Juiz aposentado é condenado a 24 anos por mandar matar colega

Publicado em 13/03/2026, às 13h19
Juiz Alexandre Martins de Castro Filho e o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira - Reprodução / TV Vitória
Juiz Alexandre Martins de Castro Filho e o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira - Reprodução / TV Vitória

Por Folhapress

O juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira foi condenado a 24 anos de prisão por ser o mandante do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em 2003, em um caso que chocou o Espírito Santo e teve repercussão nacional.

A decisão unânime do Tribunal de Justiça reconheceu a responsabilidade de Teixeira, que atuava em um contexto de combate ao crime organizado, e resultou na perda de sua função pública e cassação da aposentadoria.

O Ministério Público considerou a condenação uma resposta histórica à sociedade, enquanto Teixeira nega envolvimento e sua defesa argumentou que o julgamento deveria se basear apenas nas provas do processo, após anos de adiamentos devido a recursos legais.

Resumo gerado por IA

A Justiça do Espírito Santo condenou ontem o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira a 24 anos de prisão, em regime inicial fechado, por ser o mandante do assassinato do também juiz Alexandre Martins de Castro Filho. O crime ocorreu há 23 anos, em 24 de março de 2003, em Vila Velha (ES).

Decisão foi unânime entre os desembargadores do Tribunal de Justiça do Espírito Santo. Os magistrados reconheceram a responsabilidade do réu pela morte de Alexandre Martins, magistrado que atuava no enfrentamento ao crime organizado no estado.

O réu, que não estava presente no julgamento, também teve a prisão preventiva decretada. Antônio Leopoldo foi condenado pelo crime de homicídio qualificado, por motivo torpe e por ter sido praticado para assegurar a execução ou a impunidade de outro crime. Também foi condenado à perda da função pública de magistrado e à cassação da aposentadoria compulsória.

Antônio Leopoldo Teixeira foi julgado na condição de mandante do crime. Na manifestação encaminhada à Justiça, o Ministério Público também requereu que as penas sejam fixadas em patamar elevado e cumpridas inicialmente em regime fechado, em razão da gravidade dos fatos e do elevado grau de reprovabilidade da conduta.

O Ministério Público do Espírito Santo classificou a decisão como "uma resposta histórica à sociedade capixaba". A condenação representa um marco no processo de responsabilização penal pelos fatos que chocaram o Espírito Santo e tiveram grande repercussão nacional.

O magistrado condenado nega envolvimento no crime. Durante o julgamento, a defesa de Antônio Leopoldo alegou que ele não participou da morte de Alexandre e sustentou que o julgamento deveria se limitar às provas reunidas no processo.

"O Ministério Público recebe a decisão judicial exemplar que resultou na condenação e na prisão de Antônio Leopoldo Teixeira, no caso da morte do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, como o resultado há muitos anos buscado pelo MPES, em um dos episódios mais graves da história recente do estado", disse Francisco Martínez Berdeal, Procurador-Geral de Justiça.

O magistrado foi morto com três tiros na manhã de 24 de março de 2003, quando chegava a uma academia no bairro Itapuã, em Vila Velha. Alexandre Martins atuava na Missão Especial de Combate ao Crime Organizado e, segundo a denúncia do Ministério Público, a morte dele foi resultado de um crime de mando.

O MP diz que o juiz aposentado foi um dos autores intelectuais do homicídio. Na época do crime, ele havia sido acusado de vender sentenças, em denúncia apresentada por Alexandre Martins Filho. O outro apontado como mandante é o coronel da reserva da Polícia Militar, Walter Gomes Ferreira. Em 2015, ele foi condenado a 23 anos de prisão por homicídio e formação de quadrilha. Já o o ex-policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista, o Calú, que também era apontado como mandante, foi absolvido.

Dez pessoas foram denunciadas por envolvimento no crime, incluindo executores e mandantes. Mas apenas o juiz ainda não havia sido julgado. Por conta da série de recursos que o denunciado interpôs em instâncias superiores, o julgamento havia sido adiado por diversas vezes.

O nome de Antônio Leopoldo aparece como suspeito de envolvimento no crime em 2005. Na época, em abril daquele ano, ele foi preso preventivamente e levado para o Quartel da Polícia Militar, em Vitória. Depois oito meses na cadeia, o juiz conseguiu um habeas corpus e foi liberado.

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