A chegada das férias escolares transforma significativamente os hábitos familiares, incluindo as escolhas à mesa. Sem a estrutura rígida do calendário escolar, famílias tendem a relaxar também nas refeições, permitindo maior consumo de itens que normalmente seriam evitados. Essa mudança, embora compreensível, merece atenção especial quando se trata da ingestão de açúcar.
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Afinal, estudos associam a ingestão elevada da substância ao aumento do risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares, inflamações crônicas, cáries e até distúrbios de humor e de energia. No caso das crianças, os impactos são ainda mais acentuados, afetando o comportamento, a qualidade do sono e o apetite.
“As férias tradicionalmente trazem uma quebra na rotina alimentar. Com mais tempo livre e menos regras, é comum que o consumo de alimentos ultraprocessados e ricos em açúcar aumente. O problema é que isso pode condicionar o paladar, principalmente das crianças, e dificultar a volta aos hábitos saudáveis depois”, explica o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, Fellow da Obesity Society (FTOS-USA) e presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).
Nem sempre o açúcar aparece de forma evidente. Muitos alimentos industrializados, como iogurtes, molhos prontos, cereais matinais e sucos de caixinha, contêm grandes quantidades de açúcar, mesmo sem sabor doce acentuado.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que os açúcares livres representem, no máximo, 10% do total de calorias diárias, sendo o ideal menos de 5%. Para uma criança de 7 anos, isso equivale a cerca de 3 a 4 colheres de chá por dia. “O açúcar interfere na liberação de dopamina, substância ligada à sensação de prazer. Ele age como uma droga no cérebro. Por isso, é comum sentir vontade de repetir e exagerar. Esse ciclo pode gerar compulsão, irritabilidade e dificuldade de concentração”, alerta o nutrólogo.

Abaixo, o Prof. Dr. Durval Ribas Filho, nutrólogo, apresenta dicas para reduzir o consumo de açúcar durante as férias:
Por Andréa Simões
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