Food noise: quando o pensamento constante sobre comida merece atenção

“Barulho mental” pode estar ligado a emoções, estresse e desequilíbrios metabólicos

Publicado em 26/01/2026, às 11h05
No food noise há pensamentos frequentes, insistentes e, muitas vezes, incontroláveis sobre comida (Imagem: Roman Samborskyi | Shutterstock)
No food noise há pensamentos frequentes, insistentes e, muitas vezes, incontroláveis sobre comida (Imagem: Roman Samborskyi | Shutterstock)

Por Redação EdiCase

Celebrado em 26 de janeiro, o Dia da Gula marca o prazer de comer e a relação afetiva que muitas pessoas mantêm com os alimentos. No entanto, a data também serve como um convite à reflexão sobre o food noise, termo utilizado para descrever o “barulho mental” causado por pensamentos frequentes, insistentes e, muitas vezes, incontroláveis sobre comida.

Embora pensar em alimentação ao longo do dia seja normal, o food noise se torna preocupante quando passa a interferir no bem-estar, na rotina e no comportamento alimentar. “O food noise não é uma doença em si, mas um sintoma associado a alterações emocionais, metabólicas e comportamentais, podendo aparecer em pessoas com ansiedade, estresse elevado, dietas muito restritivas ou relação desequilibrada com a comida. Em alguns casos, também pode estar ligado a fome não atendida, picos de glicemia ou a quadros de compulsão alimentar”, explica o neurocirurgião e professor do curso de Medicina da Faculdade Pitágoras, Dr. Mario Braga.

Causas do food noise

Conforme o médico, o food noise acontece quando há um desequilíbrio entre os sistemas que regulam fome, saciedade, recompensa e emoção no cérebro. “Em condições normais, áreas como o hipotálamo controlam a fome fisiológica, enquanto regiões como o córtex pré-frontal ajudam no controle racional; e o sistema de recompensa, especialmente o núcleo accumbens, responde ao prazer de comer”, pontua.

Ele explica que algumas condições podem favorecer esse quadro. “Quando esse equilíbrio é afetado, por estresse, ansiedade, privação de sono, dietas muito restritivas, oscilação de glicose ou gatilhos emocionais, o sistema de recompensa se torna hiperativado, fazendo com que a comida ocupe espaço constante nos pensamentos. Ao mesmo tempo, o córtex pré-frontal perde eficiência no controle dos impulsos, e o cérebro passa a enviar sinais repetitivos relacionados à alimentação, criando o ‘barulho mental’ característico do food noise”, esclarece o Dr. Mario Braga.

Jovem com o cabelo cacheado curto, usando camisa jeans e camiseta branca tomando iogurte
No food noise acontece sensação de urgência para comer (Imagem: Josep Suria | Shutterstock)

Sintomas do food noise

Segundo o médico, alguns sintomas comuns do food noise são:

  • Pensar constantemente em comida, mesmo sem fome física;
  • Dificuldade de se concentrar em outras atividades;
  • Sensação de urgência para comer;
  • Episódios de comer por impulso;
  • Culpa ou frustração após a alimentação;
  • Aumento da ansiedade relacionada ao ato de comer.

Diagnóstico do food noise

O diagnóstico do food noise é clínico, feito por médico ou nutricionista com base na avaliação dos hábitos alimentares, rotina, níveis de estresse, histórico emocional e padrão de fome do paciente. Profissionais de saúde mental também podem atuar no processo, especialmente quando há suspeita de compulsão alimentar, ansiedade ou depressão.

Tratamento e abordagens recomendadas

O tratamento do food noise depende da causa, mas geralmente envolve:

  • Ajuste alimentar: dietas restritivas ou longos períodos em jejum podem aumentar a obsessão por comida. A organização das refeições e o equilíbrio nutricional ajudam a reduzir a intensidade do food noise;
  • Apoio psicológico: terapias focadas em comportamento e relação com a comida, como terapia cognitivo-comportamental (TCC), auxiliam a identificar gatilhos emocionais;
  • Manejo do estresse e do sono: técnicas de respiração, boa higiene do sono e atividades prazerosas reduzem ansiedade e impulsos alimentares;
  • Avaliação médica: em alguns casos, alterações hormonais ou metabólicas podem contribuir para aumento da fome ou para o comer emocional. O acompanhamento médico permite descartar outras condições e orientar o tratamento adequado.

Por Camila Souza Crepaldi

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