Integrantes de organizada do CSA proibidos de frequentar jogos: veja ficha criminal

Publicado em 12/02/2026, às 17h36
Allan Max / CSA
Allan Max / CSA

Por TNH1

Catorze integrantes da Mancha Azul, torcida organizada do CSA, seguem cumprindo medidas impostas pela Justiça, entre elas a proibição de frequentar jogos do clube em Alagoas por dois meses. Eles são suspeitos de planejar, articular e incitar confrontos violentos.

A decisão foi proferida em 6 de fevereiro, após representação da Polícia Civil, e as restrições estão em vigor desde 7 de fevereiro.

O TNH1 teve acesso aos documentos do processo e detalha abaixo os principais pontos.

QUEM SÃO OS INVESTIGADOS

Os investigados são 14 integrantes da Mancha Azul, alguns deles com antecedentes criminais e histórico de envolvimento em conflitos recentes. Entre os episódios citados está, inclusive, uma briga com o presidente da torcida organizada Comando, registrada durante um bloco do cantor Bell Marques.

Briga registrada durante bloco do Bell Marques. Marcação feita no processo | Cortesia ao TNH1

Um dos investigados aparece como principal alvo do inquérito que apura a confusão registrada no jogo entre CSA x Ituano, pela Série C, em agosto do ano passado. Segundo o processo, ele foi flagrado por câmeras do estádio arremessando um objeto contundente, semelhante a uma porta, do pavimento superior em direção a policiais militares.

De acordo com relatório da Polícia Militar, a Mancha Azul possui uma estrutura interna dividida em zonas, além de "tropas" e "bondes". "Fazem referência aos grupos criminosos que atuam nos confrontos e servem de homenagens a componentes falecidos nessas mesmas ocorrências", consta no documento.

Os investigados ocupam funções variadas dentro da organizada, que vão de diretores a advogado.

Confira, abaixo, os crimes citados nos autos, conforme levantamento da Polícia Militar:

  • lesão corporal dolosa;
  • associação criminosa;
  • associação para o tráfico;
  • tráfico de drogas e tráfico qualificado;
  • consumo pessoal de drogas;
  • porte ilegal de arma de fogo, acessório ou munição;
  • posse, fabricação ou emprego de artefato explosivo ou incendiário;
  • dano qualificado com violência ou grave ameaça;
  • desobediência;
  • ameaça;
  • violência doméstica;
  • roubo com aumento de pena (concurso de pessoas);
  • perseguição contra mulher por razões da condição de sexo feminino;
  • homicídio simples (envolvimento investigado).

O QUE APONTAM AS AUTORIDADES

Na decisão judicial consta que a torcida organizada é estruturada com divisão clara de tarefas, voltada ao planejamento, coordenação e execução de ataques contra torcidas rivais.

O documento também cita que haveria articulação de deslocamentos coordenados, reuniões e comunicações para promover confrontos físicos em dias de jogos, condutas tipificadas pela Lei Geral do Esporte.

Em relatório enviado ao juízo, a Polícia Civil afirmou que os atos preparatórios colocavam em risco a integridade física de torcedores, servidores públicos e pessoas no entorno do Estádio Rei Pelé.

A gravidade dos atos preparatórios, que ameaçam de forma temerária e decisiva a integridade física de torcedores, servidores públicos e toda comunidade no entorno do estádio Rei Pelé faz imperiosa a ponderação entre proteção da esfera de liberdade do cidadão e asseguramento da ordem pública por meio da persecução penal", diz um trecho do documento.

MEDIDAS CAUTELARES IMPOSTAS

Além da proibição de frequentar jogos do CSA por dois meses, a Justiça determinou outras medidas cautelares, pelo mesmo período:

a) proibição de comparecimento a qualquer arena esportiva em Alagoas durante jogos do CSA em competições oficiais, como Campeonato Alagoano, Copa do Brasil, Série C e Copa Alagoas;

b) obrigação de comparecimento à sede da ROTAM/PMAL, no Farol, nos dias e horários das partidas do CSA, como forma de fiscalização do cumprimento da medida;

c) advertência de que o descumprimento das determinações pode resultar na aplicação de medidas mais gravosas.

O TNH1 não conseguiu contato com a defesa da Mancha Azul, mas mantém o espaço aberto para eventual manifestação.

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