Grávida conta como é dividir o marido com outras 3 mulheres: 'São minhas melhores amigas'

Publicado em 16/01/2026, às 13h57
Foto: Reprodução/Redes Sociais
Foto: Reprodução/Redes Sociais

Por Revista Crescer

Laís Rocha e Ivan Rocha, de Atibaia, São Paulo, vivem um relacionamento poliafetivo que inclui quatro esposas, destacando a importância do afeto e respeito entre elas, especialmente após a descoberta da gravidez de Laís.

O relacionamento começou há dez anos e evoluiu para um trisal, que se expandiu com a inclusão de outras parceiras, como Ana Carolina e Natália, refletindo uma dinâmica familiar que desafia normas sociais tradicionais.

Apesar de críticas e desafios, Laís planeja continuar a expandir a família e compartilhar sua experiência nas redes sociais, enfatizando a responsabilidade compartilhada na maternidade e a busca por mais esposas no futuro.

Resumo gerado por IA

É possível ter uma relação amorosa com mais de uma pessoa ao mesmo tempo? Para a empresária Laís Rocha, 27, e seu companheiro, o motoboy Ivan Rocha, 36, de Atibaia, São Paulo, a resposta é sim. Além de Laís, ele tem outras três esposas e o quinteto garante que a relação é marcada por afeto, respeito e parceria.

E nada mudou quando ela descobriu que estava grávida. Pelo contrário — o laço entre as mulheres apenas se estreitou. "Somos melhores amigas", diz, em entrevista exclusiva à CRESCER.

Ivan e Laís se conheceram há 10 anos, pelo Facebook e pouco depois começaram a namorar. "Ele sempre foi muito intenso: chegou na minha vida e já queria casar. Com 20 dias de namoro, já veio a proposta de casamento. Na época, eu estava morrendo de medo porque, na minha ideologia, eu tinha aquele conto de fadas de namorar dois anos e casar vestida de noiva", conta.

Eles não se casaram na época e, pouco depois, acabaram terminando, mas mantiveram contato. "Passaram alguns meses e ele começa a namorar uma colega minha. Eles se casaram, foi muito rápido. Mas aconteceu algo que ninguém esperava: ela me mandou uma proposta indecente, sobre a gente fazer um 'a três'", lembra.

Laís estava indecisa, mas aceitou. "Só ressaltando, eu não sou bissexual, eu sou hétero. Nesse ato, eu descobri que eu tinha um fetiche chamado troilismo, quando você sente prazer em assistir o seu parceiro com outra pessoa. Mas tem que ser alguém que você tenha afinidade", explica. Eles continuaram mantendo contato até que Laís foi convidada a morar com o casal e passaram a viver como um trisal.

'O relacionamento a três me fez bem'

Eles seguiram juntos por dois anos até que Laís percebeu que não fazia mais sentido continuar, e decidiu voltar a morar com a mãe. Pouco depois, Ivan se divorciou. Eles mantiveram o contato e reataram alguns meses mais tarde e se casaram. "Não casamos na perspectiva de continuar vivendo um trisal. Isso aconteceu basicamente uns três meses depois. Eu comecei a sentir falta disso, eu aprendi muito com a minha colega, sobre várias coisas, como ser dona de casa. O relacionamento a três me fez bem", recorda.


Eles, então, buscaram outra parceira para fazer parte da família. "Aí, a gente simplesmente não parou mais", afirma Laís. Foi quando conheceram a criadora de conteúdo Ana Carolina da Silva Ferreira, 20, que trabalhou como videomaker em um evento. Mas, Ana namorava na época.


"Dois meses depois, eu vi um post no Instagram indicando que ela estava triste pelo término", recorda. Eles entraram em contato e ela topou se juntar a eles. "A Ana mudou muito a minha mentalidade. Nós já estamos juntos há 2 anos. Quando ela veio, tinha 18, mas a maturidade dessa menina me surpreendeu. Ela nunca se importou com o que os outros falavam", diz.
Laís acreditava que fosse uma relação passageira, mas foi surpreendida. "Meu chão caiu. Eu pensava: 'Como assim essa menina quer casar com a gente? Quer engravidar do meu marido?' Eu estava tendo algumas crises de ansiedade e comecei a ter uma certa crise de ciúmes", diz.


