No dia 12 de julho de 2024, Josué da Silva Constantino, de 32 anos, sofreu uma parada respiratória devido a um AVC isquêmico, enquanto sua esposa, Nubia Manarim, tentava buscar ajuda médica após dias de sintomas não diagnosticados. O episódio quase fatal ocorreu em um contexto de atendimento inadequado, onde as queixas de Josué foram inicialmente atribuídas a uma crise de ansiedade.
Apesar de ser considerado saudável e ativo, Josué começou a apresentar sinais de alerta um mês antes do AVC, como tonturas e dormência, mas os exames realizados não revelaram anormalidades. A falta de um diagnóstico correto e a demora no atendimento médico contribuíram para a gravidade de sua condição.
Após a deterioração do estado de Josué, exames de tomografia foram finalmente solicitados, mas a espera para a realização do exame foi longa, resultando em complicações adicionais. A situação atual destaca a necessidade de melhorias no atendimento médico e na identificação precoce de emergências neurológicas.
A lembrança daquela noite ainda atravessa Nubia Manarim, 31, com a mesma força de quando tudo aconteceu. Ao tentar descrever o momento em que percebeu que o marido estava entre a vida e a morte, ela, que vive em Criciúma (SC) resume o que sentiu: “Vi meu esposo morrer na minha frente”.
A cena aconteceu na noite de 12 de julho de 2024, depois de um dia inteiro em busca de ajuda em serviços de saúde, com dúvidas, sintomas que se agravavam e um diagnóstico inicial profundamente equivocado.
Naquele momento, Josué da Silva Constantino, então com 32 anos, estava tendo uma parada respiratória causada por um AVC isquêmico em uma das regiões mais delicadas do cérebro, o bulbo, parte do tronco encefálico responsável por funções vitais como respiração e batimentos cardíacos.
Até ali, Josué, pai de Maria Luiza, a Malu, hoje com 12 anos, era um candidato nada provável para um quadro tão grave. Segundo Núbia, o marido era uma pessoa saudável, ativa e cuidadosa com a própria saúde. Em um vídeo publicado no Instagram, ele aparece levantando pesos em uma arena de crossfit. “Ele nunca teve nenhum problema”, diz ela, em um depoimento exclusivo a CRESCER.
Nos anos anteriores ao AVC, Josué havia adotado uma rotina disciplinada de exercícios físicos e acompanhamento profissional. “Fazia mais ou menos cinco anos que ele treinava regularmente, sempre acompanhado de nutricionista. Ele cuidava da alimentação, fazia check-ups anuais, estava sempre atento à saúde”, afirma a esposa. Era o tipo de pessoa que dificilmente se imagina enfrentando uma emergência neurológica tão severa ainda jovem.
Apesar disso, alguns sinais começaram a surgir cerca de um mês antes do episódio que quase tirou a vida de Josué. “Ele começou a ter tonturas, uma sensação muito parecida com labirintite”, lembra Nubia. O casal procurou atendimento médico em diferentes lugares para entender o que poderia estar acontecendo, mas as respostas eram vagas e inconclusivas.
Ninguém conseguia explicar com clareza. Em determinado momento, eles chegaram a consultar um neurologista, que solicitou exames de imagem. Os testes foram feitos cerca de dez dias antes do AVC, mas os laudos não apontaram nada. Diante dos resultados aparentemente normais, o casal acreditou que não havia motivo para preocupação. “Seguimos a vida achando que estava tudo bem”, lembra Núbia.
Só calmantes
Na manhã de 12 de julho, o cenário mudou abruptamente. Josué acordou passando muito mal, com tontura intensa, dormência e uma sensação geral de mal-estar que ele próprio não conseguia explicar. “Ele disse que estava se sentindo estranho”, diz Nubia.
Preocupado, decidiu procurar atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA). O atendimento aconteceu rapidamente, mas sem uma investigação aprofundada. “Não fizeram nenhum exame de sangue ou de imagem, disseram que ele estava tendo uma crise de ansiedade”, relata Nubia. Josué recebeu dois calmantes e foi liberado para voltar para casa.
O problema é que o quadro não apenas persistiu, como se agravou. Nas horas seguintes, Josué não conseguia descansar e passou a se sentir cada vez mais debilitado. “Ele não conseguiu dormir, não melhorou em nada. Pelo contrário, estava piorando”, diz ela, que, diante da evolução dos sintomas, decidiu levá-lo a um hospital naquela mesma tarde.
Ao chegar ao atendimento, Josué repetia algo que, para ele, parecia cada vez mais evidente. “Ele dizia o tempo todo que estava tendo um AVC”, lembra a esposa. Os sintomas que apresentava eram preocupantes: dormência no corpo, tontura intensa e dificuldade para falar. “A fala dele estava muito arrastada”, recorda-se Núbia. Ainda assim, segundo ela, a hipótese de um problema neurológico continuou sendo descartada. “Os médicos insistiam que era ansiedade, que ele estava tendo um ataque de pânico”, afirma.
O casal chegou ao hospital por volta das 17h30. O tempo passou e, apesar da insistência de Nubia e do agravamento dos sintomas, os médicos demoravam a solicitar qualquer exame. “Até as 19h não tinham pedido nada”, conta.
O estado de Josué começou a se deteriorar rapidamente. Ele passou a ter episódios de desmaio e respondia cada vez menos aos estímulos da esposa. Nubia decidiu chamar novamente a equipe médica e insistir que algo estava muito errado. Só aí foi solicitado um exame de tomografia. O problema é que o exame demorou para ser realizado. Nesse intervalo, o quadro evoluiu de forma dramática.
Assista ao vídeo abaixo (se não conseguir visualizar, clique aqui):
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