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Há 40 anos, uma mulher ficou congelada por seis horas e sobreviveu

SoCientífica | 06/08/21 - 23h59
Reprodução

Mesmo sendo a estação favorita de muita gente, o inverno pode doer, o frio machuca. Então, já imaginou permanecer congelada por seis horas? Isso aconteceu em 31 de dezembro de 1980 em Minesota, quando Wally Nelson tropeçou em um corpo congelado, a poucos metros de sua porta.

Quem estava ali era Jean Hilliard, de 19 anos, que voltava para a casa dos pais antes do carro enguiçar na neve. Vestida com botas de cowboy, luvas e casaco de inverno, ela desceu do veículo para buscar ajuda em um frio de -30 graus, mas por algum motivo perdeu a consciência e caiu. Ela permaneceu congelada por seis horas, até que na manhã seguinte encontraram o seu corpo, que acreditavam já ser um cadáver.

Como uma mulher pode sobreviver após ficar congelada por seis horas?

Casos como o de Jean é bastante incomum, mas não raro. Inclusive, os médicos de países congelantes usam até um ditado: “ninguém está morto antes de aquecer o defunto”, pois é possível retornar à vida. A hipotermia extrema não é necessariamente o fim, pelo contrário, sob condições controladas ajuda na redução da temperatura corporal e diminui a fome insaciável.

Quando submetido a condições absurdas, como ficar congelada por seis horas, o corpo pode colocar freios no processo de morte para lidar com pulso baixo. Conforme explicou George Sather, o médico que cuidou do caso: “o corpo estava frio, completamente sólido, exatamente como um pedaço de carne em um congelamento profundo”.

Bastou aquecer o corpo com almofadas por algumas horas, para que Jean voltasse ao estado normal de saúde. Ao contrário de muitos materiais, a água ocupa um volume menor como líquido do que como sólido, mas o fato do corpo de Hilliard parecer sólido, é um clássico sinal de hipotermia severa.

Conforme a rigidez muscular aumenta, ela se assemelha com os rigor mortis (o enrijecimento que acontece com o corpo morto). Isso ocorre porque o corpo fecha os canais para vasos sanguíneos sob a pele, para manter o funcionamento dos órgãos, a ponto de parecer pálido.

Jean Hilliard ficou congelada por seis horas e sobreviveu, e mesmo alguns fatores científicos explicando o porquê, não há dúvidas de que a sorte trabalhou a seu favor. A medicina nos revela fatos surpreendentes sobre o corpo humano, dia após dia um novo acontecimento muda completamente a maneira como enxergamos as coisas.