Um homem polonês de 36 anos sofreu reações alérgicas severas após fazer uma tatuagem, resultando em perda de cabelo, vitiligo e incapacidade de suar, o que impactou sua saúde e carreira militar.
Os sintomas começaram quatro meses após a tatuagem, com a pesquisa indicando que pigmentos coloridos, especialmente o vermelho, estão associados a reações alérgicas, especialmente em indivíduos com condições autoimunes como a tireoidite de Hashimoto.
Após cirurgias para remover áreas inflamadas da tatuagem, o paciente teve melhora no crescimento do cabelo e estabilização do vitiligo, mas a anidrose persistiu, levando especialistas a recomendar consultas dermatológicas para pessoas com histórico de doenças autoimunes antes de se tatuarem.
Um homem polonês, de 36 anos, perdeu todo o cabelo, desenvolveu vitiligo e perdeu a capacidade de suar após ter uma reação alérgica extrema à tinta vermelha utilizada em uma tatuagem feita em seu antebraço. O caso foi documentado por pesquisadores da Universidade Médica de Wroclaw, na Polônia, e publicado na revista "Clinics and Practice".
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Segundo o estudo, os sintomas começaram a aparecer quatro meses depois da realização da tatuagem, em agosto de 2020. Além da queda de cabelo e da incapacidade de suar (anidrose), o paciente apresentou coceira intensa, erupções cutâneas generalizadas, unhas amareladas e inchaço dos gânglios linfáticos. As manchas características do vitiligo surgiram dois anos após o procedimento.
Os médicos identificaram a causa das reações quando observaram que as áreas com flores e chamas vermelhas da tatuagem estavam inchadas e inflamadas, especificamente nas regiões onde esse pigmento havia sido aplicado.
A pesquisa buscou entender como determinados tipos de tinta para tatuagem afetam o sistema imunológico. O estudo apontou que pigmentos coloridos estão cada vez mais associados ao aumento de reações alérgicas, principalmente em pessoas com condições autoimunes preexistentes.
O paciente, que já tinha diagnóstico de tireoidite de Hashimoto, precisou passar por cirurgias para remover as partes inflamadas da tatuagem. Após os procedimentos, seu cabelo voltou a crescer e o vitiligo parou de avançar, mas a anidrose persistiu devido aos danos permanentes nas glândulas sudoríparas.
As complicações relacionadas à incapacidade de suar, que aumentam o risco de insolação, forçaram o homem a abandonar seu emprego militar, conforme destacado pela revista "New Scientist", que divulgou o estudo.
Uma pesquisa realizada em 2015 por dermatologistas de universidades americanas mostrou que cerca de 6% das pessoas tatuadas desenvolvem reações alérgicas que persistem por mais de quatro meses, com maior frequência quando há uso de tinta vermelha.
Investigação médica do caso
O caso do polonês começou a ser investigado após o surgimento dos sintomas, quatro meses depois da realização da tatuagem colorida no antebraço em agosto de 2020.
Durante a investigação, os médicos realizaram diversos exames para confirmar a gravidade da situação. "Foi realizada biópsia de um linfonodo aumentado na virilha, e seu aspecto microscópico correspondeu ao diagnóstico de linfadenopatia dermatopática", explicam os autores do estudo, que encontraram vestígios de tinta vermelha que já haviam migrado para outras partes do corpo.
O mecanismo da reação alérgica está relacionado à composição das tintas utilizadas. Enquanto algumas contêm pigmentos orgânicos, outras podem incluir metais pesados como níquel, titânio e alumínio, que são tóxicos quando introduzidos no organismo. Esses compostos provocam uma resposta do sistema imunológico devido à presença de "substâncias invasoras adentrando ao corpo humano".
A resposta imunológica torna-se intensa e crônica porque as partículas de tinta são grandes demais para serem eliminadas pelos macrófagos. Em pessoas com doenças imunológicas preexistentes, como o paciente polonês, as conseqûncias podem ser mais graves, podendo até aumentar os riscos de linfomas e câncer, especialmente com o uso de tintas coloridas.
Os especialistas fazem um alerta importante: "Em pacientes com histórico de doenças autoimunes, dermatológicas ou alérgicas, recomenda-se uma consulta dermatológica antes de se submeterem à tatuagem. Talvez regulamentações sobre o licenciamento de tatuadores e a educação sobre a segurança da tatuagem contribuam para a redução do número de complicações associadas a ela".
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