FOMO: conheça as causas e os sintomas da síndrome relacionada ao medo de perder algo

Esse estado emocional pode gerar uma sensação contínua de inadequação ou de que a própria vida é menos interessante

Publicado em 05/03/2026, às 15h45
A síndrome FOMO provoca a preocupação constante de que outras pessoas estejam vivendo experiências importantes das quais o indivíduo está ausente ou excluído (Imagem: Josie Elias | Shutterstock)
A síndrome FOMO provoca a preocupação constante de que outras pessoas estejam vivendo experiências importantes das quais o indivíduo está ausente ou excluído (Imagem: Josie Elias | Shutterstock)

Por Agnes Faria

A sigla FOMO vem da expressão em inglês “fear of missing out”, que traduzida para o português significa “medo de estar perdendo algo”. Embora não seja classificada como uma doença mental pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais), ela é frequentemente tratada na psicologia e na psiquiatria como uma síndrome.  

Definida como um estado psicológico de ansiedade social, a principal característica da FOMO é a preocupação contínua do indivíduo de que os outros estejam vivendo experiências importantes das quais ele está ausente ou excluído. “Em termos simples: é o medo de que a sua vida seja ‘menos interessante’ do que a dos outros e de que você perca oportunidades valiosas ou experiências sociais”, explica a Dra. Giovanna Andrade, psiquiatra da Clínica Revitalis. 

Sintomas da FOMO

Apesar de a FOMO se manifestar de formas diferentes em cada indivíduo, os sintomas mais comuns envolvem:  

  • Preocupação intensa com o que os outros estão fazendo; 
  • Checagem frequente das redes sociais; 
  • Dificuldade de viver o presente; 
  • Alterações no humor; 
  • Comparação social excessiva; 
  • Medo de recusar convites e propostas. 

Causas da FOMO

A FOMO é considerada por especialistas uma condição multifatorial, isto é, pode apresentar diferentes causas, que, inclusive, podem se intercalar. Segundo Cristiane Pertusi, psicóloga e presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (ABRATEF), a síndrome pode ser desencadeada por questões sociais/psicológicas até neurológicas.  

As causas sociais/psicológicas incluem a baixa autoestima e a necessidade de validação externa. “[Isso] tem muito a ver com a cultura social, com a cultura de performance e com o excesso de conectividade que temos hoje”, explica. As questões neurológicas, por outro lado, dizem respeito ao aumento da amígdala cerebral, que está associada a maior reatividade emocional e ansiedade crônica.  

Pessoa, em frente a um fundo branco, segurando uma placa vermelha triste e outra verde feliz em frente ao rosto
A FOMO pode estar relacionada a distúrbios como depressão, ansiedade crônica e transtorno de personalidade dependente (Imagem: SewCreamStudio | Shutterstock)

Relação entre FOMO e outras condições mentais

A FOMO pode estar relacionada a outros distúrbios mentais, como depressão, ansiedade crônica, transtorno de personalidade dependente, nomofobia (medo excessivo de ficar sem o celular) e burnout. Isso porque a síndrome envolve sentimentos constantes de comparação, insegurança e necessidade de estar sempre conectado ao que os outros estão fazendo. Esse estado emocional pode gerar uma sensação contínua de inadequação ou de que a própria vida é menos interessante, o que favorece o surgimento ou agravamento de problemas psicológicos.

No estudo “Effect of fear of missing out on learning burnout in medical students: a moderated mediation”, publicado no Frontiers in Psychiatry, os pesquisadores identificaram que a FOMO estava positivamente correlacionada com a síndrome de burnout. Além disso, a pesquisa mostra que a síndrome pode aumentar o vício em smartphones, o que, por sua vez, afeta a qualidade do sono e, finalmente, leva à síndrome de burnout.

Impactos da FOMO na vida dos indivíduos

Além das consequências ocasionadas pelos sintomas da FOMO, a síndrome também pode impactar a vida dos indivíduos de outras maneiras. Conforme a Dra. Giovanna Andrade, uma das principais implicações está relacionada à diminuição da produtividade profissional e do desempenho acadêmico.  

Ademais, a condição pode afetar os relacionamentos, causando insatisfação e sensação de vazio. Segundo a psicóloga Cristiane Pertusi, isso ocorre porque a pessoa deseja controlar todas as informações à sua volta, além de não se concentrar nas interações que ocorrem no momento.  

Tratamentos para a FOMO

Os tratamentos podem variar, a depender de como a síndrome afeta o indivíduo. Em alguns casos, mudanças comportamentais, como maior controle do uso de redes sociais, atividades físicas e práticas de atenção plena, como mindfulness, podem ajudar.  

Em outras situações, a terapia cognitiva-comportamental é indicada. Isso porque “ajuda a identificar e modificar padrões de pensamento que alimentam a FOMO (como comparações sociais constantes)”, pontua a Dra. Giovanna Andrade. Em casos extremos, há a possibilidade de tratamento medicamentoso, especialmente quando há outras condições relacionadas.

A psiquiatra explica que, quando bem conduzidas, as intervenções contra a FOMO podem resultar na redução da ansiedade e de pensamentos obsessivos sobre eventos sociais, no menor tempo gasto nas redes sociais, na melhora da qualidade do sono, na sensação de bem-estar e no aumento da satisfação com a vida e com as relações interpessoais.  

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