Um juiz federal de Minnesota convocou o chefe do ICE para explicar falhas no cumprimento de ordens judiciais, destacando a insatisfação com a falta de audiências para imigrantes detidos, o que pode levar a procedimentos por desacato.
As operações do ICE no estado geraram protestos massivos após a morte de dois cidadãos americanos, com críticas à forma como a agência tem lidado com as detenções e audiências de fiança.
Em resposta à situação, o governo Trump demitiu o comandante das operações do ICE em Minneapolis e enviou um novo responsável para a região, enquanto as tensões entre o governo local e a administração federal continuam a aumentar.
Um juiz federal de Minnesota, nos Estados Unidos, intimou o chefe do ICE, a agência de imigração americana, a comparecer ao tribunal nesta semana para explicar o que o magistrado descreveu como falhas repetidas no cumprimento de ordens judiciais relacionadas às operações no estado.
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Segundo o juiz, o governo de Donald Trump não cumpriu as ordens de realizar audiências para imigrantes detidos pelo ICE nas operações realizadas no estado. "A paciência do tribunal chegou ao fim", afirma o juiz Patrick J. Schiltz na petição protocolada na noite de segunda-feira (26), segundo a imprensa americana.
O diretor interino do ICE, Todd Lyons, deve comparecer pessoalmente ao tribunal na próxima sexta-feira (30). Minnesota tem sido palco de embate entre o governo democrata local e a Casa Branca após dois americanos terem sido mortos a tiros por agentes federais durante duas operações em menos de um mês.
O juiz ameaçou instaurar possíveis procedimentos por desacato contra Lyons após, segundo o magistrado, a agência ter deixado de realizar audiências de fiança a imigrantes detidos, apesar de determinações judiciais emitidas por tribunais em Minneapolis.
Schiltz diz que o ICE não se preparou nem tomou providências para lidar "com as centenas de pedidos de habeas corpus e outras ações judiciais que certamente" seriam apresentados à Justiça devido às operações.
Manifestações em larga escala têm dominado as ruas de diferentes cidades do estado, em especial de Minneapolis, palco das operações que resultaram nos dois óbitos.
A ordem judicial ocorre logo após Trump enviar a Minneapolis o encarregado das fronteiras, Tom Homan, que deve assumir o comando do ICE na cidade -hoje, é a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, quem controla os agentes federais no local.
Segundo a imprensa americana, Trump também demitiu o comandante de operação do ICE em Minneapolis. Gregory Bovino, conhecido como um defensor da truculência das operações de deportação e por usar roupas que suscitaram comparações a vestes nazistas.
Especialistas veem Bovino como a peça central da ofensiva de Trump. Agora, ele voltará ao cargo que tinha antes do governo Trump, como oficial do CBP (Alfândega e Proteção de Fronteiras) na Califórnia.
No sábado (24), o enfermeiro Alex Pretti, 37, foi morto a tiros enquanto filmava uma operação do ICE em Minnesota. Poucos minutos depois do caso, o governo Trump afirmou que Pretti havia ameaçado os policiais. Vídeos da cena não comprovam essa versão.
No último dia 7, a poeta Renee Nicole Good, uma mãe de três filhos, de 37 anos, também foi morta a tiros em seu próprio carro. A Casa Branca também tentou culpá-la pelo episódio.
Em enfrevista à Folha de S. Paulo, o comissário de Segurança Comunitária de Minneapolis, Todd Barnette, criticou a atuação dos agentes ferais e disse que batidas, detenções e agressões conduzidas pelo ICE estão fazendo com que imigrantes revivam traumas de seus países de origem.
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