Arquiteta explica como a estratégia pode ampliar a luminosidade e contribuir para o conforto dos ambientes
A entrada de luz natural nos ambientes sempre teve um papel importante na arquitetura. Com a busca cada vez maior por soluções mais sustentáveis e que favoreçam o bem-estar, esse aspecto passou a receber ainda mais atenção nos projetos residenciais. Entre as alternativas utilizadas para ampliar a claridade do lar está a iluminação zenital.
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Para a arquiteta Isabella Nalon, que implementa o recurso para acrescentar esse privilégio aos projetos, trazer a luz natural para dentro de casa faz parte de um conjunto de estratégias que buscam melhorar o desempenho dos ambientes, tanto do ponto de vista funcional quanto do sensorial.
A iluminação zenital é uma técnica que implementa aberturas na cobertura das construções para permitir a entrada de luz natural. Diferentemente das janelas convencionais, que captam lateralmente, esse tipo de solução coopera para a luminosidade diretamente do céu, criando uma iluminação mais homogênea e, muitas vezes, mais intensa.
É a partir dessa lógica que diferentes elementos podem ser aplicados, como sheds, lanternins, cúpulas e as próprias claraboias. “Cada um deles responde às necessidades específicas do projeto, variando em formato, intensidade de luz e comportamento térmico”, comenta Isabella Nalon.
Em projetos residenciais, a iluminação zenital, por meio de claraboias, costuma ser indicada para áreas de menor permanência. Banheiros, corredores, halls de entrada e pátios internos são exemplos frequentes, já que se beneficiam da luz natural sem demandar controle constante de luminosidade.
Em edificações comerciais e industriais, a arquiteta explica que a solução ganha relevância ao compensar a ausência de aberturas laterais, contribuindo para uma melhor distribuição da luz em grandes áreas.
Além dos benefícios já mencionados, Isabella Nalon relata que a iluminação zenital valoriza o projeto arquitetônico, reduz a dependência de iluminação artificial ao longo do dia e coopera para o bem-estar dos moradores.
“Quando bem aplicada, a luz natural transforma a experiência dentro do espaço e ainda colabora com a eficiência energética da edificação”, observa. Outro ponto relevante está na valorização do imóvel, já que ambientes bem iluminados tendem a ser mais atrativos para os compradores.

Dentro da estratégia de iluminação zenital, a claraboia exige atenção a partir de vários fatores. De acordo com a profissional, a orientação solar, o tamanho da abertura e os materiais escolhidos influenciam diretamente no desempenho térmico e luminoso do ambiente.
Ela também diz que a incidência contínua de luz é positiva, mas demanda controle em alguns casos. Em ambientes como quartos e salas, a instalação de cortinas é uma solução comum para regular o volume de luz ao longo do dia. Tecidos mais leves permitem filtragem parcial, enquanto opções com efeito blackout garantem bloqueio total quando necessário.
No que diz respeito à manutenção, a arquiteta recomenda a limpeza periódica das superfícies para evitar a perda de eficiência na entrada de luz. Além disso, é preciso prever, ainda na fase de projeto, o acesso à cobertura para facilitar esses cuidados ao longo do tempo.
O vidro segue como o material mais indicado para claraboias, principalmente por sua durabilidade e desempenho térmico, embora apresente custo mais elevado. Já o policarbonato e o acrílico são alternativas mais acessíveis, mas podem exigir manutenção com o passar do tempo, especialmente em função das condições climáticas.
No campo do design, as claraboias acompanham a evolução da arquitetura e passam a assumir também um papel estético mais marcante. “Estruturas metálicas, formatos variados e soluções que criam efeitos de luz e sombra nos ambientes estão entre as tendências atuais”, reforça Isabella Nalon. Em alguns casos, também pode incorporar sistemas de ventilação, ampliando sua funcionalidade e contribuindo para o conforto ambiental.
Por Henrique Araújo
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