Homem picado por cobra diz ter recebido 20 doses de soro contra espécie errada

Publicado em 09/04/2026, às 11h41
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal
Foto: Reprodução/Arquivo Pessoal

Por G1

Um homem em Eldorado, São Paulo, ficou internado por um mês após ser picado por uma cobra jararacuçu e receber o soro antiofídico errado, quase perdendo a vida. A situação foi corrigida após a identificação correta do animal com a ajuda de inteligência artificial e do Instituto Butantan.

Leandro Marques do Nascimento foi picado enquanto pescava e, após receber tratamento inadequado, apresentou sintomas graves, como urina preta e inchaço na perna. A confusão na identificação da cobra levou a um tratamento inicial com soro para cascavel, o que agravou sua condição.

Após a intervenção da Polícia Militar, Leandro conseguiu o encaminhamento para cirurgia e recebeu alta, mas ficou com sequelas permanentes. O Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua defendeu que segue rigorosamente os protocolos assistenciais, enquanto a Santa Casa de Eldorado não foi localizada para comentar o caso.

Resumo gerado por IA

Um homem ficou internado por um mês após ser picado por uma cobra jararacuçu (Bothrops jararacussu) em Eldorado, no interior de São Paulo. Leandro Marques do Nascimento contou que ficou "entre a vida e a morte" após receber 20 doses de soro para neutralizar o veneno da espécie errada.

"Uma picada de cobra e um soro errado que quase custou a minha vida", destacou o servidor público, de 46 anos, que descobriu a verdadeira espécie com auxílio de inteligência artificial e do Instituto Butantan".

Segundo o relato, a picada ocorreu enquanto Leandro pescava com a esposa no Parque Salto da Usina, no dia 7 de março. O servidor disse ter sentido uma queimação na perna e, quando olhou para baixo, havia sangue e uma marca que aparentava ser uma picada de cobra.


O servidor encontrou o animal nas proximidades e tirou duas fotos dele. Em seguida, foi levado pela esposa ao pronto-socorro da Santa Casa de Eldorado.


"O doutor fez algumas perguntas: 'Ela tinha chocalho no rabo?'. Falei: 'Sei que o rabo dela parecia um parafuso. Só que quando ela foi embora, ela saiu balançando o rabo. Mas eu não sei, né? Nunca vi uma cascavel'", explicou Leandro.

De acordo com ele, o médico entendeu se tratar de uma cascavel e aplicou dez soros antiofídicos para neutralizar o veneno desta espécie. Oito horas depois, os sintomas continuavam piorando, então ele foi transferido para o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua, em Pariquera-Açu (SP).

O homem explicou que chegou à segunda unidade de saúde com a urina preta, pressão arterial alta e o inchaço se estendendo por toda a perna. "Já estava entre a vida e a morte", lamentou ele.

Mais doses

Leandro afirmou que a equipe médica ligou no primeiro hospital e uma funcionária informou erroneamente que ele havia tomado soro para o veneno da jararacuçu. "Ela salvou a minha vida. Baseado no que essa enfermeira falou, eles me deram dois soros para jararacuçu, o que reduziu um pouco dos efeitos", disse.


Segundo o relato, o servidor começou a se sentir melhor, mas no dia seguinte o médico de plantão viu o prontuário com as dez doses para o veneno de cascavel e receitou mais dez soros antiofídicos para neutralizar o veneno da espécie errada.

Descoberta

Com os sintomas piorando novamente, Leandro pediu para a irmã enviar as duas fotos da cobra para o Instituto Butantan, no dia 9 de março. Veja a resposta abaixo:

"É urgente informar à equipe hospitalar que houve uma divergência na identificação do animal: ele recebeu o soro anticrotálico (cascavel), mas o acidente foi causado por uma jararacuçu. Recomendamos o contato imediato com o Hospital Vital Brasil para que a equipe médica receba as orientações sobre a revisão do protocolo e a conduta terapêutica a ser seguida".

O paciente acrescentou que também colocou as imagens em duas inteligências artificiais (ChatGPT e Gemini) que afirmaram se tratar de uma jararacuçu. "Penso eu que está evidente que o médico que me atendeu no momento não estava preparado para esse tipo de ocorrência", destacou.


Polícia acionada

Leandro contou que avisou o médico sobre o retorno do Instituto Butantan, mas o profissional se recusou a seguir as orientações. Ele acrescentou que só conseguiu o encaminhamento para uma cirurgia para aliviar a pressão na perna após a esposa acionar a Polícia Militar, no dia 14 de março.


O servidor recebeu alta hospitalar na segunda-feira (6), e destacou ter vivido um caso de negligência médica. "Fiquei com sequelas. Não estou conseguindo mexer a perna, estou com a perna toda dolorida ainda, não sei se eu consigo voltar a andar", finalizou ele.

Hospitais

Por meio de nota, o Hospital Regional Dr. Leopoldo Bevilacqua informou que, em razão do sigilo médico e do respeito à privacidade dos pacientes, não fornece informações sobre casos concretos.


"Reforçamos, contudo, que todos os pacientes que chegam a este hospital são prontamente atendidos conforme protocolos assistenciais, rigorosamente seguidos nesta unidade de saúde, que é referência no Vale do Ribeira e Litoral Sul", destacou a unidade de saúde.


O g1 não localizou a Santa Casa de Eldorado até a última atualização desta reportagem.

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