Brasil

Garimpo ilegal tem 131 balsas incendiadas em operação no Rio Madeira

Metrópoles | 29/11/21 - 13h17 - Atualizado em 29/11/21 - 13h30
Igor Estrela / Metrópoles / Reprodução

A Operação Uiara, esforço de forças federais para combater o garimpo fluvial ilegal no Rio Madeira, no Amazonas, segue em funcionamento. De acordo com balanço divulgado nesta segunda-feira (29/11), são 131 balsas de garimpeiros incendiadas. A ação, que reúne Polícia Federal, Força Nacional e Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), atua de forma ostensiva na região amazônica desde o último sábado (27/11).

Apesar de o garimpo ilegal ser persistente no Madeira e em outros rios que cortam a floresta amazônica há décadas, a ofensiva federal acontece agora como reação a impactantes imagens de uma aglomeração de balsas que chegou a reunir 600 embarcação em um braço do rio na altura da cidade de Autazes, a 113 km de Manaus.

Até então, os garimpeiros se espalhavam mais e ficavam em áreas mais isoladas do curso d’água, principalmente perto da divisa do Amazonas com Rondônia. A decisão de incendiar as embarcações durante a fiscalização também é uma novidade dessa operação.

Nesta segunda-feira, o vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) avaliou, em conversa com jornalistas em Brasília, que o garimpo ilegal na região do Madeira “já foi devidamente dispersado”. Entretanto, alertou que “tem que manter uma vigilância constante, porque tem ouro lá, se não houver a vigilância, volta [a atividade ilegal]”. Para o vice, que preside o Conselho da Amazônia, a “operação foi feita de imediato” e “tinha que ter feito da forma como foi“. “Quem está ilegal tem que ser o equipamento dele apreendido ou destruído”, apontou o militar.

Garimpeiros reclamam - O Metrópoles acompanha a operação desde a semana passada e tem registrado também os protestos dos garimpeiros, que muitas vezes levam as famílias na parte superior das balsas e reclamam de truculência dos servidores federais. Muitos tem sido deixados às margens do Madeira, com crianças e longe de áreas urbanas.

Ribeirinhos que vivem na região têm resgatado e acolhido esses garimpeiros, mas em Autazes, onde começou a operação, há dezenas de garimpeiros e familiares que se dizem sem condições para retornar às cidades onde vivem, mais acima no rio.

A operação queimou balsas num raio de 100 km acima de Autazes no Rio Madeira, tendo chegado ao porto de Borba, ainda no Amazonas. Desde o anúncio da organização da operação, os garimpeiros têm fugido rio acima, mas o deslocamento das balsas depende de rebocadores e é lento. A operação não tem data para acabar e o último balanço foi divulgado na manhã desta segunda pelo ministro da Justiça, Anderson Torres, nas redes sociais. Veja o post: