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Fim do recesso: hora de colocar o estudo para concursos de 2019 em dia

Metrópoles | 11/01/19 - 16h28

Passada a temporada de festas e confraternizações, é chegada a hora de retomar a rotina de preparação para os concursos. É um momento delicado e de muita autocobrança. Alguns concurseiros até abandonam os estudos por considerar que, se não conseguem ter o mesmo desempenho de antes, há algo errado. Pode respirar aliviado, não há nada fora do esperado.

O cérebro perdeu parte do condicionamento que tinha, e o trabalho agora é restabelecer as atividades para ser produtivo e eficiente. Consistência é a palavra-chave para voltar à boa forma. Também se torna oportuno revisar em que aspectos a dedicação pode ser melhorada, aproveitando a quebra de padrão nas atividades.
Com uma boa organização e um bom planejamento, ou seja, com a direção devidamente alinhada, aumentar o ritmo com o passar das semanas se torna mais simples. Isso significa que a definição do ritual de estudo é mais importante do que o tempo destinado a executá-lo. Portanto, comece mais devagar e vá aumentando o tempo.

Revisão da estratégia

Todas as vezes em que há uma paralisação ou redução do jeito costumeiro de agir, o cérebro se adapta e, por isso, precisa de uma nova “programação” para voltar ao estado desejado de foco, concentração e memorização. Isso, naturalmente, demanda uma maior quantidade de energia para tomada de decisões.

Ao entender esse processo, fica mais fácil compreender a importância de reservar um tempo inicial para o planejamento e para organização tanto do ambiente de estudo e dos materiais que serão usados quanto da grade horária. Por consequência, decidir sobre o que será estudado e como será estudado.

Devem ser considerados alguns pontos, como importância da disciplina diante das demais, volume de conteúdo já visto do edital (já lançado ou o anterior, que funciona como referência), as técnicas de aprendizagem – que podem ser diferentes, a depender de cada matéria.

Feito isso, torna-se possível determinar o passo seguinte: a reserva de tempo para a preparação durante esse período de readaptação. A quantidade ideal de horas varia individualmente, entretanto recomenda-se o mínimo de duas horas para cada momento de estudo, seguidas de intervalo de, pelo menos, 15 minutos, caso seja possível se dedicar por um período mais longo.

O objetivo de planejar antes de colocar em prática é tomar o máximo de decisões com antecedência para deixar a mente livre para aprender, sempre lembrando que todas as novas definições precisam ser registradas por escrito para consulta quando for necessário.

Como funciona o hábito

Um bom hábito de estudo permite que exista consistência no cumprimento do plano de ação, fator determinante para o desempenho e também para sensação de segurança necessária ao combate da ansiedade típica dos concurseiros.

Para que a proposta funcione é necessário seguir três passos: criar uma deixa ou gatilho, ter uma rotina e estabelecer uma recompensa. A sequência foi comprovada cientificamente e divulgada em alguns livros, como O Poder do Hábito, de Charles Duhigg.

O primeiro estágio, da deixa ou gatilho, diz respeito a o que ajuda o cérebro a entender que é hora de estudar. Para algumas pessoas, tomar um banho ou começar logo após alguma das refeições do dia funcionam bem. Outra opção é a organização do local de estudo, com a separação do que será usado.

A rotina exige um cuidado a mais: estudar sempre no mesmo horário e pela mesma quantidade de tempo por pelo menos 21 dias, conforme Charles Duhigg. Estudos mais recentes consideram que o cérebro precisa de mais tempo para estabelecer o hábito: para alguns cientistas, 30 dias; para outros, 66. A repetição constante e padronizada é responsável pelo condicionamento, aspecto mais importante para a rotina se tornar automatizada.

Por último, o estágio bastante esquecido pelos concurseiros: a recompensa. Todo esforço, por menor e mais simples que seja, merece uma retribuição. O mesmo ocorre quando as metas de estudo são traçadas. Seja uma guloseima ou um show, a gratificação premia o esforço e alimenta o entusiasmo, tão necessário para manter a dedicação até a prova"
Conteúdos revisados
A retomada não se limita à rotina, mas também aos conteúdos. A impressão de que muitas informações foram perdidas leva os concurseiros a querer voltar ao início das matérias ou simplesmente ignorar o que já foi visto e seguir adiante, abordagem que pode ser fatal no momento das avaliações.

A opção mais adequada é montar um simulado com todo o conteúdo estudado até a paralisação ou redução do ritmo e filtrar o que precisa ser revisado. Feito isso, além de praticar o que foi aprendido, será possível avaliar o que ficou retido na memória antes de continuar. Esse formato de resgate é propício para momentos mais curtos de dedicação, portanto ideal para o período de readaptação.