Influencer que sofreu lesão na coluna após mergulho recebe polilaminina e volta a mexer braço

Publicado em 28/01/2026, às 08h27
Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram

Por g1

A Justiça concedeu uma liminar que permite à nutricionista Flávia Bueno, de 35 anos, o uso experimental da polilaminina, um medicamento em fase de testes que pode ajudar na recuperação de lesões medulares, após um acidente de mergulho que a deixou em estado crítico.

Flávia, que está internada no Hospital Albert Einstein desde janeiro, já apresentou sinais de melhora, conseguindo mover o braço direito após a aplicação da substância, que é resultado de mais de 20 anos de pesquisa da UFRJ e ainda não tem autorização da Anvisa para uso geral.

A família obteve a aplicação através do programa de uso compassivo da Anvisa, e está organizando arrecadações para cobrir os altos custos hospitalares, que já superam R$ 1 milhão, enquanto aguardam a evolução do quadro de Flávia para uma possível transferência a um hospital público.

Resumo gerado por IA

A família da nutricionista e influenciadora Flávia Bueno, de 35 anos, obteve na Justiça na última quinta-feira (22) uma liminar que deu à jovem o direito de fazer uso experimental da polilaminina, medicamento que ainda está em fase de teste em humanos no Brasil.

Segundo relatos da família, ela já conseguiu mexer o braço direito, mesmo ainda em situação delicada de saúde. Isso não acontecia antes da aplicação da substância (veja vídeo acima).

A aplicação da proteína foi feita na última sexta-feira (23) ainda no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, onde ela permanece internada.

A substância vem sendo estudada há mais de 20 anos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O composto é uma versão recriada em laboratório da laminina, proteína presente no desenvolvimento embrionário e que ajuda os neurônios a se conectarem (leia mais abaixo).

A polilaminina é extraída de proteínas de placentas e faz parte de uma pesquisa desenvolvida pela pesquisadora brasileira Tatiana Sampaio, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A substância está em fase de testes em humanos.

Com mais de 155 mil seguidores nas redes sociais, Flávia sofreu um acidente em 3 de janeiro durante um mergulho na praia de Maresias, no litoral Norte de São Paulo.

Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde 4 de janeiro, para tratar uma grave lesão que prejudicou sua medula espinhal em três diferentes vértebras (C3, C4 e C5).

Por se tratar de um tratamento ainda em fase experimental, a família precisou apresentar a liminar judicial para que ela tivesse o direito de receber a proteína.

A polilaminina ainda não tem autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser comercializada no Brasil ou usada em humanos. Portanto, os hospitais ainda não a incluíram na lista de drogas usadas para esse tipo de lesão medular em solo nacional.

A aplicação foi feita por médicos e pesquisadores ligados ao laboratório brasileiro Cristália, responsável pelo desenvolvimento industrial do medicamento, segundo o irmão da nutricionista, Felipe Checchin.

A expectativa é que, aplicada no ponto da lesão, a polilaminina estimule os nervos a criarem novas rotas e restabelecerem parte dos movimentos.

"Por se tratar de uma droga ainda em fase experimental, não é todo hospital que aceita a aplicação para esse tipo de caso porque ele pode ter efeitos adversos, que justamente estão sendo testados ainda. O laboratório precisava dessa liminar para garantir a aplicação. Nossa esperança é que o sucesso desse medicamento ajude ela a retomar os movimentos logo", afirmou o irmão.

Por meio de nota, o laboratório afirmou que a família Bueno conseguiu a aplicação através do programa de uso compassivo da Anvisa, permitido pela resolução (RDC 38/2013) que dá acesso a esse tipo de medicamentos em fase teste, por meio de judicialização.

"A paciente não foi incluída em nenhuma das fases de Estudo, o acesso à medicação foi dado através do programa de uso compassivo da RDC 38/2013 após judicialização do pedido pela família. Os pacientes que forem devidamente incluídos no Estudo Clínico de fase 1 ainda não foram escolhidos. Serão acompanhados por 6 meses após a aplicação", disse o Cristália.

Acidente em Maresias

Flávia Bueno se acidentou quando foi fazer um mergulho acompanhada de uma colega no litoral Norte de São Paulo, na virada do ano. Ela bateu a cabeça contra um banco de areia e desmaiou.

A nutricionista foi socorrida na unidade de saúde de São Sebastião e foi entubada no Hospital de Clínicas do município, até ser transferida para a capital com duas lesões cerebrais isquêmicas, ou "micro-AVCs", causados pelo bloqueio arterial causado pelo trauma do mergulho.

Sem plano de saúde, a família a levou ao Hospital Albert Einstein. Desde então, Flávia já passou por duas cirurgias deferentes e, segundo o irmão, está fora de risco, mas a conta do hospital superou a marca de R$ 1 milhão.

“No dia do acidente, procuramos vários especialistas em coluna em SP, e o único médico que nos respondeu foi o que trabalhava no Einstein. Ela precisava fazer a cirurgia de descompressão em até 48 horas para [Flávia] não ter problemas de respiração e oxigenação cerebral”, contou o irmão.

E emendou: "E a gente sabe que nesse tipo de lesão, fazer as cirurgias corretas, no momento certo, é essencial para a recuperação e sobrevivência. Nós não tivemos outra opção a não ser levá-la para lá. Ela passou logo no dia seguinte pela cirurgia de descompressão da coluna que ajudou na estabilização do quadro e a manteve viva. Depois de alguns dias fez uma nova intervenção".

Felipe diz que muitos profissionais de saúde que conheciam a influencer estão colaborando com a arrecadação dos recursos. Além da vaquinha online, amigos e familiares estão organizando eventos em Barueri, na Grande SP, onde vivem, para pagar a conta do hospital.

Os planos da família é que a nutricionista fique no Einstein pelos próximos 30 ou 40 dias e depois, estável, seja transferida para um hospital público.

O irmão é o fiador da conta no hospital e afirma que a ajuda dos amigos de Flávia e fãs está sendo fundamental.

"A gente foi para o Einstein em uma situação absolutamente desesperada, para salvar a minha irmã. Foram decisões que tiveram que ser tomadas de uma hora para outra, porque são lesões medulares sérias que poderiam causar até a falta de oxigenação no cérebro dela, que poderia levá-la à morte ou à invalidez. Então, com apoio da minha mãe e da minha esposa, eu assinei os papéis, na intenção de salvá-la", afirmou.

"A ajuda que a gente recebeu ainda não foi o suficiente, mas a solidariedade já ajudou a gente a conseguir a aplicação da polilaminina. E para a gente é uma vitória muito grande. Os profissionais do Einstein entendem tudo o que está se passando e estou confiante que, com a ajuda dessa rede e do hospital, a gente vai conseguir salvar a Flávia", comentou Felipe.

Ela já tinha conseguido na semana passada uma transferência para o Hospital das Clínicas de São Paulo, mas por conta da aplicação da polilaminina, a família optou por mantê-la no Einstein para garantir a aplicação do tratamento experimental.

"A saída do Einstein agora vai depender de evolução do quadro e da recuperação da Flávia, mas a gente está muito confiante e feliz com a evolução gradual dela. Glória a Deus e seguimos em frente com essa baita vitória", disse Felipe ao g1.

A família está recebendo as doações por meio da chave pix: [email protected], no nome de Felipe Checchin da Silva Bueno.

Gostou? Compartilhe