Melissa Apriggio, filha de Bruno Mafra, denunciou estar recebendo ameaças de morte após a confirmação da condenação do pai por estupro de vulnerável, resultando em uma pena de mais de 30 anos de prisão. As intimidações começaram após a decisão da Justiça do Pará, que foi mantida na última quinta-feira.
As denúncias contra Bruno Mafra surgiram em 2019, com relatos de abusos ocorridos entre 2007 e 2011, quando as vítimas eram menores de idade. A desembargadora responsável pelo caso destacou a consistência das provas e a manipulação psicológica utilizada pelo cantor.
Melissa já registrou um boletim de ocorrência sobre as ameaças e todas as medidas legais estão sendo tomadas. A defesa de Bruno Mafra anunciou que irá recorrer da decisão, alegando violações ao devido processo legal e criticando o vazamento de informações do caso.
Melissa Apriggio, filha e uma das vítimas do cantor Bruno Mafra, relatou, na noite desse domingo (29), estar sofrendo ameaças de morte após a Justiça do Pará manter a condenação do pai por estupro de vulnerável.
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A jovem expôs a denúncia nas redes sociais com imagens das mensagens de ódio. Ela afirmou que as intimidações começaram após a condenação do cantor a mais de 30 anos de prisão.
Melissa lamentou a tentativa de invalidação do que ela e a irmã sofreram na relação com o pai e reforçou a decisão da Justiça. "Torno público que venho sendo alvo de ameaças de morte, situação que configura conduta criminosa de extrema gravidade. Esclareço que relatei minha história, a qual foi devidamente apurada pelo Poder Judiciário, resultando em condenação."
A vítima disse que já comunicou as ameaças às autoridades e abriu um boletim de ocorrência. Segundo ela, todas as medidas legais cabíveis já estão em andamento.

A condenação
O Tribunal de Justiça do Pará manteve a pena de 30 anos, quatro meses e 24 dias de prisão em regime fechado. A condenação, que havia sido proferida em 2024, foi confirmada na última quinta-feira (26), quando os desembargadores rejeitaram os recursos da defesa — ainda cabe apelação.
A desembargadora Rosi Maria Gomes de Farias afirmou que as provas são contundentes. Ela relatou que o artista usou a relação de confiança e a figura paterna para cometer abusos em casa e no carro.
"As vítimas relataram de forma independente e consistente episódios decorridos em ambientes controlados pelo réu, com modus operandi semelhante, caracterizado por isolamento, pedidos de segredo, manipulação psicológica, exibição de material pornográfico, toques íntimos e atos libidinosos, inclusive sexo oral".
As denúncias surgiram em 2019, quando as vítimas relataram abusos sofridos na infância. Os crimes aconteceram entre 2007 e 2011, em Belém, quando as filhas do cantor tinham menos de 14 anos.
Bruno Mafra usou as redes sociais para negar as acusações. O cantor, que está em liberdade, publicou um texto no Instagram afirmando que confia na Justiça e no direito de responder em liberdade.
"Tenho a tranquilidade de quem sabe da própria conduta. O tempo e a Justiça se encarregarão de restabelecer a verdade. Sigo firme, com dignidade, respeito e fé. Seguirei colaborando integralmente para o completo esclarecimento dos fatos".
O escritório Filipe Silveira, que representa o cantor, informou que vai recorrer da decisão. Em nota, os advogados afirmaram que o processo não tem decisão definitiva e apontaram violações legais.
A defesa questiona a validade dos atos do processo. "A defesa sustenta a existência de relevantes violações ao devido processo legal, com potencial comprometimento da validade jurídica da própria decisão", declarou a equipe.
Os advogados criticaram o vazamento de informações de um caso sob sigilo. A nota pede respeito às restrições legais para proteger as partes e preservar a regularidade do processo judicial.
"Enterrei meu genitor"
Na última sexta-feira (27), Melissa publicou um vídeo nas redes sociais para desabafar sobre o impacto dos abusos após a notícia da condenação mantida pelo TJPA. "Foram anos de luta e hoje eu vivo um luto, porque enterrei o meu genitor, que por muitos anos eu quis que fosse meu pai."
Ela destacou que foram sete anos de batalha na Justiça até a condenação do artista. "Eu sempre digo que, apesar de eu ter sido vítima, eu sou combativa. Eu lutei. E foram sete anos de luta para que a gente tivesse uma resposta."
"Para mim e para a minha irmã, é o começo de uma história que a gente quer encerrar. É o luto de enterrar um genitor em vida".
Segundo Melissa, as desembargadoras analisaram o processo e não encontraram falhas processuais nem irregularidades nas acusações feitas por ela e pela irmã. "Eu gostaria de deixar claro que não é uma denúncia, não é uma suspeita, é uma condenação em segundo grau. Uma decisão unânime, pelo entendimento das desembargadoras."
A filha do cantor também declarou que Bruno Mafra sempre foi um pai ausente. Ela rebateu críticas sobre supostos interesses financeiros e afirmou que o artista não pagava corretamente a pensão alimentícia durante sua juventude.
"Nunca ele pagou direito a minha pensão. É muito absurdo ver comentários que ainda questionam, mas eu já esperava que isso fosse acontecer, porque a gente vê isso todos os dias. A mulher tem vídeo gravado, sendo espancada, e ainda assim as pessoas perguntam: 'Ah, mas por quê? O que ela fez?'. As pessoas vão sempre questionar a palavra da mulher, e eu não me importo com isso".
A jovem também usou o pronunciamento para encorajar outras vítimas de abuso infantil. "Eu estudei, trabalhei, tenho hoje a minha empresa, estou conquistando muitas coisas e ele não me paralisou. Esse é um recado para toda vítima: não deixem que isso paralise vocês. Você não é o abuso que sofreu, nem a humilhação que viveu. Você é muito mais do que isso e existe esperança."
Por fim, Melissa agradeceu o apoio recebido de familiares e amigos durante o processo. Ela citou a família da irmã, os parentes do noivo e, especialmente, a mãe. "Ela é o motivo de eu ter continuado e lutado até aqui."
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