últimos 20 anos. A organização criminosa criava empresas fantasmas, no nome de 'laranjas', para eliminar a concorrência e vencer o certame.

O político preso é dono de cerca de 10 empresas, sendo três no ramo de locação de veículos.

Há fortes evidências, segundo a Polícia Federal, de lavagem de dinheiro ilícito por meio da aquisição clandestina de corretoras de valores e de sociedades em conta de participação do ramo de energia eólica, com a ajuda estratégica de operadores do mercado financeiro. Os investigadores afirmaram ainda que existem indícios da participação de agentes públicos nos crimes investigados.

Operações em outros estados

Ao todo, a Polícia Federal cumpre 27 mandados de busca e apreensão, nos municípios de Fortaleza, Caucaia, Russas, Mossoró (Rio Grande do Norte) e no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (19).

As suspeitas são de desvio de recursos públicos, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.