Médico explica quando o quadro deixa de ser pontual e passa a exigir investigação aprofundada
Ardência ao urinar, aumento da frequência urinária e dor na parte baixa do abdômen são sintomas clássicos de infecção urinária. O problema é comum, especialmente entre mulheres, mas quando os episódios se tornam frequentes, o alerta precisa ser maior.
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As chamadas infecções urinárias de repetição ocorrem quando a paciente apresenta dois ou mais episódios em três meses, seis ou mais em um ano. De acordo com o urologista Dr. Nelson Batezini, especialista em disfunção miccional, a recorrência não deve ser encarada como algo “normal”.
“A infecção urinária ocasional pode acontecer. Mas quando passa a se repetir com frequência, é necessário investigar a causa. Muitas vezes há fatores predisponentes que precisam ser tratados”, explica.
A anatomia feminina favorece a ocorrência da infecção urinária. A uretra mais curta facilita a entrada de bactérias na bexiga. Além disso, a proximidade entre a uretra e a região anal também contribui para a contaminação. Outros fatores de risco incluem:
“Alterações hormonais, especialmente após a menopausa, reduzem a proteção natural da mucosa urinária. Isso aumenta a vulnerabilidade às infecções”, destaca o Dr. Nelson Batezini.
Reconhecer os sinais de uma infecção urinária é essencial para buscar tratamento a tempo e evitar complicações. Entre os sintomas mais frequentes, estão:
Em casos mais graves, pode haver febre e dor lombar, o que pode indicar comprometimento renal.

Segundo o médico, o diagnóstico de infecção urinária de repetição exige critério clínico e, muitas vezes, exames laboratoriais. “Não basta tratar apenas o episódio agudo. É preciso entender por que ele está acontecendo de forma repetida. Pode haver disfunção miccional, alterações anatômicas ou até esvaziamento incompleto da bexiga”, afirma. Exames como urocultura, ultrassonografia e avaliação do padrão miccional podem ser indicados conforme cada caso.
Evitar que a infecção urinária se repita depende de cuidados diários e da identificação dos fatores de risco. Pequenas mudanças de hábito podem reduzir significativamente a chance de novos episódios e proteger a saúde urinária. Entre elas, estão:
Em alguns casos específicos, pode ser indicada profilaxia antibiótica ou terapias complementares, sempre sob orientação médica. “Cada paciente deve ser avaliada individualmente. O tratamento precisa ser direcionado ao fator desencadeante para quebrar o ciclo das infecções”, orienta o urologista.
No mês dedicado à saúde da mulher, falar sobre infecções urinárias repetidas é reforçar a importância da prevenção e do diagnóstico adequado. “A mulher não deve se acostumar com infecções frequentes. Sintomas recorrentes são um sinal de que algo precisa ser investigado”, conclui o Dr. Nelson Batezini.
Por Daiane Bombarda
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