Com o tempo, ela disse ter superado. "Ana era muito divertida, era muito amiga, era muito parceira e estava sempre comigo. Não queria que ela fosse embora. Então, eu venci isso, amo a Ana, continuo com a Ana e não tenho mais essas crises de ciúmes. Ficamos os três, juntos, tocando a nossa vida", conta. As duas, inclusive, tornaram-se sócia de um SPA. "É tão guerreira quanto eu", ressalta.

Quatro esposas

Laís percebeu que o relacionamento melhorou com a chegada de Ana. "Então, eu virei para a Ana e falei: 'E se a gente continuasse trazendo mais meninas?' E ela topou", lembra. Ana criou um perfil num aplicativo de namoro e, pouco depois, conheceram a engenheira Natália Roserlei Ferrari, 30. O único problema era que ela morava em Vinhedo, São Paulo, e só conseguia vê-los aos fins de semana.


Inicialmente funcionou, mas com o tempo, convidaram ela para se juntar ao trisal. "Só que, como Natália vem de uma família tradicional, começou a ficar receosa. Ela também tinha medo de abandonar a estabilidade financeira, ir para outra cidade e morar com três pessoas", diz. Após dois meses, ela decidiu que não queria perdê-los e se mudou para Atibaia.

A quarta esposa, a criadora de conteúdo Camili Vitória Sousa, 20, veio bem depois, quando Laís já havia criado um perfil no Instagram (@trisalrochas), que hoje acumula quase 250 mil seguidores. "Ela já era uma seguidora, começou a nos seguir e, no mesmo dia, estava aqui. Mas foi embora, dizendo que não estava pronta para um relacionamento afetivo. Na época, ela morava em Piracicaba (SP)", diz.


Mas, em outubro do ano passado, Camili retornou para trabalhar com Laís, Ana e Natália como videomaker. "Ela começou a presenciar a nossa sistemática de família, passou a se interessar pelo Ivan e pelo relacionamento. Até que, um dia, ela disse: 'É isso que eu quero viver Eu vou viver com vocês'. E se torna a quarta esposa", conta.

'Nós não tratamos ninguém de forma descartável'

Desde que começaram a envolver outras pessoas na relação, foram estabelecidos combinados. "O primeiro deles é que nós, mulheres, não saímos com outros homens. Isso não é um posicionamento machista do Van, foi nosso. Existem vários trisais, vários relacionamentos poliafetivos, de várias configurações, e eu respeito cada um deles, mas é assim dentro do nosso relacionamento", diz.


"Se alguma das meninas quiserem sair do relacionamento e se envolver com outro homem, elas podem. Mas se acontecer delas se relacionarem estando com a gente, é considerado traição", explica. "Ressaltando, o nosso relacionamento é em V, o que significa que todas as meninas só se relacionam com o Ivan, não ficamos entre nós", acrescenta.


Outro combinado importante é ter uma conversa sincera se surgir ciúmes. "Acontece, às vezes, de falar: 'O Ivan está passando mais tempo com ela do que comigo'. Mas isso é algo que a gente consegue sanar", diz. "Outra regra é que não tratamos ninguém de forma descartável. Todas as minhas esposas, eu considero fielmente a minha família, elas não são produtos, elas não são descartáveis", adiciona.


Confiança e sinceridade também são muito importantes. "Se alguém mentir, a gente termina. Existe uma regra absoluta em casa de sinceridade e verdade. É melhor a verdade doer do que mentir", afirma. "Se quebrar a nossa confiança de alguma forma, não tem como continuar o relacionamento."

'Descobri que tinha um desejo de ser mãe muito grande'

Ter filhos era um assunto complexo para Laís. Ela sempre pensou em se dedicar à carreira e a maternidade foi sendo adiada. Até que, em maio de 2025, descobriu que estava grávida, mas sofreu um aborto espontâneo com sete semanas. "Isso virou uma chavinha em mim. Quando descobri, fiquei muito feliz aceitei super a minha gravidez. Foram as semanas mais bem vividas da minha vida — fazendo preparativos, sonhando, conversando e cantando para o bebê", lembra.


