Família de gestante denuncia suspeita de negligência na morte de bebê em Maceió

Publicado em 31/03/2026, às 14h39
Família de gestante denuncia suspeita de negligência na morte de bebê em Maceió - Reprodução / TV Pajuçara
Família de gestante denuncia suspeita de negligência na morte de bebê em Maceió - Reprodução / TV Pajuçara

Por TNH1 com TV Pajuçara

Uma gestante em Maceió registrou um boletim de ocorrência após a morte de sua filha durante o parto, levantando suspeitas de negligência médica. A mãe, Mércia Cristina, relatou que chegou ao hospital com sinais de trabalho de parto, mas foi transferida e enfrentou atrasos que resultaram na morte da bebê.

Mércia foi inicialmente atendida no Hospital da Cidade, onde foi informada sobre a necessidade de transferência para o Hospital Santo Antônio, que era o hospital de referência. Ao chegar, a gestante encontrou o local aparentemente deserto e enfrentou atrasos no atendimento, mesmo com sinais de complicações.

A família denunciou o caso à Polícia Civil, que irá investigar a possível negligência médica. O Hospital Santo Antônio se manifestou, afirmando que a paciente recebeu atendimento adequado, mas reconheceu que a situação clínica pode ter mudado rapidamente durante o trabalho de parto.

Resumo gerado por IA

Um boletim de ocorrência foi registrado após a família de uma gestante denunciar suposto caso de negligência médica durante o trabalho de parto em Maceió. Mércia Cristina, mãe da bebê Maria Ayla, se emocionou em entrevista à TV Pajuçara, exibida nesta terça-feira, 31, ao contar que deu entrada no hospital com a filha na barriga e saiu de lá com ela sem vida.

"Estava tudo arrumadinho já. Era 'simplezinho', mas tudo bonitinho, do jeitinho que era pra ser... Mas... Ela foi comigo na barriga e eu voltei sem ela", desabou a mãe em lágrimas.

Mércia contou que chegou ao Hospital da Cidade, no bairro Gruta de Lourdes, ainda no sábado, 28, mas foi transferida para o Hospital Santo Antônio no começo da madrugada do domingo, 29.

"Comecei o trabalho de parto no sábado, a minha bolsa estourou. Ficou descendo líquido, esperei as contrações virem para ir à maternidade. Meu esposo chegou, nós fomos ao Hospital da Cidade, porque foi o que o médico me indicou desde o começo, caso acontecesse alguma coisa antes dos nove meses, era para ir lá. Em nenhum momento ele tinha falado Hospital Santo Antônio, sempre foi Hospital da Cidade".

"Chegando lá, fui atendida, até aí o atendimento foi bom. Entrei para a triagem, fiz o toque e me disseram que eu estava com 4cm de dilatação. Aguardei na recepção de 00h até 01h50. Vieram com a papelada e disseram que lá não era o meu hospital referência. Que eu sou do Tabuleiro e o meu hospital referência era o Santo Antônio".

"Ela disse que eu estava com 4cm de dilatação, já perdendo líquido e está sangrando. Mas que dava tempo de chegar no Santo Antônio. Eu perguntei: 'Não tem como eu ficar aqui?'. Ela disse: 'Não, dá tempo de você chegar lá'", complementou.

Em nota, o Maceió Saúde, responsável pela gestão do Hospital da Cidade, informou que a paciente foi avaliada pela equipe médica e, constatadas as condições clínicas para a transferência, foi encaminhada para a Maternidade Santo Antônio, conforme determina o Mapa de Veiculação de Gestantes.

"A solicitação de transferência ocorreu às 1h17 do último domingo (29). A gestante em questão é residente do Tabuleiro do Martins, cuja vinculação de baixo risco é com a Maternidade Santo Antônio e, caso se tratasse de um caso de alto risco, a paciente seria vinculada ao Hospital Universitário (HU)", disse o Maceió Saúde.

Veja a reportagem do Fique Alerta na íntegra:

A mãe disse que, ao chegar no Santo Antônio, o local parecia estar fechado.

