Brasil

Ex-sem-teto espancado por personal cobrou R$ 500 para participar de sequestro

Metrópoles | 25/05/22 - 08h26

Givaldo Alves, o sem-teto que ficou famoso após ser espancado por personal trainer no Distrito Federal, participou do sequestro de uma mulher de 33 anos em 2004, na zona leste de São Paulo.

Ele foi preso em flagrante por volta das 18h30 de 1°/7/2004 ao pegar o resgate de R$ 3 mil em uma lixeira na Praça do Forró, em São Miguel Paulista.

Horas depois, o ex-morador de rua confessou o crime e levou os policias até o cativeiro em Itaquaquecetuba. A vítima já havia sido liberada. Alves disse que já tinha ido ao local uma vez, no entanto não viu a mulher.

Em depoimento, Givaldo respondeu aos policiais que estava sem dinheiro e foi convidado por dois homens que não conhecia para “pegar o dinheiro de um sequestro”. Ele receberia R$ 500 como pagamento por participar do crime.

Ao longo do processo, a defesa chegou a alegar que o ex-sem-teto apenas estava no local errado na hora errada.

Condenação

A tese foi refutada pelo juiz Edison Aparecido Brandão, ao condenar, em 5/10/2004, o homem a 15 anos de reclusão em regime fechado, mais dois anos por maus antecedentes e reincidência.

“A versão que deu é infantil, sendo absurdo confundir-se alguém jogando um papel no lixo com alguém que fica andando em volta do local, recolhe dinheiro dali e tenta se evadir. Óbvio que o réu tinha por função o recolhimento do resgate, um gravíssimo crime, por óbvio”, disse o magistrado.

Apesar da condenação de 17 anos, Alves recebeu o alvará de soltura em 18/4/2013, para deixar a Penitenciária Compacta de Flórida Paulista, no interior de São Paulo. Uma revisão criminal da pena permitiu que ele cumprisse oito anos de prisão.

Bebê amordaçado

A vítima de 33 anos, o marido de 34 anos e uma criança estavam saindo de casa para ir ao supermercado por volta das 19h40 de 29/6/2004, quando foram abordados por três homens armados.

Os criminosos – não se sabe se Givaldo era um deles – obrigaram a família a entrar na residência localizada na Vila Progresso, levaram a mulher para um quarto e pegaram quatro celulares, um relógio, 400 dólares, R$ 150 e bijuterias.

Após se apossarem dos objetos, os homens amarraram o pai e o bebê e saíram com a mãe no carro da família, do modelo Xsara Picasso, em direção ao cativeiro.

“Mediante emprego de violência consistente em amordaçar Luciano e seu filho de 1 ano e 8 meses de idade e empregando armas de fogo”, disse o promotor José Carlos Guillem Blat, sobre a ação da quadrilha.

Resgate

Um dos assaltantes seguiu com a gerente para o cativeiro, onde havia outros homens encapuzados. No dia seguinte, os sequestradores ligaram para o marido da vítima e pediram R$ 300 mil.

No entanto, o valor do resgate foi reduzido para R$ 3 mil ao longo das negociações. A mulher acabou liberada pelo criminosos em 1/7/2004 – 48 horas depois de ter sido sequestrada.

A reportagem do Metrópoles questionou Givaldo sobre sua participação no sequestro, mas não obteve retorno até o momento.