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“Há possibilidade de ataque russo a qualquer momento”, alerta Otan

Metrópoles | 22/02/22 - 14h41
Foto: Flickr / Otan / Reprodução

O secretário-geral da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Jens Stoltenberg, fez um alerta sobre a possibilidade iminente de um ataque russo à Ucrânia. Em entrevista nesta terça-feira (22/2), Stoltenberg afirmou que mais soldados foram enviados à Donbass, região separatista da Ucrânia. “Há possibilidade de ataque russo a qualquer momento”, frisou Otan.

Stoltenberg pediu calma e defendeu uma solução diplomática. “Nunca é tarde para não atacar. Pedimos a Rússia que recue e desescale militares e se esforce diplomaticamente”, salientou. O chefe da Otan voltou a dizer que a Rússia pode sofrer sanções internacionais para frear o avanço da escalada da tensão. “Vamos garantir que a Ucrânia fortaleça próprias defesas”, adiantou. A Ucrânia já foi invadida pela Rússia, em 2014, quando a Criméia foi anexada no território russo. “A resposta à Rússia está printa, mas ainda não foi mobilizada”, pontuou.

Stoltenberg afirmou que separatistas estão sendo apoiados pelo exército russo. “O que vemos agora é mais forças russas envolvidas [no conflito]. Isso faz com que a situação seja mais séria”, concluiu. O secretário-geral fez um apelo. “Estamos prontos para sentar e conversar com os russos de peito aberto”, resumiu, ao ressaltar que a Ucrânia é um parceiro político.

Brasil pede diplomacia - O representante brasileiro no Conselho de Segurança das Nações Unidas, embaixador Ronaldo Costa Filho, defendeu que Rússia e Ucrânia busquem “uma solução negociada” e evitem “uma escalada de violência” na região.

“Diante da situação criada em torno do status das autoproclamadas entidades estatais do Donetsk e do Luhansk, o Brasil reafirma a necessidade de buscar uma solução negociada, com base nos Acordos de Minsk, e que leve em consideração os legítimos interesses de segurança da Rússia e da Ucrânia e a necessidade de respeitar os princípios da Carta das Nações Unidas”, disse o Itamaraty em nota distribuída nesta terça-feira.

Em meio à tensão entre Ucrânia e a Rússia, a embaixada ucraniana em Brasília pediu que o governo brasileiro não reconheça a independência das regiões separatistas de Donetsk e Luhansk. O encarregado de Negócios no Brasil, Anatoliy Tkach, fez um apelo e defendeu que o Brasil “condene a decisão russa” que reconheceu a independência das duas regiões. “Esperamos que o governo do Brasil não reconheça essas pseudoentidades criadas pela Rússia. Que condene a decisão e apele ao lado russo para que retome as negociações em busca de uma solução política e diplomática do conflito”, frisou.

Entenda a crise - A agenda ocorre em meio à tensão entre Rússia e Ucrânia. Os dois países vivem um embate por causa da possível adesão ucraniana à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). Os Estados Unidos e o Reino Unido acusam a Rússia de querer incitar a violência nesses territórios controlados por separatistas pró-Rússia para encontrar uma razão para invadir a Ucrânia, para cujas fronteiras foram enviados cerca de 150 mil soldados. Na prática, Moscou vê essa possível adesão como uma ameaça à sua segurança. Os laços entre Rússia, Belarus e Ucrânia existiam desde antes da criação da União Soviética (1922-1991).