Ex é condenado por matar professora com coxinhas envenenadas no interior de Alagoas

Publicado em 12/03/2026, às 07h15
Joice dos Santos Silva Cirino - Arquivo Pessoal
Joice dos Santos Silva Cirino - Arquivo Pessoal

Por TNH1 com Ascom MPAL

Felippe Silva Cirino foi condenado a 33 anos e 2 meses de prisão pelo feminicídio da ex-mulher, Joice dos Santos Silva Cirino, e pela tentativa de homicídio contra o filho, após envenená-los com coxinhas. O julgamento ocorreu em São Brás, Alagoas, dois anos após o crime, e atraiu a atenção da comunidade local.

O Ministério Público do Estado de Alagoas sustentou a acusação com base em qualificadoras como motivo fútil e meio cruel, destacando a frieza do réu ao modificar a cena do crime e a tentativa anterior de envenenamento. Joice e seu filho ingeriram as coxinhas, resultando na morte da professora e na internação do filho devido a vestígios de envenenamento.

A condenação foi vista como um passo importante na luta contra a violência de gênero, com o promotor enfatizando a necessidade de combater a cultura de posse e vingança em relacionamentos. A pena foi imposta em regime fechado, e a família da vítima expressou alívio com a decisão judicial.

Resumo gerado por IA

Felippe Silva Cirino, acusado de matar a ex-mulher com coxinhas envenenadas, no município de São Brás, no interior de Alagoas, foi condenado pelo feminicídio e pela tentativa de homicídio contra o próprio filho. A pena de 33 anos, 2 meses e 19 dias foi divulgada ao final do júri com duração de mais de 13 horas. O julgamento foi realizado nessa quarta-feira (11), dois anos depois do crime contra a professora Joice dos Santos Silva Cirino, de 36 anos.

A acusação do Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) havia sustentado a denúncia com as qualificadoras de motivo fútil, meio cruel e feminicídio. O resultado do julgamento foi esperado por dezenas e pessoas que se aglomeraram do lado de fora do Fórum, já que o acompanhamento foi restrito. A reclusão de Felippe é com regime inicialmente fechado. 

Pela morte da professora, o homem foi condenado a 27 anos de prisão, e pela tentativa de homicídio do filho, à época om 15 anos, a pena contabilizada foi de seis anos, dois meses e 19 dias de reclusão.

"Vale lembrar que o réu, usando do mesmo artifício, já havia tentado envenenar Joice com açaí envenenado., não logrando êxito persistiu até atingir o seu objetivo", destacou o MPAL.

Para o promotor Alex Almeida, o resultado do júri significa que a dor dos seus parentes foi amenizada e que a sociedade promoveu justiça por meio do conselho de sentença.

“A professora Joice, infelizmente, foi mais uma vítima na contabilização da violência e do feminicídio pelo Brasil. Constatamos essa cultura de posse, a não aceitação do fim de um relacionamento transformado em vingança, e isso não pode continuar. O Ministério Público pontuou a perversidade planejada, o uso do meio cruel, pois o réu fez a vítima acreditar num gesto de delicadeza inexistente ao aceitar e comer a coxinha culminando na tragédia. A sentença foi dada, ela não volta, mas a família sai do salão do juri um pouco aliviada e ele pagará, conforme a lei, pelo crime cometido”, destacou.

Ainda de acordo com o MPAL, a frieza no cometimento do crime foi reforçada quando constatado que Felippe havia modificado a cena do crime apagando vestígios que pudessem colocá-lo sob suspeita. O filho de Joice também comeu das coxinhas e precisou de internação por haver vestígios de envenenamento em sua corrente sanguínea.

O caso

No dia 8 de outubro de 2024, por volta das 20h, Felippe se dirigiu à casa onde residia com Joice e o filho menor portando um pacote com 20 coxinhas, as quais foram oferecidas a ambos. Inocentemente, mãe e filho comeram as coxinhas tendo Joice passado mal logo em seguida e sendo encontrada caída pelo filho e o denunciado, e com a boca espumando.

Felippe levou Joice para a UPA da cidade de Porto Real do Colégio, mas a mesma não resistiu à intoxicação e morreu cinco horas após. Dez dias após a morte da professora, dia 18 de outubro, a Polícia Científica divulgou o resultado do exame de toxicologia realizado no Laboratório Forense do Instituto de Criminalística. O laudo pericial apontou a presença das substâncias tóxicas sulfotep e terbufós na amostra biológica analisada.

Na época, o chefe do Laboratório Forense, Thalmanny Goulart, responsável pelo exame, explicou que o sulfotep é um fosfato orgânico altamente tóxico por todas as vias de exposição. Já o terbufós é uma enzima que desempenha uma função crítica na transmissão dos impulsos das fibras nervosas.

Gostou? Compartilhe