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Irmão de brasileira abandonada em deserto nos EUA: “Que sejam punidos”

Metrópoles | 20/09/21 - 14h10 - Atualizado em 20/09/21 - 14h10
Reprodução

Os amigos de infância que abandonaram Lenilda dos Santos, de 49 anos, numa área de deserto ao sul de Deming, no Novo México (EUA), comemoraram a chegada segura em solo norte-americano. O relato é do irmão de Lenilda, Leci Pereira, ao jornal O Globo. Lenilda foi encontrada morta.

Segundo o pecuarista, ele entrou em contato com o grupo mesmo após os acontecimentos, os culpou pelo ocorrido e cobrou explicações. Apesar de confirmarem que deixaram-na à mercê da sorte, não contiveram uma comemoração. “Eu torço muito para que eles sejam punidos um dia. Eram todas pessoas conhecidas, amigos de infância. Pediram desculpas, assumiram que agiram errado. Mas nada além disso. No dia em que acharam o corpo, eles estavam lá comemorando num grupo de WhatsApp”, conta Leci.

Ele pediu para que Lenilda não fizesse a travessia. “Os outros três estão lá no destino deles, trabalhando. Eu fico revoltado porque acho que a gente não pode abandonar nem um animal, que é crime. Como podem abandonar uma pessoa?”, desabafa Leci.

Na última quarta-feira (15/9), o corpo de Lenilda foi encontrado após ter sido abandonada pelo grupo de amigos de infância. Ela passou mal durante a caminhada. “Largaram ela para trás. São pessoas que foram criadas com a gente, que conhecemos há mais de 30 anos. Ela confiou que eles iam voltar para buscá-la”, desabafou o irmão.

De acordo com relatos de familiares, Lenilda enviou uma mensagem de voz pelo celular para o irmão por volta das 15h25 de 7 de setembro, na qual dizia: “Eu dormi aqui. Eu não aguentei, eu tô sozinha. Mas eles estão vindo me buscar. Eu tô chegando, falta um pouquinho só para eu chegar. Eu não aguentei”.

Vaquinha para repatriar o corpo - As filhas de Lenilda criaram vaquinhas, tanto no Brasil, quanto nos EUA, para arrecadarem fundos e conseguirem trazer e enterrar o corpo da mãe. Nas redes sociais, conseguiram arrecadar quase R$ 14 mil até este domingo (19/9), com a ajuda de 159 apoiadores. De acordo com Leci, o corpo da irmã ainda pode demorar a ser liberado pelo IML local. Ele contratou uma empresa para lidar com as questões burocráticas junto a uma empresa de imigração.