"Parecia até um hospital deserto, porque não tinha atendente, não tinha enfermeiro, não tinha nada. Apareceu o segurança e perguntamos se estava funcionando, ele respondeu que sim e nós entramos. Nisso, quem fez a minha papelada foi o próprio segurança, não foi a recepcionista, e botou lá pra dentro. O segurança mandou eu sentar lá e foi procurar alguém, porque não tinha ninguém dentro do hospital. Depois de muito tempo, ele disse que a moça estava vindo me atender. Ela fez o toque, disse que eu ainda estava com 4cm. E nisso tudo eu perdendo líquido".

"Fiquei aguardando para ser internada e nada dela (bebê mexer). Eu: 'Doutora, ela não está mexendo'. Ela: 'É por conta das contrações, é normal, a bebê está se preparando para o parto'. Eu disse que estava certo. Botava o coração dela, eu escutava e me acalmava. Ainda fiz umas perguntas a ela antes dela sair. Perguntei se eu poderia fazer uma cesariana, porque não queria mais induzir o parto. Ela disse: 'Você tem o seu direito de parar a indução, não tomar o outro comprimido, e pedir uma cesariana, mas aí vai ter que esperar o próximo plantão'. Só que se ela sabia que eu tinha esse direito e não estava evoluindo, por que não me disse isso antes? Não teve uma comunicação dela".

Mércia, que deu entrada no primeiro hospital ainda no sábado, só foi ter o parto realizado 48h depois. A neném não resistiu ao parto e nasceu sem vida.

"Eu fico sem entender. Cheguei lá com tudo certinho. Era só fazer a cesariana e resolvia o problema. Por mais que fosse prematura, ela poderia ficar internada e lutando pela vida. Mas não. Ficaram esperando, esperando o parto normal. Esperou tanto que custou a vida da minha filha", afirmou às lágrimas.

Maycon Ferreira da Silva, pai da menina Maria Ayla, também chorou muito ao falar sobre a perda da filha recém nascida.

"Toda vez que olho para minhas mãos, vejo minha filha morta, poxa. Isso é revoltante demais. Ainda mais jogaram minha filha de qualquer jeito no IML. Isso não tem explicação".

A família sepultou o corpinho da bebê e procurou a Polícia Civil de Alagoas para denunciar o caso. A corporação vai investigar se houve negligência médica.

Veja na íntegra a nota do Hospital Geral Santo Antônio:

"O Hospital Geral Santo Antonio vem a público prestar esclarecimentos sobre o atendimento prestado à paciente M.S.S., nos dias 29 e 30 de março de 2026.

Desde sua admissão, a paciente foi acolhida e acompanhada pela equipe de saúde, com avaliação clínica, monitoramento materno-fetal e assistência compatível com a evolução do trabalho de parto. Conforme registrado em prontuário, a paciente deu entrada em trabalho de parto, com bebê vivo, sinais de vitalidade preservados e bolsa íntegra naquele momento. Os registros indicam, ainda, que a rotura das membranas ocorreu no ambiente hospitalar, com líquido de aspecto claro, sem indicação clínica, até então, de infecção intrauterina ou sofrimento fetal prévio.

Durante a evolução do quadro, houve uma intercorrência aguda no trabalho de parto, situação que pode ocorrer de forma repentina, inclusive em contextos de acompanhamento regular e assistência adequada. O hospital esclarece que a equipe atuou prontamente diante da intercorrência, adotando as medidas cabíveis conforme a situação clínica observada.

A adequada compreensão do caso exige apuração técnica completa, com base no prontuário e na sequência dos fatos. Por essa razão, é importante que o caso seja analisado com cautela e com base em todos os elementos técnicos envolvidos. A instituição reafirma seu compromisso com a ética, a transparência e a qualidade da assistência prestada, permanecendo à disposição das autoridades competentes para os esclarecimentos necessários.

O Hospital Geral Santo Antonio manifesta sua solidariedade à família neste momento de dor.

Maceió/AL, 31 de março de 2026
Diretoria do Hospital Geral Santo Antonio".

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