Homens sofrem mais com a gripe ou é exagero? Veja o que diz a ciência

Publicado em 13/04/2026, às 08h28
Pexels
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Por g1

Recentemente, viralizou nas redes sociais a ideia de que homens sofrem mais com a gripe, mas especialistas afirmam que não há evidências científicas que sustentem essa afirmação, que se baseia em interpretações errôneas de um artigo satírico do British Medical Journal.

Embora alguns posts aleguem que homens têm uma resposta imunológica inferior e demoram mais para se recuperar, especialistas destacam que não existem dados que comprovem essas diferenças, e a produção de anticorpos é semelhante entre os gêneros.

Com o aumento significativo de casos de gripe no Brasil, especialistas recomendam a vacinação como principal medida de prevenção, especialmente para grupos de risco, como crianças, idosos e gestantes.

Resumo gerado por IA

O papo que rola nas redes é que homens sofrem mais com a gripe, mas será? Posts que viralizaram nos últimos dias dizem que eles têm sintomas mais intensos e demoram mais a se recuperar. A explicação, segundo essas publicações, estaria na própria biologia masculina. Mas especialistas ouvidos pelo g1 são categóricos: não há evidência científica que sustente essa ideia.

Há anos, a ideia de que homens sofrem mais quando ficam doentes circula no imaginário popular. O termo “gripe masculina” é frequentemente usado de forma bem-humorada para descrever quadros em que sintomas comuns são tidos como doenças graves ou incapacitantes entre o público masculino. Em muitos desses relatos, a doença aparece quase como um “drama” — com homens sendo retratados como mais debilitados diante de infecções leves.

Agora, a gripe masculina foi mais longe: posts nas redes sociais citam que há evidência de que homens sofrem mais com a gripe. Os conteúdos citam um artigo publicado pelo British Medical Journal (BMJ), uma das revistas científicas mais respeitadas do mundo. O problema é que não se trata de um estudo científico.

O conteúdo faz parte de uma edição especial de Natal de 2017, conhecida por trazer artigos satíricos. No texto, o autor ironiza o chamado “man flu” e sugere, por exemplo, que homens ficariam mais debilitados como uma suposta estratégia de conservação de energia – o que não tem qualquer evidência, vale dizer.

Quem usa isso como evidência não leu o texto. É uma peça irônica, não um artigo científico. Dizer que isso reflete a fisiologia humana é uma extrapolação sem base", explica a infectologista Luana Araujo.

Nos posts, internautas repercutem pontos como de que os homens têm uma resposta imunológica pior ao vírus e que demoram duas vezes mais para se recuperar que as mulheres. Mas isso não é real.

Não há dados que mostrem diferença na resposta. A produção de anticorpos é igual e homens e mulheres respondem da mesma forma às vacinas", afirma o infectologista Renato Kfouri.

Apesar da biologia não explicar, os especialistas dizem que essa é uma questão comportamental.

A infectologista Luana Araujo, que é membro da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), explica que há uma resposta que explica o motivo de mulheres melhorarem mais rápido: elas precisam reagir.

"Mulheres costumam manter a rotina mesmo quando estão doentes, o que pode dar a impressão de recuperação mais rápida. É uma questão social em que a mulher não tem esse espaço de cuidado", explica.

Casos de gripe dobraram no país

Segundo o Instituto Todos pela Saúde, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) causados por influenza quase dobraram no país:

  • Em 2026, até meados de março, foram registrados 3.584 casos.
  • No mesmo período de 2025, foram 1.838.

A orientação dos especialistas é focar na prevenção — especialmente por meio da vacinação.

No SUS, a campanha é direcionada aos grupos com maior risco de complicações, como crianças de seis meses a menores de seis anos, idosos com 60 anos ou mais, gestantes, pessoas com comorbidades e profissionais de saúde e educação.

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