"Quando eu perdi, uma coisa despertou em mim. Eu falo que foi o meu anjo, que veio só para abrir o caminho, para me mostrar que eu não precisava ficar me preocupando com os bens materiais, que existe algo muito maior: a família. Depois da perda, eu descobri um desejo de ser mãe muito grande", acrescenta.


Em outubro, Laís anunciou que estava grávida novamente e encheu a casa de alegria. "As meninas ficaram super felizes. O Ivan, então, nem se fala, ele tinha o sonho de ter um filho comigo, mesmo já tendo filhos de outros casamentos", afirma.

'São minhas melhores amigas'

Após a descoberta da gravidez, o laço de Laís com as meninas se estreitou. "A verdade é que a sociedade olha e julga, mas só para quem está aqui dentro de casa sabe o quão família nós somos, o quão tradicionais nós somos, o quão amorosos nós somos. A minha gravidez tem sido maravilhosa, porque eu não tenho só as minhas 'esposas', elas são minhas melhores amigas", afirma.

"Às vezes, eu acordo de manhã vomitando e logo alguém abre a porta oferecendo uma ajuda. O nosso relacionamento é muito de cuidado uma com a outra. Todo mundo se respeita, todo mundo se ajuda, todo mundo pede por favor, não há brigas", destaca.


Mesmo nos desentendimento, o caminho é sempre o diálogo. "Mesmo após a gravidez, toda continuaram amigas, todo mundo é minha parceira. Ninguém ficou com ciúmes, ninguém ficou com inveja", diz. "E ninguém anda sozinho: se tem consulta, a outra vai junto. Nosso relacionamento é de amizade e companheirismo."


A gravidez tem sido tranquila. A família já começou a montar o quarto e o o enxoval do pequeno José Estevão, que deve nascer em junho. "Ele já é muito amado, muito querido por todos, todos os dias", celebra Laís.

Repercussão na web

Vários vídeos do perfil da família têm viralizado, o que foi uma grande surpresa para todos. Laís conta que, desde então, tem sido reconhecida na rua. "Hoje, na nossa cidade, eu brinco que tenho que sair de boné e de óculos na rua. É muito estranho a sensação das pessoas estarem me olhando e me reconhecerem", conta.


"Por um outro lado, eu fico muito feliz com a repercussão porque as pessoas vão acompanhando o nosso dia a dia, principalmente nos stories, e eles veem que o nosso contexto é muito familiar", afirma. "Todo mundo já tá acostumado com essa sistemática de família, eles conseguem ver como funciona a dinâmica da nossa família poliafetiva."
Segundo ela, vários outras pessoas que vivem relacionamentos poliafetivos já entraram em contato para compartilhar experiências. "É muito legal também poder ajudar uma comunidade", comemora.


'Elas também vão ser chamadas de mãe'

Mas, também existem muitos haters e comentários negativos, que se intensificaram após Laís anunciar a gravidez. Nem sempre é fácil, mas ela procura não se afetar com isso. "Não leio, como uma forma de precaução. As pessoas tendem a vir apontando, vir criticando uma criança que ainda nem chegou ao mundo. É muito ruim isso", lamenta.


Por esse motivo, ela tem falado sobre maternidade no perfil pessoal (@josefa_rochas). "Quero mostrar como vai ser o dia a dia do José com várias mães, é uma rede de apoio diferente de um relacionamento monogâmico. Aqui, todas são responsáveis, elas também vão ser chamadas de mãe e não vão ser isentas dessa responsabilidade materna", conta.

Mesmo com as críticas, Laís não pretende parar como perfil do trisal e revela que pretende encontrar mais esposas. "Oficialmente, nós estamos em quatro esposas, mas eu quero sete esposas fixas. Seremos a casa das sete mulheres", destaca.


"Lembrando que não é porque eu vivo um formato de trisal, que eu vou incentivar o meu filho a qualquer coisa. Futuramente, ele vai ser o que quiser e eu vou continuar sendo a mãe dele, eu vou continuar amando incondicionalmente", finaliza.

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