Condição é caracterizada por dor musculoesquelética generalizada, fadiga e sono não reparador
A fibromialgia tem ganhado cada vez mais visibilidade no debate público e na área da saúde, principalmente pelos impactos que provoca na qualidade de vida de quem convive com a condição. A síndrome, marcada por dores crônicas e sintomas persistentes, pode comprometer o desempenho no trabalho, a vida social e o bem-estar emocional, além de dificultar a realização de atividades cotidianas.
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Em janeiro, entrou em vigor a Lei nº 14.705, que abre a possibilidade de reconhecimento de pessoas com fibromialgia e outras doenças semelhantes como indivíduos com deficiência. O enquadramento, no entanto, depende de uma avaliação biopsicossocial multiprofissional e interdisciplinar, que considera impedimentos nas funções e estruturas do corpo, bem como limitações no desempenho de atividades e na participação social.
Conforme a Sociedade Brasileira de Reumatologia, cerca de 3% da população brasileira convive com a fibromialgia. A condição é mais frequente em mulheres — de cada dez pacientes diagnosticados, sete a nove são do sexo feminino —, mas também pode afetar homens, idosos, adolescentes e até crianças.
Segundo Karina Paez, profissional da área de clínica médica do AmorSaúde, rede de clínicas parceiras do Cartão de TODOS, a fibromialgia não se manifesta apenas por meio da dor. “A doença vem acompanhada de outros sintomas que vão muito além do físico, como alterações no sono, no humor e na disposição, queixas frequentes que acabam impactando diretamente a rotina dos pacientes”, afirma.
Ela explica que esses sintomas costumam estar “relacionados à forma como o sistema nervoso processa a dor, fazendo com que estímulos comuns sejam percebidos de maneira mais intensa”. Com o tempo, esse quadro pode tornar tarefas simples mais cansativas e prejudicar o equilíbrio emocional, como é o caso do sono. Isso porque a dificuldade para dormir bem é uma das queixas mais comuns entre pessoas com fibromialgia e um fator que contribui para o aumento da dor. “Quem convive com a síndrome costuma ter um sono leve e fragmentado, mesmo quando dorme por várias horas”, destaca Karina Paez.
Segundo a médica, a dificuldade em atingir fases profundas do sono compromete a recuperação do corpo. “Quando o descanso não é adequado, o organismo se torna mais sensível à dor, o cansaço aumenta e o cérebro passa a amplificar os estímulos dolorosos”, alerta. Esse cenário cria um ciclo difícil de romper, em que a dor prejudica o sono e o sono ruim intensifica a dor.
Apesar de não ter cura, a fibromialgia pode ser amenizada com mudanças simples no dia a dia. Entre os principais hábitos recomendados estão:
Exercícios como caminhada, alongamento, pilates e hidroginástica ajudam a reduzir a dor, melhorar a mobilidade e aumentar a disposição física, desde que respeitando os limites do corpo.
Criar uma rotina de sono, com horários consistentes para deitar e acordar, contribui para um descanso mais reparador e pode reduzir a sensibilidade à dor.

Estratégias para lidar com o estresse, como momentos de lazer, técnicas de relaxamento ou acompanhamento terapêutico, auxiliam no equilíbrio emocional e no controle dos sintomas.
Reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, açúcar e gorduras pode ajudar no controle da inflamação e favorecer a melhora do bem-estar geral.
O seguimento contínuo com profissionais de saúde permite ajustes no tratamento e orientações individualizadas, fundamentais para garantir mais qualidade de vida ao paciente.
Ainda cercada de desinformação, a fibromialgia gera muitas dúvidas. Confira alguns mitos e verdades sobre a síndrome:
Mito. Embora possa surgir após eventos traumáticos, físicos ou emocionais, a fibromialgia não é considerada uma doença exclusivamente psicológica. A origem da síndrome ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que envolva fatores genéticos, neurológicos, psicológicos e imunológicos.
Mito. O diagnóstico é clínico, baseado na conversa entre médico e paciente e na exclusão de outras doenças. Não há exames laboratoriais ou de imagem que confirmem ou descartem a fibromialgia.
Verdade. A síndrome ainda não tem cura, mas é possível agir para amenizar os sintomas. Sem tratamento adequado, pode levar à limitação funcional e queda significativa na qualidade de vida, o que reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.
Verdade. Apesar de não existir uma dieta específica para a fibromialgia, mudanças alimentares podem auxiliar no controle dos sintomas. Dietas que reduzem alimentos inflamatórios e ultraprocessados costumam trazer benefícios relatados por pacientes.
Mito. Diferentemente das artrites, a fibromialgia não provoca inflamação nem causa danos às articulações, músculos ou tecidos. No entanto, pode coexistir com outras doenças reumáticas.
A avaliação médica é indicada sempre que a dor passa a interferir na rotina ou quando surgem sintomas como cansaço excessivo, alterações importantes do sono ou do humor. Além disso, sinais diferentes do padrão habitual, febre ou perda de peso involuntária devem ser investigados. O acompanhamento regular permite ajustar o tratamento e oferecer mais qualidade de vida a quem convive com a fibromialgia.
Por Nayara Campos
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