por Pedro Acioli*
Publicado em 13/03/2026, às 07h44
O CRB venceu o Sousa por 2 a 0 na Copa do Brasil, mas o pós-jogo foi marcado por uma acusação de injúria racial contra o técnico Eduardo Barroca, que negou as alegações e anunciou que tomará medidas legais contra o presidente do Sousa.
O presidente do Sousa, Aldeone Abrantes, afirmou que a reação do atacante Veraldo, que foi expulso após um gesto obsceno, foi provocada por uma suposta fala racista de Barroca, o que gerou uma confusão durante a partida.
Ambos os clubes se manifestaram oficialmente, com o Sousa repudiando o comportamento de Barroca, enquanto o CRB defendeu seu treinador e criticou as acusações sem provas, reafirmando seu compromisso contra qualquer forma de discriminação.
O CRB venceu o Sousa-PB por 2 a 0 na noite dessa quinta-feira (12), no Estádio Marizão, e avançou para a quarta fase da Copa do Brasil. Apesar da festa pela classificação, o jogo ficou marcado por uma acusação de injúria racial envolvendo o técnico Eduardo Barroca.
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O presidente do clube paraibano, Aldeone Abrantes, afirmou que o treinador do Galo praticou injúria racial contra o jogador Veraldo, atacante do Sousa, durante a partida. Barroca negou as acusações do dirigente e declarou que ele deverá responder judicialmente por ter feito, segundo ele, uma denúncia falsa.
Aos 14 minutos do segundo tempo, Veraldo tocou nas partes íntimas e apontou na direção da área técnica do Regatas. O quarto árbitro viu e o jogador foi expulso pelo gesto obsceno.
Após o cartão vermelho, o atacante do Dinossauro se revoltou, partiu para cima de Barroca e o jogo ficou parado em uma confusão que durou mais de 10 minutos. Na súmula, o juiz detalhou a situação:
Após ser expulso, o atleta correu por três vezes em direção ao treinador da equipe adversária, precisando ser contido por seus companheiros de equipe.
Depois da eliminação, o presidente Aldeone Abrantes concedeu entrevista a veículos de imprensa e alegou que a reação do atacante foi motivada por uma fala de Barroca.
O menino não quer segurar, mas o treinador do CRB falou uma palavra racista com ele. Eu não vou falar [a palavra]. A gente ia dar parte para ele sair preso daqui, só que o menino não quer segurar, ele é humilde, mas você viu a revolta dele, partindo para cima? Parecia até o caso de Vini Júnior. Tu acha que aquela revolta de Veraldo foi normal?
Eduardo Barroca iniciou a entrevista coletiva de uma maneira diferente, sem comentar o resultado positivo da partida. Ele se defendeu da acusação e deu a sua versão dos fatos.
Eu tomei ciência agora sobre uma entrevista que o presidente do Sousa deu me acusando de injúria racial de forma mentirosa. Ao longo da minha trajetória, eu jamais procedi dessa forma e nunca irei proceder dessa forma. Eu tenho respeito pelo jogador do Sousa que foi expulso.
“O que aconteceu, de forma bem clara e objetiva, é que era um lateral nosso e ele jogou a bola para longe. Quando eu pedi para que ele não fizesse mais aquilo, ele falou comigo, eu falei com ele, nada mais do que isso. Ele fez um gesto, e o quarto árbitro, que estava a dois metros de mim, chamou o árbitro, comunicou, e ele foi expulso”, detalhou.
Ainda durante a entrevista, o técnico do CRB afirmou que acionou os advogados e irá representar judicialmente contra o dirigente do Sousa.
Então, pode ter certeza o presidente do Sousa que o os meus advogados já estão no processo, já estão cientes, já me mandaram a imagem e ele vai responder. Isso que ele fez é crime, acusar uma pessoa de um crime é crime e pode ter certeza que ele vai responder por isso, pela irresponsabilidade dele de ter falado isso publicamente.
Os dois clubes divulgaram notas oficiais sobre o episódio. O Sousa afirmou repudiar o comportamento de Eduardo Barroca, mas não citou qualquer questão racial por parte do treinador.
O Sousa repudia o comportamento do treinador do CRB, Eduardo Barroca, durante a partida no Estádio Marizão.
O futebol exige competitividade, mas acima de tudo respeito. Atitudes incompatíveis com o espírito esportivo não condizem com o que se espera de um profissional.
Já o CRB manifestou apoio ao funcionário do clube e repudiou as declarações do presidente do time paraibano, pois envolvem denúncias graves e sem apresentação de provas.
O CRB manifesta total solidariedade ao técnico Eduardo Barroca e reforça sua posição de tolerância zero contra qualquer forma de racismo. O Galo de Campina também repudia veementemente as declarações do presidente do Sousa Esporte Clube, que fez acusações graves sem apresentar qualquer prova, contra as testemunhas que estavam no local. As declarações tentam atingir não apenas a conduta profissional do treinador regatiano, mas também sua honra pessoal. O CRB reafirma sua confiança no trabalho e na postura de Eduardo Barroca e informa que dará todo o suporte necessário ao treinador. O Clube seguirá firme no combate a qualquer forma de discriminação no esporte e na sociedade.
*Estagiário sob supervisão
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