O rapper Oruam, foragido da Justiça e réu por tentativas de homicídio contra policiais, teve seu julgamento adiado para 30 de março devido à ausência de uma das vítimas e apresenta laudo que indica transtornos psíquicos significativos.
O diagnóstico aponta que Oruam sofre de Transtorno de Ansiedade e Depressão Moderada, o que prejudica sua capacidade de realizar atividades cotidianas e é agravado por sua situação de hipervigilância e problemas de saúde anteriores.
A defesa sugere que o tratamento do artista ocorra fora do sistema prisional, enquanto a tornozeleira eletrônica que ele usava está desligada desde fevereiro, após 66 violações de monitoramento, levando o STJ a restabelecer sua prisão.
Considerado foragido da Justiça, a defesa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, mais conhecido como Oruam, apresentou um laudo alegando que o cantor sofre de transtornos psíquicos. O artista, de 25 anos, é réu por duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em julho do ano passado, no Joá, Sudoeste do Rio.
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Segundo relatório clínico feito pelo especialista, Oruam "encontra-se em acompanhamento psiquiátrico, apresentando quadro clínico compatível com Transtorno de Ansiedade associado a Transtorno Depressivo Moderado".
O julgamento que aconteceria na última segunda-feira, 23, no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), foi adiado para o dia 30 de março. A sessão foi adiada pela ausência do delegado Moysés Santana Gomes, uma das vítimas.
O quadro clínico descrito pelo especialista, acarreta em prejuízo "funcional significativo, interferindo de forma relevante na capacidade de desempenho pleno de atividades laborais, sociais e/ou cognitivas, especialmente em contextos que exijam tomada de decisão, autocuidado, manutenção de atenção prolongada, estabilidade emocional e resistência ao estresse".
Ainda segundo o diagnóstico, o cantor está com quadro clínico compatível com sofrimento psíquico que pode estar sendo intensificado pelo "estado de hipervigilância constante diante da possibilidade de reclusão em ambiente prisional, pelas condições físicas de saúde anteriores (tuberculose e pneumonia) e pelas dinâmicas familiares complexas, sobretudo a ausência paterna e a vivência de estigmas sociais".
O profissional sugere que o tratamento do rapper seja feito fora do sistema prisional, pois o encarceramento pode agravar o quadro mental do cantor.
Além de tentativa de homicídio, Oruam também responde por outros crimes, como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado.
Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), a tornozeleira eletrônica do cantor está desligada desde o dia 1 de fevereiro. O equipamento foi instalado no fim de setembro e, a partir de novembro, já foram constatadas irregularidades.
Violação de tornozeleira
Oruam passou a usar tornozeleira eletrônica após deixar a prisão, em 30 de setembro do ano passado. Desde então, violou o monitoramento 66 vezes, segundo a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap). Todas as ocorrências teriam sido provocadas pela falta de carregamento do equipamento.
Diante das infrações sucessivas, o STJ revogou o habeas corpus anteriormente concedido ao rapper e determinou o restabelecimento da prisão. Na decisão mais recente, o ministro Joel Ilan Paciornik apontou que o artista descumpriu de forma reiterada a medida cautelar, principalmente durante a noite e aos fins de semana.
Segundo o magistrado, o cantor permaneceu por longos períodos com a tornozeleira sem bateria — em alguns casos, por até dez horas — o que gerou “lacunas nos mapas de movimentação do acusado” e tornou a fiscalização “ineficaz”.
Mais de 60 dias preso
A ação que terminou com a prisão do rapper Oruam começou na noite de 21 de julho de 2025, quando policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foram até a casa do cantor, no Joá, Zona Oeste do Rio, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente infrator. O jovem, que integrava a chamada “Equipe do Ódio”, ligada ao Comando Vermelho, havia deixado de cumprir medidas socioeducativas em regime de semiliberdade. Ao ser colocado em uma das viaturas, o adolescente fugiu após o carro ser apedrejado por Oruam e outros presentes no imóvel.
Na confusão, o adolescente escapou pela mata com amigos. Um dos envolvidos, Paulo Ricardo de Paula Silva de Moraes, o Boca Rica, foi preso em flagrante. Os vídeos gravados pelos próprios jovens foram usados pela DRE para embasar o inquérito que levou à expedição do mandado de prisão contra Oruam. O rapper ficou preso por mais de 60 dias no Complexo de Gericinó, na Zona Sudoeste do Rio até conseguir, no STJ, a revogação de sua prisão.
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