Um trabalhador da construção civil em Uberlândia sobreviveu a um choque elétrico de 13.800 volts, levantando questões sobre os limites do corpo humano em relação à eletricidade. O incidente ocorreu durante trabalho em altura, resultando em múltiplas queimaduras e a necessidade de resgate pelos bombeiros.
Não há um limite fixo de voltagem que o corpo humano suporta, pois a gravidade do choque depende da combinação entre voltagem, corrente e tempo de contato. Lesões internas podem ocorrer, e a corrente elétrica pode causar danos progressivos, afetando células e tecidos profundos.
O trabalhador foi rapidamente atendido e encaminhado ao hospital, onde permanece sob cuidados. Especialistas alertam para os riscos de complicações graves, como parada cardíaca e sequelas permanentes, que podem incluir amputações e perda de função em membros afetados.
Um trabalhador da construção civil de 37 anos sobreviveu após sofrer um choque de cerca de 13.800 volts em uma obra na segunda-feira (6) em Uberlândia (MG). O caso levanta uma dúvida comum: afinal, até quanto o corpo humano aguenta de eletricidade?
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O caso ocorreu durante trabalho em altura e mobilizou os bombeiros. Segundo o Corpo de Bombeiros de Minas Gerais, o homem encostou um vergalhão na rede de média tensão e recebeu a descarga.
Trabalhador foi atendido rapidamente. Ainda segundo os bombeiros, ele foi resgatado com técnicas de salvamento em altura e encaminhado ao Hospital de Clínicas da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), consciente, mas com múltiplas queimaduras, incluindo lesões de 3º grau.
QUANTO TEMPO O CORPO CONSEGUE AGUENTAR?
Não existe um limite fixo de voltagem que o corpo suporta. Segundo o cirurgião plástico Luiz Philipe Molina Vana, do Hospital Nove de Julho, não existe um limite teórico que o corpo consegue suportar. O médico diz que tudo depende da combinação entre a voltagem, a corrente e o tempo de contato, além do local por onde passa a corrente. Ele explica que, na medicina, já se considera alta voltagem qualquer valor acima de 1.000 volts.
A corrente elétrica é o fator mais importante para determinar a gravidade. De acordo com o médico, baixas voltagens com altas correntes podem matar e altas voltagens com corrente bem baixa podem não matar. O tempo de exposição aparece como o segundo fator mais relevante.
A eletricidade causa danos progressivos dentro do corpo. O especialista afirma que a corrente lesa as membranas das células, levando à morte celular que pode ocorrer dias depois. Além disso, há o chamado efeito Joule, em que a passagem da corrente gera calor e provoca queimaduras internas.
As queimaduras não são apenas externas. Isso acontece porque a eletricidade percorre o corpo e pode danificar tecidos em profundidade. "Quanto maior a resistência do tecido por onde a corrente está passando, maior o calor gerado e maior a lesão", diz o médico, destacando que ossos tendem a aquecer mais e agravar os danos ao redor.
Lesões em mãos e pés indicam o caminho da corrente. No caso de Uberlândia, a vítima teve queimaduras graves nessas regiões. Segundo Vana, as mãos costumam ser o ponto de entrada da descarga elétrica, enquanto os pés funcionam como saída -um trajeto clássico. "O ponto de saída também tem lesão grave", afirma.
SEQUELAS E CONSEQUÊNCIAS
Os riscos imediatos incluem parada cardíaca. O médico aponta que as principais ameaças são parada cardíaca e arritmias, seguidas por complicações como síndrome compartimental, que compromete a circulação e pode levar a sequelas graves.
A região atingida influencia diretamente o risco de morte. Quando a corrente atravessa o tórax, especialmente na área do coração, as chances de complicações cardíacas aumentam. Correntes mais intensas também elevam o risco.
É possível sobreviver até mesmo a choques de alta tensão. Embora impressione, o caso do trabalhador não é impossível. A sobrevivência depende de fatores como o trajeto da corrente, o tempo de contato e a intensidade efetiva da corrente que percorre o corpo.
As sequelas podem ser devastadoras. Entre sobreviventes, são comuns amputações e perda de função de membros. Além das amputações, em alguns casos o choque lesa os nervos e a mão fica sem função, diz o especialista.
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