Filha do cantor Bruno Mafra diz ter sofrido ameaça de morte pela condenação do pai

Publicado em 30/03/2026, às 09h38
Imagem Filha do cantor Bruno Mafra diz ter sofrido ameaça de morte pela condenação do pai

Por TNH1 com UOL

Melissa Apriggio, filha de Bruno Mafra, denunciou estar recebendo ameaças de morte após a confirmação da condenação do pai por estupro de vulnerável, resultando em uma pena de mais de 30 anos de prisão. As intimidações começaram após a decisão da Justiça do Pará, que foi mantida na última quinta-feira.

As denúncias contra Bruno Mafra surgiram em 2019, com relatos de abusos ocorridos entre 2007 e 2011, quando as vítimas eram menores de idade. A desembargadora responsável pelo caso destacou a consistência das provas e a manipulação psicológica utilizada pelo cantor.

Melissa já registrou um boletim de ocorrência sobre as ameaças e todas as medidas legais estão sendo tomadas. A defesa de Bruno Mafra anunciou que irá recorrer da decisão, alegando violações ao devido processo legal e criticando o vazamento de informações do caso.

Resumo gerado por IA

Melissa Apriggio, filha e uma das vítimas do cantor Bruno Mafra, relatou, na noite desse domingo (29), estar sofrendo ameaças de morte após a Justiça do Pará manter a condenação do pai por estupro de vulnerável.

A jovem expôs a denúncia nas redes sociais com imagens das mensagens de ódio. Ela afirmou que as intimidações começaram após a condenação do cantor a mais de 30 anos de prisão.

Melissa lamentou a tentativa de invalidação do que ela e a irmã sofreram na relação com o pai e reforçou a decisão da Justiça. "Torno público que venho sendo alvo de ameaças de morte, situação que configura conduta criminosa de extrema gravidade. Esclareço que relatei minha história, a qual foi devidamente apurada pelo Poder Judiciário, resultando em condenação."

A vítima disse que já comunicou as ameaças às autoridades e abriu um boletim de ocorrência. Segundo ela, todas as medidas legais cabíveis já estão em andamento.

A condenação

O Tribunal de Justiça do Pará manteve a pena de 30 anos, quatro meses e 24 dias de prisão em regime fechado. A condenação, que havia sido proferida em 2024, foi confirmada na última quinta-feira (26), quando os desembargadores rejeitaram os recursos da defesa — ainda cabe apelação.

A desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias afirmou que as provas são contundentes. Ela relatou que o artista usou a relação de confiança e a figura paterna para cometer abusos em casa e no carro.

"As vítimas relataram de forma independente e consistente episódios decorridos em ambientes controlados pelo réu, com modus operandi semelhante, caracterizado por isolamento, pedidos de segredo, manipulação psicológica, exibição de material pornográfico, toques íntimos e atos libidinosos, inclusive sexo oral".

As denúncias surgiram em 2019, quando as vítimas relataram abusos sofridos na infância. Os crimes aconteceram entre 2007 e 2011, em Belém, quando as filhas do cantor tinham menos de 14 anos.

Bruno Mafra usou as redes sociais para negar as acusações. O cantor, que está em liberdade, publicou um texto no Instagram afirmando que confia na Justiça e no direito de responder em liberdade.

"Tenho a tranquilidade de quem sabe da própria conduta. O tempo e a Justiça se encarregarão de restabelecer a verdade. Sigo firme, com dignidade, respeito e fé. Seguirei colaborando integralmente para o completo esclarecimento dos fatos".

O escritório Filipe Silveira, que representa o cantor, informou que vai recorrer da decisão. Em nota, os advogados afirmaram que o processo não tem decisão definitiva e apontaram violações legais.

A defesa questiona a validade dos atos do processo. "A defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica da própria decisão", declarou a equipe.

Os advogados criticaram o vazamento de informações de um caso sob sigilo. A nota pede respeito às restrições legais para proteger as partes e preservar a regularidade do processo judicial.

"Enterrei meu genitor"

Na última sexta-feira (27), Melissa publicou um vídeo nas redes sociais para desabafar sobre o impacto dos abusos após a notícia da condenação mantida pelo TJPA. "Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai."

Ela destacou que foram sete anos de batalha na Justiça até a condenação do artista. "Eu sempre digo que, apesar de eu ter sido vítima, eu sou combativa. Eu lutei. E foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta."

"Para mim e para a minha irmã, é o começo de uma história que a gente quer encerrar. É o luto de enterrar um genitor em vida".

Segundo Melissa, as desembargadoras analisaram o processo e não encontraram falhas processuais nem irregularidades nas acusações feitas por ela e pela irmã. "Eu gostaria de deixar claro que não é uma denúncia, não é uma suspeita, é uma condenação em segundo grau. Uma decisão unânime, pelo entendimento das desembargadoras."

A filha do cantor também declarou que Bruno Mafra sempre foi um pai ausente. Ela rebateu críticas sobre supostos interesses financeiros e afirmou que o artista não pagava corretamente a pensão alimentícia durante sua juventude.

"Nunca ele pagou direito a minha pensão. É muito absurdo ver comentários que ainda questionam, mas eu já esperava que isso fosse acontecer, porque a gente vê isso todos os dias. A mulher tem vídeo gravado, sendo espancada, e ainda assim as pessoas perguntam: 'Ah, mas por quê? O que ela fez?'. As pessoas vão sempre questionar a palavra da mulher, e eu não me importo com isso".

A jovem também usou o pronunciamento para encorajar outras vítimas de abuso infantil. "Eu estudei, trabalhei, tenho hoje a minha empresa, estou conquistando muitas coisas e ele não me paralisou. Esse é um recado para toda vítima: não deixem que isso paralise vocês. Você não é o abuso que sofreu, nem a humilhação que viveu. Você é muito mais do que isso e existe esperança."

Por fim, Melissa agradeceu o apoio recebido de familiares e amigos durante o processo. Ela citou a família da irmã, os parentes do noivo e, especialmente, a mãe. "Ela é o motivo de eu ter continuado e lutado até aqui."

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