Recentes redemoinhos de poeira em Alagoas, incluindo um durante um evento de motocross em Dois Riachos, alarmaram moradores, mas especialistas afirmam que são fenômenos atmosféricos comuns no calor e seca da estação.
Esses redemoinhos se formam em condições de alta temperatura e baixa umidade, sendo mais frequentes em áreas abertas e com solo exposto, e diferem de tornados por sua curta duração e menor intensidade.
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas destaca que esses fenômenos são naturais e recomendam evitar a aproximação, embora não representem riscos significativos à população.
Registros de redemoinhos de poeira em diferentes regiões de Alagoas assustaram moradores e chamaram atenção nos últimos dias. De acordo com a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos de Alagoas (Semarh), um dos casos ocorreu durante um evento de motocross no município de Dois Riachos, no Sertão do estado, e outro foi flagrado por moradores na região da Cidade Universitária, em Maceió.
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Apesar do susto, especialistas explicam que o fenômeno é atmosférico, de baixa intensidade, e típico do período mais quente e seco do ano.
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Conhecido popularmente como redemoinho de poeira, o fenômeno se forma em condições específicas de calor intenso e baixa umidade relativa do ar. Durante dias muito quentes, o solo aquecido faz com que o ar quente próximo à superfície suba rapidamente. Esse movimento ascendente pode começar a girar ao encontrar diferenças de pressão ou obstáculos no terreno, formando colunas de vento que levantam poeira, areia e pequenos detritos.
Essas ocorrências são mais comuns em áreas abertas, com solo exposto e vegetação escassa, como pistas de terra, campos e regiões do interior, e diferem significativamente dos tornados. Enquanto tornados estão associados a nuvens de tempestade e sistemas meteorológicos severos, os redemoinhos se formam em céu aberto, geralmente sem nuvens, têm curta duração e menor intensidade, dissipando-se em poucos minutos.
De acordo com a gerente de Hidrometeorologia da Semarh, Fernanda Liz, as ocorrências estão dentro do comportamento climático esperado para a estação.
“Esse tipo de redemoinho é um fenômeno atmosférico natural, comum em dias quentes e secos, quando o solo está muito aquecido e a umidade do ar está baixa. O ar quente sobe e começa a girar, formando essas colunas de poeira. Apesar de chamar atenção, geralmente é rápido, de baixa intensidade e diferente de um tornado”, afirmou.
A especialista destaca que o período de estiagem no interior do estado favorece esse tipo de formação, sobretudo em áreas com pouca cobertura vegetal. Embora possam causar susto momentâneo, especialmente em eventos ao ar livre, os redemoinhos de poeira não representam, em geral, risco significativo à população, sendo recomendável apenas evitar aproximação direta devido à projeção de partículas e pequenos objetos.
Fenômenos como esses reforçam a influência direta das condições climáticas do semiárido alagoano sobre as paisagens, atividades humanas e dinâmicas ambientais do estado. Durante os meses mais quentes e secos do ano, ocorrências atmosféricas dessa natureza tornam-se mais frequentes, evidenciando a importância do monitoramento hidrometeorológico e da compreensão dos padrões sazonais que caracterizam o clima da região.
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