Família de morto por técnicos de enfermagem não suspeitava de crime em hospital

Publicado em 20/01/2026, às 17h31
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, uma das vítimas de técnicos de enfermagem no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF) - Arquivo pessoal
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, uma das vítimas de técnicos de enfermagem no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF) - Arquivo pessoal

Por Raquel Lopes / Folhapress

Três técnicos de enfermagem foram presos no Distrito Federal, suspeitos de assassinatos no Hospital Anchieta, incluindo a morte do servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, que inicialmente foi diagnosticado com pancreatite aguda.

As investigações revelaram que os suspeitos administraram medicamentos em altas dosagens, levando a paradas cardíacas em pelo menos três vítimas, enquanto o principal suspeito confessou o crime após ser confrontado com evidências.

A Polícia Civil continua a investigar possíveis outros casos e a atuação dos suspeitos em outras instituições, enquanto sindicatos de trabalhadores expressaram indignação e pedem justiça para as vítimas e suas famílias.

Resumo gerado por IA

O servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33, foi uma das vítimas dos três técnicos de enfermagem presos pela Polícia Civil do Distrito Federal sob suspeita de envolvimento em três homicídios no Hospital Anchieta, instituição particular em Taguatinga.

Segundo o advogado Vagner de Paula, a família está desolada com o ocorrido e até na última semana não suspeitava que Moreira poderia ter sido vítima de assassinato.

"A família enterrou achando que era pancreatite aguda, depois soubemos que ele foi assassinado, era uma morte possivelmente inevitável", disse. Marcos morreu no dia 1º de dezembro de 2025.

A motivação dos crimes ainda é investigada. A políciA polícia também apura as mortes da professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75, e do servidor público João Clemente Pereira, 63, como vítimas do grupo.

A polícia verifica se há outros casos no próprio hospital e também em instituições nas quais os suspeitos atuaram, tanto na rede pública quanto privada. Duas prisões ocorreram em 12 de janeiro, e a terceira foi efetuada no dia 15 do mesmo mês.

Segundo o delegado Wisllei Salomão, da Coordenação de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa (CHPP), o principal suspeito, de 24 anos, inicialmente negou envolvimento nas mortes, mas acabou confessando o crime após ser confrontado com as imagens.

O advogado da família do servidor Marcos conta que ele chegou ao Hospital Anchieta com suspeita de pancreatite. No local, sofreu duas paradas cardíacas sem ter qualquer histórico de problema cardíaco.

Ainda segundo o advogado, os técnicos teriam aplicado medicamento em alta dosagem, de acordo com o que o delegado relatou à família. Um dos técnicos teria dito, inclusive, que fez aquilo para "aliviar o sofrimento das vítimas".

Marcos trabalhava nos Correios. O Sintect-DF (Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno) emitiu uma nota e condenou o ato criminoso do técnico de enfermagem responsável, pedindo justiça para a família e amigos da vítima.

"As investigações da Polícia Civil apontam que o técnico acessou o sistema médico para prescrever de forma irregular Cloreto de Potássio, preparou a medicação e a administrou no leito de Marcos. Imediatamente após a aplicação, o carteiro teve uma parada cardiorrespiratória e faleceu", disse em nota.

Com relação à professora Miranilde Pereira da Silva, o Sinpro (Sindicato dos Professores no Distrito Federal) manifestou pesar pelo falecimento da professora. Ela morreu em 17 de novembro de 2025.

"Professora comprometida com a educação pública do Distrito Federal, Miranilde atuou na Regional de Ensino de Ceilândia, lecionando a disciplina de atividades, na Escola Classe 03. Sua dedicação, sensibilidade e cuidado marcaram a trajetória de inúmeras crianças e fortaleceram a escola pública como um espaço de afeto, aprendizagem e cidadania", disse o sindicato, em nota.

De acordo com o delegado Wisllei Salomão, o medicamento usado, quando administrado fora dos protocolos médicos, pode causar parada cardíaca em poucos minutos. O medicamento teria sido usado em ao menos três vítimas: duas no dia 17 de novembro e uma no dia 1º de dezembro.

Segundo Salomão, o técnico acessou o sistema hospitalar deixado aberto, se passando por médico para prescrever o medicamento. Ele foi à farmácia buscá-lo, preparou a dose, a escondeu no jaleco e injetou diretamente na veia dos pacientes.

O técnico de enfermagem esperava a reação fatal e, para disfarçar, realizava massagem cardíaca, simulando uma tentativa de reanimação na presença da equipe, acrescentou Salomão.

Em um dos casos, sem medicamento disponível em estoque, o técnico injetou desifentante na veia da vítima mais de dez vezes, garantindo a morte, e repetiu o fingimento de socorro.

"Por mais de dez vezes ele colocou desinfetante na veia do paciente", disse o delegado.

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